<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295</id><updated>2012-02-11T20:07:06.150-08:00</updated><title type='text'>Verbâmidas</title><subtitle type='html'>Alguma crônicas, outras nem tanto</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>99</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-7561631074761994504</id><published>2010-11-16T15:13:00.000-08:00</published><updated>2010-11-16T15:13:41.233-08:00</updated><title type='text'>O trio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O trio acabou de se conhecer, mas parece íntimo há um bom tempo. Gozam daquela intimidade espontânea que surge na boemia da Augusta, onde todos se conhecem profundamente mesmo tendo se visto pela primeira vez há cinco minutos. A Augusta seria o paraíso dos tímidos extremos se eles resolvessem se aventurar por esses submundos da sinceridade. No caótico fervor da rua, amizades e amores surgem nas esquinas ou nas mesas dos bares e, em minutos, se vão como garrafas de cerveja que retornam ao balcão.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;*Mais um trecho do livro-reportagem.&amp;nbsp; &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-7561631074761994504?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/7561631074761994504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=7561631074761994504&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7561631074761994504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7561631074761994504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/11/o-trio.html' title='O trio'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-6836243109663694949</id><published>2010-11-05T18:59:00.000-07:00</published><updated>2010-11-05T19:01:34.302-07:00</updated><title type='text'>República das putas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jéssica parece uma boneca, uma boneca ingênua, daquelas que transmitem alegria pelo buraco da boca, mas que guardam dentro de si um perigo mortal: talvez uma faca ou uma paixão doentia. Não é difícil imaginar o porquê de ela fazer tanto sucesso entre os homens com mais de 40 anos. Jéssica os conquista com aquela beleza doce mas ao mesmo tempo fria, uma beleza que faz com que eles se lembrem de seus áureos tempos de escola, do primeiro sexo, da dificuldade em penetrar a namorada virgem, da alegria contida em ver um seio pela primeira vez, da ingenuidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;*Trecho do livro-reportagem que estou escrevendo. Jéssica é uma prostituta da Rua Augusta.&amp;nbsp; &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-6836243109663694949?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/6836243109663694949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=6836243109663694949&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6836243109663694949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6836243109663694949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/11/republica-das-putas.html' title='República das putas'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-8966709000295074655</id><published>2010-10-20T17:00:00.001-07:00</published><updated>2010-10-20T17:12:48.980-07:00</updated><title type='text'>Eu, derrotado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para um derrotado contumaz, os livros de auto-ajuda fazem todo o sentido. Os autores dessas obras se aproveitam da nossa ingenuidade em acreditar que, amanhã ou em algum momento no futuro, as coisas vão dar certo. Se fracassamos ontem e hoje, alguma força do universo (ou em nós mesmos) nos fará vencer amanhã. É uma questão de tempo e de paciência.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O torcedor de futebol é, antes de tudo, um grande apaixonado pelo fracasso. Ninguém convive tão bem com a frustração e com a derrota como um bom torcedor de futebol. Mesmo chutada pra longe por um atacante caneludo, a esperança da vitória nunca abandona o estádio; ela sempre está ali, renascendo a cada apito inicial do juiz. Ouso dizer que são as derrotas (e não as vitórias) que fazem aumentar o amor por um clube.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para mim, a maior derrota do meu time aconteceu há mais 10 anos, em julho de 2000. Eu não passava de um pivete metido a besta. Entendia tudo de futebol: das formações táticas, dos tipos de chuteira, da história gloriosa e dos ídolos que eu só conhecia pelos pôsteres colados na parede da sala.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O jogo era entre São Paulo e Cruzeiro pela final da Copa do Brasil. A partida seria difícil, pois era fora de casa e o tricolor tinha empatado o primeiro duelo, no estádio do Morumbi. Para sermos campeões, precisávamos ganhar ou empatar por 1x1.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de começar o jogo, o meu vizinho, um autêntico corintiano, me provocou. Não se sabe como, ele conseguiu uma enorme bandeira do Cruzeiro e a colocou em sua janela, que, infelizmente, dá de frente para a minha. Segundo meu vizinho, o Cruzeiro ganharia fácil. Ele quis até apostar, mas, como sempre achei que essa coisa de aposta sempre dá azar, não aceitei.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha mãe era outra que aderiu a causa celeste. Ela é mineira e, por isso, resolveu que o Cruzeiro merecia o seu apoio. É de se indignar, né? Como uma mãe abandona o filho numa situação dessas para dar lugar ao bairrismo do pão de queijo? Na minha casa, eu estava sozinho.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro tempo terminou zerado. O jogo estava truncado, pra não dizer feio. Fiquei nervoso, como era de se esperar. Durante intervalo fui tomar um banho, somo sempre faço, para esfriar a ansiedade. Não há nada mais chato que intervalo de jogo de futebol.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No segundo tempo, o São Paulo marcou um bonito gol de falta. Comemorei como um louco: subi no parapeito da janela e comecei a xingar toda a árvore genealógica do meu vizinho corintiano. Seríamos campeões, cara! Faltavam 10 minutos para o final do jogo e o Cruzeiro precisava virar. O empate era nosso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Aos 36, o time azul empatou e a luz amarela se acendeu entre os torcedores do São Paulo. Mesmo assim, precisávamos apenas segurar mais alguns minutos e seríamos campeões.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos 43, o Cruzeiro conseguiu uma falta perigosíssima na entrada da área. Se você for torcedor fanático de algum time, conhece aquele pressentimento que bate segundos antes da coisa ir pro limbo. Por algum acaso do universo, nós sabemos que a vaca vai pro brejo antes mesmo do primeiro passo. Foi isso que senti nos segundos que antecederam aquela falta.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O jogador do Cruzeiro chutou. A bola nem foi tão forte assim, mas desviou na barreira e entrou no canto direito do goleiro. Pronto, o mundo acabou ali, fiquei péssimo. O fracasso do&amp;nbsp; time é sempre&amp;nbsp; mais nosso que dos jogadores, né? Na vitória, comemoramos em grupo; a derrota é individual. Naquele dia,&amp;nbsp; principal derrotado era eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu vizinho apareceu na janela, gritando como um porco. Minha mãe mandou a frase de consolação, algo como “na próxima vocês ganham”. Sim, a gente sempre espera pela próxima.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A esperança continua em campo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-8966709000295074655?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/8966709000295074655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=8966709000295074655&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8966709000295074655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8966709000295074655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/10/eu-derrotado.html' title='Eu, derrotado'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-720904007707760806</id><published>2010-09-28T16:55:00.000-07:00</published><updated>2010-09-28T16:55:54.283-07:00</updated><title type='text'>Leandro Machado prefere a terceira pessoa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nascido no glorioso fevereiro de 1989, Leandro Machado se orgulha de ser um dos poucos remanescentes dos anos 80 ainda em atividade. “Quando nasci, o Bon Jovi ainda usava cabelo grande”, conta. Morador da Zona Leste de São Paulo, ele se admira ao conhecer pessoas que não sabem que o mundo já foi dividido por um Muro de Berlim. “Na minha época só se falava nisso”, diz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leandro começou cedo na militância política: contrariando as ideias conservadoras de seu pai, que ainda acreditava no poder supremo de Paulo Maluf, o rapaz se decidiu pelo comunismo aos dez anos de idade. Por isso, ao ter de escolher entre o azul e o vermelho, ficava sempre com o encarnado. “O meu Power Ranger preferido sempre foi o vermelho, por exemplo”, diz. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É claro que, ao se sentar no troninho de poder que seus pais lhe deram a seguir, Leandro deu adeus às armas e se rendeu aos prazeres do McLanche Feliz. O que era o Power Ranger vermelho ao lado de uma coca-cola com hambúrguer? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos onze anos, o rapaz começou a pensar em sua carreira. “A ideia de um mundo cheio de monstros gigantes nunca me saiu da cabeça”, conta. Leandro escolheu salvar o mundo sendo policial, bombeiro, Bruce Willis, motorista de ambulância ou Cavaleiro do Zodíaco. O mercado não o absorveu, infelizmente. “A culpa não foi minha”, conta o garoto, lembrando que a culpa das mazelas do mundo deve sempre cair sobre os ombros da Igreja, do sistema ou do José Dirceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leandro logo percebeu que nunca tivera vocação para herói. “De super, só tenho o superego”, define, puxando um bloquinho para anotar a própria frase. Na verdade, o garoto decidiu apenas trocar a armadura por uma guitarra velha. Tornou-se roqueiro e um rebelde com calça (“jeans e regada”, lembra). &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Três acordes, letras engajadas e um all star velho. “Era incrível como, naquela época, tudo cheirava a espírito jovem”, diz. Compôs diversas músicas – todas reivindicando a liberdade dos alunos, frente à repressão da diretora da escola onde estudava. “Ela nunca nos deixava jogar bola depois do horário da educação física”, relata. Juntamente com seus colegas de banda (bando?), o garoto chegou a praticar atos terroristas, como esvaziar os pneus do veículo da diretora. Por essas circunstâncias do mainstream, suas músicas não chegaram às multidões, pois os shows não passavam dos limites da garagem do seu amigo Renato. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No ensino médio (mediano?), a rebeldia roqueira deu lugar aos hormônios. Como diz o poeta, aos 15 anos tudo é eterno. Por isso, Leandro confessa ter sido adepto do casamento imediato ao conhecer as pretendentes. “Cheguei a pedir a mão de 23 garotas”, diz. Obviamente nenhuma delas cedeu aos (des)encantos do rapaz. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegando ao fim do colégio, o jovem se viu confrontado por sua professora de Português. “Ela simplesmente me perguntou o que eu queria fazer da vida”, conta. Confuso, ele preferiu não responder. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dia, percebeu que sempre gostara de escrever, mas sua atração sempre foi por outro, pelo estranho que não era ele. Talvez por suas raízes mais ou menos comunistas, Leandro sempre preferiu a terceira pessoa. “Acho que conhecer o outro é encontrar a si próprio. É isso o jornalismo na minha vida, é para isso que ele serve”, analisa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez essa seja a explicação psicológica da coisa. Na prática, Leandro desejava mesmo era salvar o planeta dos monstros gigantes. Porém, ao entrar na faculdade, viria a descobrir que essa não é uma atribuição do jornalista. “Na primeira aula, uma professora sugeriu que, quem estivesse ali para salvar o mundo, podia se retirar da sala”, revela, constrangido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ele, Leandro Machado, brasileiro da Zona Leste de São Paulo, nascido na época em que o Bon Jovi ainda tinha cabelo, comunista aos dez anos, roqueiro e adepto do casamento imediato, não desiste ao ouvir uma frase desanimadora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quatro anos depois, ele escreve, procura o “eu” dentro dos outros e chama os monstros gigantes para o ringue. “Alguém quer brigar?”, pergunta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;*Esse texto foi escrito para concorrer a uma vaga no Curso Abril de Jornalismo. O tema era "quem sou eu e por que jornalismo". Espero conseguir. Torçam por mim. Adeus. &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-720904007707760806?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/720904007707760806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=720904007707760806&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/720904007707760806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/720904007707760806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/09/leandro-machado-prefere-terceira-pessoa.html' title='Leandro Machado prefere a terceira pessoa'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-3717272898883855144</id><published>2010-09-08T17:15:00.000-07:00</published><updated>2010-09-08T17:17:23.168-07:00</updated><title type='text'>Do lado de dentro [conto]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por muito tempo me tranquei em casa, afundado na inércia e na solidão dos meus amigos do Orkut. Enquanto isso, lá fora, uma cidade inteira tocava a minha campanhinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dia, abri a porta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-3717272898883855144?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/3717272898883855144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=3717272898883855144&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3717272898883855144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3717272898883855144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/09/do-lado-de-dentro-conto.html' title='Do lado de dentro [conto]'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-6516698167147528046</id><published>2010-09-05T17:57:00.000-07:00</published><updated>2010-09-05T18:02:33.084-07:00</updated><title type='text'>Do lado de fora [conto]</title><content type='html'>– Posso ouvir o som que sua barriga faz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Claro, mas não deve ser um barulho muito agradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ela está roncando bastante. Que engraçado! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Amor, agora você quase me conhece por completo. Até o som da minha barriga...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ah, é? Você disse quase. O que mais tem aí dentro?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-6516698167147528046?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/6516698167147528046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=6516698167147528046&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6516698167147528046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6516698167147528046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/09/de-dentro-conto.html' title='Do lado de fora [conto]'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-6686657587513111310</id><published>2010-09-02T15:17:00.000-07:00</published><updated>2010-09-02T15:17:41.259-07:00</updated><title type='text'>Encontro [conto]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu disse que era ela, eu te avisei que ela chegaria agora. Você não me ouve, nunca me ouviu. Fica sempre aí, flutuando em seu último orgasmo. Que droga! Nosso amor tem pressa! E agora, o que nós fazemos? Ela está batendo na porta, dá pra ouvir? Se ela te vir aqui, você morre, entendeu? Morre! Precisamos pensar... Onde eu te escondo? Espera aí, vou fazer alguma coisa. Entra, vai. Vou lá abrir a porta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Oi, amor! Chegou cedo hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Sempre chego cedo pra você, né? Que cheiro de homem é esse?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-6686657587513111310?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/6686657587513111310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=6686657587513111310&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6686657587513111310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6686657587513111310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/09/encontro-conto.html' title='Encontro [conto]'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-5100041187320974427</id><published>2010-09-01T17:43:00.000-07:00</published><updated>2010-09-01T18:15:34.233-07:00</updated><title type='text'>Risco</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha mãe sempre me pede para beber um copo d’água depois de tomar sorvete. Segundo ela, o método serve para evitar uma eventual gripe, que viria através do efeito gelado do sorvete.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imagino se tivéssemos que beber um copo d’água para todas as coisas boas do mundo. Seria uma chatice, não?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há vida sem risco.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-5100041187320974427?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/5100041187320974427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=5100041187320974427&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5100041187320974427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5100041187320974427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/09/risco.html' title='Risco'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-3637432238944251478</id><published>2010-08-31T16:44:00.001-07:00</published><updated>2010-08-31T16:51:48.935-07:00</updated><title type='text'>De nada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ligo o computador, ligo a televisão, ligo o rádio. Ouço uma música que não me empolga. Acendo um cigarro, acendo um incenso, bebo um gole de uísque, bebo um remédio para dor de cabeça. Tento escrever um poema,  tento escrever um conto, leio um  romance. Mas, nada. Mais nada. O telefone toca. “O que você está fazendo?”, me perguntam. “Nada”, respondo. “Eu também não”, confessam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tédio é contagioso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-3637432238944251478?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/3637432238944251478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=3637432238944251478&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3637432238944251478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3637432238944251478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/08/de-nada.html' title='De nada'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-7607256681277693366</id><published>2010-08-22T17:53:00.000-07:00</published><updated>2010-08-22T17:53:51.277-07:00</updated><title type='text'>Soul</title><content type='html'>A tristeza não vai para o currículo&lt;br /&gt;A inveja não vai para o currículo&lt;br /&gt;A decepção nunca foi para o currículo&lt;br /&gt;A angústia nunca foi citada em um currículo&lt;br /&gt;A depressão, a injustiça, a vergonha&lt;br /&gt;nunca foram pro currículo&lt;br /&gt;Meus sentimentos jamais estarão em meu currículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu currículo tem tudo o que não sou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-7607256681277693366?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/7607256681277693366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=7607256681277693366&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7607256681277693366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7607256681277693366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/08/soul.html' title='Soul'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-2666831503371046491</id><published>2010-07-25T16:21:00.000-07:00</published><updated>2010-07-25T16:45:48.819-07:00</updated><title type='text'>Currículo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como vocês não sabem, escrevo para o &lt;a href="http://www.jornalirismo.com.br/"&gt;Jornalirismo&lt;/a&gt;, site comandado pelo jornalista e escritor Guilherme Azevedo. Nessa semana, o Guilherme queria atualizar o expediente do site e me pediu para criar um pequeno currículo das minhas atividades. Ou seja, um texto sobre as coisas que andei fazendo nos últimos 21 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se você me conhece bem, sabe da minha tendência para o deboche e para a falcatrua. Então, depois de mandar um currículo sério para o Guilherme, escrevi este especialmente para o Verbâmidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Leandro Machado, jornalista.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nascido no glorioso fevereiro de 1989, se orgulha de ser um dos poucos remanescente da era do Muro de Berlim. Queria ser comunista, mas preferiu aderir à Coca-Cola e ao Big-Mac. Seus heróis mudaram de armadura, seus inimigos viraram um monstro gigante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando pequeno queria ser poeta, mas a poesia sempre foi muito grande para ele. Decidiu pelo jornalismo para fugir do tédio. Depois descobriu que o tédio é infinito. Como não tinha dinheiro para a faculdade, se inscreveu num programa do governo. Tornou-se um filho do Lula, mas ainda prefere seus pais verdadeiros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem medo de aranhas, ratos, lagartixas e animais do gênero. Sua palavra preferida é “ventoinha”. Adora comer, dormir, beijar e tomar banho. Viveu alguns romances, mas por enquanto não escreveu nenhum.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-2666831503371046491?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/2666831503371046491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=2666831503371046491&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2666831503371046491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2666831503371046491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/07/curriculo.html' title='Currículo'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-8414710657629402760</id><published>2010-07-17T17:46:00.000-07:00</published><updated>2010-07-17T17:52:03.744-07:00</updated><title type='text'>Vivi</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem se lembra do Negritude Jr, do Katinguelê, do Pixote, do Molejo, do Karametade e do grupo Desejo?  Que se lembra de como eram ruins aquelas rimas com beijo? Rimas com paixão, dor e coração? Quem se lembra do kichute, da bola de plástico, da bala de banana? Quem não se lembra de, pelo menos uma vez, ter xingado a Dona Ana? Sai daqui, velha coroca! Bruxa do 71! Quero mais uma coca, seu Pascoal! Quem não se lembra de, na Copa, ter pintado toda a rua? De ter sonhado com a Tiazinha nua? Quem se lembra do dor do Merthiolate? Queima, queima, queima a fogueira na esquina! A bola bate, a velha grita e eu morro de amores pelas Chiquititas (em especial pela Vivi).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-8414710657629402760?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/8414710657629402760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=8414710657629402760&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8414710657629402760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8414710657629402760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/07/vivi.html' title='Vivi'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-492450640572506473</id><published>2010-07-14T20:07:00.000-07:00</published><updated>2010-07-15T15:38:53.438-07:00</updated><title type='text'>Antônio tem uma musa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem, às 9h37, ao observar uma garota de olhos azuis que estava sentada na Praça dos Almirantes, o poeta Antônio da Silveira, de 27 anos, encontrou o tema para seus novos poemas. A garota não era bonita nem nada. Na verdade, era até feia, se vestia mal e não tinha a formosura que geralmente corre no sangue das musas. Mas o Antônio, consciente de seu ofício de dar palavras belas a coisas ruins, viu nela toda uma junção de características que a transformariam em versos. O poeta, então, parou para olhá-la com maior cuidado, pois é da observação que surge a beleza. A poesia poderia surgir a qualquer momentos era óbvio o seu encanto ao levantar a sobrancelha ou ao mexer o cabelo ou ao dar uma piscadela. Todos os movimentos pareciam durar uma eternidade e, mesmo quando terminados, continuavam a soar no ambiente e aos seus olhos de poeta. O que é a poesia se não tornar eterno algo que já passou? Então, excitado pela proximidade do verso que lhe vinha à mente, Antônio se levantou, pegou uma caneta e, antes que colocasse a primeira palavra no papel, ouviu uma voz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Oi – , disse a garota dos olhos azuis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antônio viu a moça como se fosse a primeira vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-492450640572506473?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/492450640572506473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=492450640572506473&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/492450640572506473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/492450640572506473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/07/antonio-tem-uma-musa.html' title='Antônio tem uma musa'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-3024432144429666347</id><published>2010-06-04T20:07:00.001-07:00</published><updated>2010-06-04T20:12:35.075-07:00</updated><title type='text'>Consolação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É impossível calcular quantas pessoas passam diariamente pela Avenida Paulista. Milhares, com certeza. Apenas nas catracas da estação Consolação são mais de 40 mil todos os dias, segundo o Metrô. Essas catracas funcionam como porta de entrada da mais famosa via de São Paulo, uma prévia antes do deslumbre da grandeza da Paulista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inaugurada no dia 25 de janeiro de 1991, hoje a estação Consolação é um ponto de encontros e desencontros. No final de semana, os jovens da cidade se reúnem sempre no mesmo local. Aguardam o amigo ou amor que está chegando pelo metrô. Depois vão para as centenas de bares e baladas da região mais movimentada de São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante a semana, jovens e adultos se amontoam nas catracas e esperam por alguém que ainda vai chegar para um almoço de negócios ou mesmo para um passeio. Alguns demonstram impaciência, pois a pressa corre forte na veia dos paulistanos. Nas catracas de ferro da Consolação pesa a ansiedade do que ainda está por vir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Estou esperando um amigo”, revela a jovem Julia Garcia, sorrindo. Mais tarde, a garota confirma ser o garoto mais que uma amizade, é um pretendente. De braços cruzados, ela parece impaciente. Olha para todos os lados, procurando alguém que, por enquanto, só faz presença em seu pensamento. “Ele não está atrasado, é que encontros são incertos, né? E se a pessoa não vem?”, pergunta, medrosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais perto das catracas, uma loira anda de um lado para o outro. Sobe as escadas, vai até a rua, depois retorna ao saguão. O tempo passa mais devagar quando se está nervoso. Os minutos viram horas; as horas, dias. “Está vendo? As pessoas às vezes não vêm”, observa Julia. “Imagina, um atraso desses pode acabar com um casamento, com uma amizade”, brinca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do outro lado do saguão um grupo de amigos conversa animadamente. “Estamos indo para uma baladinha ali na Augusta”, conta Alex Rodrigues. Ele tira do bolso o celular, que vibra. “Meu, o Bruno vai demorar mais 15 minutos”, diz em seguida. Muitos palavrões e xingamentos são ditos na sequência. “Há 15 minutos ele disse que chegaria em 10”, conta Marcos Rosado, outro membro do grupo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O melhor da festa é esperar por ela, diz o ditado. Julia ainda aguarda o seu amigo, tentando adivinhar um futuro incerto. “Ele é bonitinho”, brinca, sorrindo. Eles vão ao cinema, mas se vão assistir ao filme é outra história. “Sempre depende do homem, né?”, diz Julia, que continua olhando para os lados.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A loira, por sua vez, parece estar mais calma, pois não checa mais o relógio. A melhor forma de esperar é esquecer o tempo. Dois minutos depois, um homem cabeludo aparece do outro lado da catraca. A loira corre em sua direção. Os dois se abraçam longamente, esquecem as horas perdidas em ansiosa espera. “São tão bonitos esses encontros, se eu tivesse um namorado...”, diz Julia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O grupo de amigos ainda espera o seu membro desgarrado. “O Bruno já nasceu atrasado”, diz Marcos. No bolso de Alex, o celular vibra mais uma vez. Uma mensagem de Daniel diz: “Cheguei”. Onde está ele, então? Alex liga para o amigo. “Meu, vocês não acreditam! Ele já está na balada”, diz. Todos saem correndo. “O Bruno é um filho da...”, gritam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Julia cruza os braços: busca em si algum consolo perdido. Nem começou o filme dos dois e ela já pensa num final infeliz. “Foi um erro marcar um encontro na Consolação, né? No Paraíso teria sido melhor”, brinca. No grande relógio no teto da estação, os ponteiros marcam 7 horas da noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pela escada rolante, um garoto de franja sobe: está mais pálido que polido. “É ele”, Julia sorri. Em São Paulo, o seu príncipe anda de metrô e não a cavalo. Felipe, o garoto, ultrapassa as catracas aos pulos. Os dois se abraçam timidamente e logo vão embora rumo ao cinema.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O atraso parece pequeno no calor do encontro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-3024432144429666347?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/3024432144429666347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=3024432144429666347&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3024432144429666347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3024432144429666347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/06/consolacao.html' title='Consolação'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-1902082789685170050</id><published>2010-05-05T10:51:00.000-07:00</published><updated>2010-05-05T10:51:24.751-07:00</updated><title type='text'>My first day at school</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como sempre, as redações do meu curso de inglês me fazem lembrar um passado tão remoto quanto os vestidos da Hebe. Hoje, ao pegar a folha de redação, me deparei com o meu primeiro dia na escola.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que escrever? Os anos, rápidos e imperdoáveis, apagaram o poder de comprovação das minhas lembranças. Será mesmo verdade o meu choro naquele primeiro dia? É verdadeiro o meu pânico ao sentir que entraria num outro mundo se ultrapassasse aquele portão azul?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei que eu era menor que um anão. Não, as coisas que eram gigantescas, enormes, desproporcionais aos meus sonhos e dedos pequeninos. Minha maior preocupação, na época, era guiar o Mário Bros por mundos escondidos nas estrelas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cheguei à escola e encarei o portão azul com o medo se derramando pelos olhos. Onde estaria a minha mãe para enxugar o meu desespero? Em seu lugar apareceu uma moça gorda, que disse ser minha professora. Ela se chamada Mirian, mas seu nome deveria ser Gentileza. A Mirian me mostrou como o mundo era pequeno, pois, afinal, ele cabia inteirinho dentro de um mapa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha primeira professora também me ensinou o tamanho das palavras. Com elas, eu poderia transformar uma minhoca numa guerra nuclear, uma frase em uma revolução, um sentimento numa letra de música. As pequenas palavras são as mais importantes, pois carregam dentro delas coisas gigantes: “céu”, “amor”, “dor”, “deus”.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O meu primeiro dia na escola foi o do meu primeiro amor. Me apaixonei pela Amanda assim que a vi. Era magrinha, com cabelos longos e despenteados. Em um ano, acho que nos falamos por umas três vezes. O amor é indescritível mesmo na infância e, por mais que eu cresça, ainda não aprendi sua gramática.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiz várias amizades no primeiro dia. Tirando o Luciano, acho que nenhuma sobreviveu às brigas do futebol. Brigávamos como adultos, pois o Júnior não era um bom goleiro, o Michel perdia todos os gols e eu, infelizmente, era um péssimo árbitro. Contrariando as expectativas, nenhum de nós disputou uma Copa do Mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o sinal bateu marcando o final do dia, provavelmente percebi que era um início de uma vida. O segundo dia dura até hoje.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-1902082789685170050?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/1902082789685170050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=1902082789685170050&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1902082789685170050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1902082789685170050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/05/my-first-day-at-school.html' title='My first day at school'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-7392155935931067578</id><published>2010-05-01T19:41:00.000-07:00</published><updated>2010-05-01T19:44:31.636-07:00</updated><title type='text'>Dor/rio</title><content type='html'>Minha senha é dor, sonhador&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que dor? Que nada, nadador&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia a dor me mata, matador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-7392155935931067578?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/7392155935931067578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=7392155935931067578&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7392155935931067578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7392155935931067578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/05/dorrio.html' title='Dor/rio'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-4999764141911935827</id><published>2010-04-11T15:02:00.000-07:00</published><updated>2010-04-11T15:51:22.699-07:00</updated><title type='text'>O frio e o meu muro de Berlim</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não gosto muito do calor: os meus genes não foram desenvolvidos para o clima abafado, muito menos para o tostamento coletivo nas areias de Santos. Então, na segunda-feira, ao me deparar com o vento gelado, senti uma atmosfera boa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As pessoas ficam mais bonitas no frio, com certeza: as blusas, compradas na última liquidação, saem do armário, as bochechas ficam rosadas, as mãos ganham luvas pretas, os vidros adquirem uma fina camada de gelo e o meu cachorro pode, finalmente, utilizar a roupinha bonita que fizemos para ele no Natal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cidade de São Paulo também fica mais bonita durante o inverno. Porém, em nós, habitantes do caos, cresce uma superfície um tanto solitária. É uma solidão dura, estreita...Uma solidão que poderia doer por cem anos, mas logo o vento passa, deixando claro que vivemos em São Paulo e não em Macondo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na minha frente, por exemplo, uma senhora de vermelho enxerga alguém que não está aqui, no metrô. Talvez pense em um amor perdido nos anos 80: agora, nesse frio de cortar o coração, ela o reencontra em algum pingo de chuva que cai lá fora. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A solidão também grita no menino-engraxate, que entrou no metrô há pouco. Depois de um longo discurso sobre o seu pai doente, ele pede alguns centavos. Se eu tivesse um hambúrguer agora, eu daria a ele. Não, não, esses lanches são gordurosos. Melhor: eu vou dar os centavos e o garoto escolhe o que prefere comer. Carregando nas costas a solidão e a malinha de engraxate, o garoto se encolhe junto à porta. Vai embora sei lá para onde (prefiro nem pensar nisso, aliás).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao meu lado há uma família: a esposa, o marido e os dois filhos (um garotinho e uma menina de uns dois anos). Só descubro o nome da menina: Raquel. Aparentemente, eles vão viajar, pois carregam algumas malas. O garotinho cochila enquanto seus pais discutem. A Raquel se debruça para ver o pinguim que ilustra a página da revista que estou lendo. “Ziiiinguiiiim”, ela grita, satisfeita. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rapidamente o trem avança, mas o garotinho continua a dormir, solitário. “O sentimento é ruim, o sentimento te derrota”, diz a esposa, olhando fixamente para o marido. Anoto a frase enquanto a Raquel sorri com o Ziiiinguiiiim. Em seguida descemos todos na estação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como o frio, a solidão arde em todos nós. Estamos juntos, mas algo nos isola. Alguma barreira distancia os mundos: o muro Berlim já caiu, mas continuo separado da Raquel, do garoto-engraxate, de tudo o que é alheio. Será isso ou é apenas uma sensação? Será o frio ou no calor também fico congelado?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A família vai embora. O marido leva o garotinho nos braços. Com um aceno, a Raquel se despede do Ziiiinguiiiim enquanto a sua mãe, sozinha, canta baixinho: “Mais alto, mais alto, mais profundo”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-4999764141911935827?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/4999764141911935827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=4999764141911935827&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4999764141911935827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4999764141911935827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/04/o-frio-e-o-meu-muro-de-berlim.html' title='O frio e o meu muro de Berlim'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-5707028107689108289</id><published>2010-04-08T17:00:00.000-07:00</published><updated>2010-04-09T13:41:46.084-07:00</updated><title type='text'>Jornada Fotográfica</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com uma câmera pendurada no pescoço, André Doeuk caminha por uma 25 de Março lotada de ambulantes, crianças e pessoas perdidas. “O que é um fotógrafo?”, pergunta e, olhando para a multidão, responde: “Alguém que tira uma foto, ora”. Ao longo do maior comércio de rua de São Paulo, 31 pessoas acompanham Doeuk na Jornada Fotográfica – projeto que reúne mensalmente dezenas de amantes da fotografia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma iniciativa de André Douek, a Jornada Fotográfica é gratuita e acontece sempre em algum ponto famoso da capital paulista. Em 13 anos, o projeto já percorreu a rua Augusta, o mercadão da Lapa, a Avenida Paulista, entre outros lugares. Os participantes, sempre munidos de câmeras, se encontram e partem para o local previamente escolhido.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dona Elza Martins, 72 anos, é uma das mais animadas do grupo. “Antigamente, eu tirava fotos da família. Desde que conheci a Jornada, adoro fotografar a cidade”, exalta, sorrindo. Com uma câmera digital pequena, registra seu amor por São Paulo. “Sou paulistana e me apaixono a cada dia mais por isso aqui”, diz enquanto se senta para ler um jornal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Dona Elza, que foto é essa aí no jornal?”, pergunta Alessandra Oliveira, 20 anos. “Acho que é sobre o metrô”, responde Dona Elza, calmamente. Alessandra, acelerada, puxa uma pequena Kodak e se debruça para fotografar o chão. “Quero ser fotógrafa”, diz, clicando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pela primeira vez na Jornada, Alessandra sonha com uma câmera melhor. Quando chegou e viu os outros com um equipamento enorme, ficou com vergonha de abrir a bolsa. “O pessoal é tão legal que ninguém reparou na minha câmera pobrinha”, diz ela.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Das 31 pessoas que participam da Jornada na rua 25 de Março, apenas quatro não possuem uma câmera profissional. “Isso não quer dizer nada”, contesta André Doeuk. “A câmera aumenta a possibilidade, mas a foto está na pessoa”. Alessandra não acredita no mestre: ainda quer uma máquina melhor. “Sua câmera é pesada, né, André?”, pergunta.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às 11 horas da manhã, o sol queima em um céu de brigadeiro. “Gosto de fotografar paisagens,a luz, o céu...”, revela Alessandra. “Prefiro pessoas”, diz Doeuk, que aponta sua objetiva para duas estátuas humanas. “Você vai ver, Alessandra, se começar a frequentar a Jornada, dentro de um ano você vai evoluir muito”, aconselha o experiente fotógrafo: são 40 anos de profissão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também são vários os anos de profissão de Nalva Maria, 61. Ela fotografa profissionalmente desde 1983. “Sou cineclubista, aposentada pela Editora Abril, já fiz televisão, exposição...Tira uma foto minha embaixo desse véu?”, pergunta, em frente a uma loja de fantasias. Depois, ela anda até o final da rua 25 de Março, mas tira poucas fotos. “Hoje estou preguiçosa”, diz enquanto desliga sua câmera analógica. “A fotografia mudou o meu destino”, confessa, com os olhos brilhando como flash.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao meio dia, todos se reúnem na estação Sé do metrô. André Doeuk recolhe os filmes e os cartões de memória dos participantes. No mês seguinte, as melhores imagens serão expostas no Arquivo Histórico Municipal, próximo à estação Tiradentes. “Qual é o objetivo? Bom, é registrar o patrimônio da cidade”, diz Doeuk.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dos participantes empresta uma câmera a Doeuk para que ele registre uma imagem. “E agora, o que eu faço, é só apertar o botão?”, pergunta o fotógrafo.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-5707028107689108289?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/5707028107689108289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=5707028107689108289&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5707028107689108289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5707028107689108289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/04/jornada-fotografica.html' title='Jornada Fotográfica'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-7149006293454584494</id><published>2010-04-04T15:25:00.001-07:00</published><updated>2010-04-04T15:34:46.263-07:00</updated><title type='text'>Anúncio de um conselheiro amoroso</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se você foi traído ou se você mesmo traiu, se você tem vontade de gritar com ela, se você quer bater naquele cafajeste sem vergonha, se você perdeu a honra, se você não agüenta mais esperar por uma mensagem, se você quer abraçá-la agora, agora mesmo, nesse segundo que você perdeu sem vê-lo, se você quiser construir seu coração cortado, me procure.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por favor, me procure se você perdeu a aliança, se você queimou todas as cartas, se você estragou aquela dança, se você nem sabe dançar, se você não liga para ninguém, se você não ligou pra ela ontem à noite, se você esperou que ele aparecesse para te salvar do tédio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Procure-me no Google se você quiser algum remédio, se foram verdadeiras as suas lágrimas, se você não sabe o que escrever no depoimento, se você não aprendeu a esquecê-la, se você se arrependeu, se não se arrependeu, se dói, se doeu...Me procure, por favor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vem, me procure agora se você destruiu seu casamento, se você terminou ou se terminaram com você, se você ama ou se não ama mais, se você sente aquela terrível vontade de chorar, se você quer brigar com a amiga da prima do seu ex-namorado...Se você for embora, se você fugir do mundo e do amor e de tudo o mais, me procure, pois eu também, eu também já me senti como você.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-7149006293454584494?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/7149006293454584494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=7149006293454584494&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7149006293454584494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7149006293454584494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/04/anuncio-de-um-conselheiro-amoroso.html' title='Anúncio de um conselheiro amoroso'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-2242539335400340687</id><published>2010-03-27T18:36:00.000-07:00</published><updated>2010-04-01T06:44:14.260-07:00</updated><title type='text'>Quero-quero</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem, no meio de uma rua Taquari lotada de festeiros universitários, ouvi alguém sussurrar uma pergunta: “E aí, o que você quer da vida?”. A questão, obviamente, não foi dirigida a mim, mas bem que poderia ter sido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quero tantas coisas na vida, meu caro. Quero dormir menos, por exemplo, pois enquanto sonho o mundo se realiza; quero perder a razão, às vezes, mas, se eu gritar, não me ouça; quero aprender novas palavras, mas que elas não me prendam, por favor; quero viajar até a lua, só para convidá-la a participar dos meus poemas; quero escrever poemas; quero pensar menos nos romances e ser mais romântico; quero ler Cortázar, Dostoievski e Leminski; quero conquistar a minha vizinha bonita;&amp;nbsp; quero tocar todas as nuvens no céu de seus olhos azuis. Quero acreditar menos nos outros e mais em mim; quero tirar mais fotos, pois no futuro precisarei enxergar o passado; quero me dedicar mais aos amigos, com certeza: ao Ivan, por exemplo, quero explicar que nada apodrece por completo, que sempre sobra algo dentro de nós; à Nathália quero escrever uma carta maneira (ou mineira); quero dizer ao Sato que o último beijo é melhor que o primeiro. Quero você...sim, você que hoje me lê, quero que me leia amanhã também. Não quero dizer adeus, mas quero ir embora e nunca mais voltar. Quero beber menos e ficar mais bêbado; quero insubordinar minhas frases; quero usar menos o “mas”. Mas, mas... Meu caro, só quero mais, só quero mais de tudo um pouco. Quero nada e qualquer coisa!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-2242539335400340687?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/2242539335400340687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=2242539335400340687&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2242539335400340687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2242539335400340687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/03/quero-quero.html' title='Quero-quero'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-2827040028395437877</id><published>2010-03-20T14:03:00.000-07:00</published><updated>2010-03-20T14:39:56.542-07:00</updated><title type='text'>18 de março, quinta-feira, na papelaria e, posteriormente, no trem</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certa vez, Ignácio de Loyola Brandão confessou já ter usado 4.619 blocos de notas em sua vida de jornalista e escritor. Segundo ele, essa obsessão surgiu depois de ler a biografia do americano Ernest Hemingway – romancista que acreditava piamente no poder do bloquinho para quem deseja escrever bem. Eu, minúsculos frente aos dois, tenho a incrível marca de cinco blocos de notas nessas 21 primaveras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Juntamente com o microfone, o instrumento símbolo do jornalista é o bloquinho. Em suas micro-folhas são observadas as situações interessantes, criadas as reportagens e reproduzidos os discursos e as frases que mudarão o mundo. O bloco de notas (ou as cadernetas, como preferem alguns) é um reservatório de ideias e impressões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nessa semana, eu precisava de bloquinhos, pois o meu TCC já estava à vista: anotarei muitas coisas, imagino. Fui à papelaria da São Judas – a universidade onde estudo. Comprei dois iguais, pequenos e de capa azul-marinho. Não há paisagens na capa, infelizmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encontrei o meu professor Miguel Frias na saída da loja. Batemos um longo papo sobre a palavra e as suas diferentes formas. Na verdade, pouco falei, incapaz que sou. Ele discorreu sobre a diferença entre a escrita científica e a literária. “Na ciência, não podemos dar margem a diferentes interpretações. A literatura é o oposto: o escritor não se prende à exatidão”, disse. O Miguel, que também é poeta, fechou a conversa com uma frase singular: “Escrever é transcender”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saí do papo com a frase na cabeça. Transcendência? Como assim? E eu, pobre de palavras, que nunca saí do chão? O que farei? Vou-me embora para casa, porque lá sou filho da minha mãe, pensei, e fui. No trem, quis escrever algo no bloquinho: uma palavra, uma frase, uma crônica, um texto revolucionário... Eu estava cheio de ideias e as folhas continuavam virgens. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inspirado no Miguel, me lembrei de algumas definições para o ato da escrita. Para José Eduardo Agualusa, “escrever é uma irresponsabilidade”. João Gilberto Noll disse: “escrevo para não ter que matar alguém”. O roteirista americano Syd Field acredita que “escrever é a melhor forma de perguntar e obter respostas”. A cantora angolana Kianda revelou: “escrevo para iluminar os corredores de minha alma”. Até eu já disse que “escrevo para conquistar a minha vizinha bonita”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, de verdade, porque escrevo agora? Vou escrever sobre uma rua e nem mesmo conheço os caminhos da minha vida. Por que deixei de plantar uma árvore ou salvar uma vida ou cantar uma música ou lavar o banheiro ou viajar pelo mundo ou criar os filhos que ainda não tive para, justamente, buscar palavras no céu de minha mente? Por que escrevo agora?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente senti um sono provocador. Encostei a cabeça na parede do trem e cochilei por alguns minutos. Assim que acordei, tive a revelação. Puxei a caneta e, rápido, anotei no bloquinho: “Escrevo porque preciso dormir à noite”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-2827040028395437877?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/2827040028395437877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=2827040028395437877&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2827040028395437877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2827040028395437877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/03/18-de-marco-quinta-feira-na-papelaria-e.html' title='18 de março, quinta-feira, na papelaria e, posteriormente, no trem'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-792099834757469264</id><published>2010-03-17T17:16:00.000-07:00</published><updated>2010-03-17T17:41:18.955-07:00</updated><title type='text'>16 de março, terça-feira, no Cinesesc</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como vocês sabem, o Cinesesc é a unidade voltada ao cinema do Sesc São Paulo. Fica na Augusta, 2075, descendo para os Jardins – o lado sóbrio da rua. O espaço abriga uma ampla sala de projeção, com uma tela de razoável grandeza. As poltronas são de um couro preto e confortável, perfeitas para quem deseja dormir um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trabalhei por dois anos no Sesc Vila Mariana, que fica mais ou menos perto da rua Augusta. Como eu saía ao meio-dia da faculdade e entrava apenas às 16h no trabalho, passei boas horas nas poltronas negras do Cinesesc. Eu tinha muito sono durante o dia, então, como não pagava a entrada por ser funcionário, eu corria para o cinema a fim de descansar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dormindo, perdi os maravilhosos filmes austríacos, deixei de ver pérolas do cinema malaio, não me diverti com nenhuma comédia israelense e, infelizmente, não dei a mínima para todos os problemas do leste-europeu, pois, enquanto eles eram escancarados na tela, eu sonhava com alguma donzela de minha cabine particular.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resolvi voltar ao Cinesesc nessa semana. Joguei fora o lado sonhador de minha vida e decidi assistir ao filme, finalmente. Escolhi “A Fita Branca”, do diretor alemão Michael Haneke. Adorei! Apesar de duradouro e duro em alguns momentos, o longa é realmente muito bom!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que tudo isso tem a ver com o meu TCC? Bom, está em cartaz no Cinesesc a exposição “Augustas”, do fotógrafo Eder Chiodetto. São dezenas de fotografias que mostram a diversidade da mais democrática rua da cidade: com uma câmera analógica, o artista capturou olhares, pessoas, carros, luzes, brilhos, momentos...Eder conseguiu imagens que chegam perto da abstração. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando saí do Cinesesc, a noite estava imensa. O céu era de um azul sereno, tranquilo. Andei um pouco... Logo parei em um farol de pedestres. Por dois minutos ele se manteve fechado: um pequeno número de pessoas se amontoou, esperando. Os carros corriam no asfalto... Quando o farol abriu, tive a sensação: essa rua é meio viva, não?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-792099834757469264?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/792099834757469264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=792099834757469264&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/792099834757469264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/792099834757469264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/03/16-de-marco-terca-feira-no-cinesesc.html' title='16 de março, terça-feira, no Cinesesc'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-3589706687886638777</id><published>2010-03-15T17:02:00.000-07:00</published><updated>2010-03-16T08:01:31.671-07:00</updated><title type='text'>13 de março, sábado, na rua Augusta sob o sol forte</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrevo hoje, na segunda-feira, mas os fatos se deram no sábado, 13 de março. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desci na estação Anhangabaú, às 16 horas. A Karol, minha amiga publicitária, não estava lá,&amp;nbsp; diferentemente do que havíamos combinado ao telefone. Sua pressão caiu e ela se atrasou por uns 30 minutos. O calor estava perto dos 35 graus. A temperatura sobe e a pressão sempre desce, deve haver uma proporção macabra nisso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Karol mora perto da Augusta, na rua da Abolição (achei o nome sugestivo). Pedi a ela que me acompanhasse nesse primeiro dia, pois, vivendo ali, conhece a região melhor que eu. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Andamos, pois, dentro do forte calor. O ar estava quente e o vento era pouco. Paramos em uma padaria já no início da Augusta. Compramos uma água por R$ 2,20, o que nos deixou indignados. “Uma garrafa tão pequena por esse preço?”, perguntei, sedento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais acima, alguns adolescentes esperavam a abertura de uma balada que eu não conhecia. “Deve ser matinê”, comentei com a Karol. Os jovens vestiam roupas pretas e justas – não se importavam muito com o calor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto subíamos a rua, tentei explicar o meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) à Karol: “É um livro-reportagem sobre a Augusta, mas o foco principal será um salão de cabeleireiros. Quero falar da rua a partir do salão, entende? Como um ponto de encontro”. Silêncio. “Bom, não entendo, mas tudo bem...vamos procurar”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passamos por três salões. Nenhum se encaixou no “perfil”, seja lá qual era o perfil. A Karol se lembrou de um salão. “Sempre tive curiosidade de entrar lá”, confessou. Procuramos, então. Sem sucesso. Subimos, descemos, subimos novamente, voltamos, e nada. Quase desistindo, resolvi atravessar a rua para ter outra visão. Deu certo, em dois minutos achamos o dito: já havíamos passado por ele algumas vezes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Giva! É como se chama o salão. Giva. Se fosse Diva, eu já teria o nome do livro. Fiquei com receio, a princípio. A coragem me abandona antes de entrevistas, depois eu me solto. Entramos, e o medo tremeu em minhas mãos. Expliquei o trabalho ao Marconi, a primeira pessoa a me atender. Ele aceitou de primeira. Não fez pergunta alguma, o que me deixou sem jeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao lado, em frente ao espelho, uma cabeleireira passava alguma coisa branca na cabeça de um homem. Os dois eram contemplados por um poodle magrelo e barulhento. No balcão, um homem/mulher olhava o Orkut por um notebook. A Karol, sentada em um pufe, mexia no celular. Eu, nervoso, ainda tentava explicar o livro ao Marconi. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente entrou um mendigo. Ele parou e, aos gritos, se dirigiu ao poodle: “Você está em choque, cadela? Diz, você está em choque?”. Em seguida, o homem passou uma das mãos na peruca loira de um manequim que estava na entrada. Ele desceu os dedos e apalpou com força os seios da boneca. A cena durou alguns segundos. Depois, se virando depressa, foi embora. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo continuou como se nada houvesse ocorrido...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-3589706687886638777?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/3589706687886638777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=3589706687886638777&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3589706687886638777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3589706687886638777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/03/13-de-marco-sabado-na-rua-augusta-sob-o.html' title='13 de março, sábado, na rua Augusta sob o sol forte'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-357285421856640496</id><published>2010-02-26T15:05:00.001-08:00</published><updated>2010-02-27T09:01:59.328-08:00</updated><title type='text'>Patinação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na folha branca, um mundo de possibilidades não-concretas, ideias incompletas: a crônica é uma construção do espírito e da mente. Preciso escrever, mas ainda estou incipiente. Sou um texto sem contexto. E&amp;nbsp;o que direi&amp;nbsp;sem nem mesmo conhecer? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você&amp;nbsp;e as imagens estão nas pontas dos meus&amp;nbsp;dedos, só me faltam as palavras: serão elas doces ou amargas? Grandes ou pequenas? Desfeitas ou enfeitadas? Que nada, minha crônica não sairá do lugar, pois eu continuo parado – inerte em um mundo de espera. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, quem me dera escrever algo bonito sobre você, garota. Mas, no final,&amp;nbsp;deslizo e sonho em círculos,&amp;nbsp;patino na pior das pistas: eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-357285421856640496?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/357285421856640496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=357285421856640496&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/357285421856640496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/357285421856640496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/02/patinacao.html' title='Patinação'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-4199007256271236747</id><published>2010-02-18T15:22:00.000-08:00</published><updated>2010-02-26T16:25:46.285-08:00</updated><title type='text'>Augusta e Mariana</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar de estreita como uma artéria, a rua Augusta tem um grande comprimento. Sua amplitude alcança extremos da cidade: do centro velho aos Jardins, do coração abandonado à amante de ocasião, do fino ouro à miséria do mendigo que me implora dez centavos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À noite, ando pela Augusta e me apaixono pelas miudezas: acontecimentos menores, minúsculos, que causam aqui, em mim, explosões da alma. São pequenas frações do minuto...menos, menos: ínfimos segundos que revelam o sabor imensurável da condição humana. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em um bar, por exemplo, dois homens jogam bilhar. Estão contentes por se acharem ali, alcoolizados de liberdade, e não juntos às esposas, que dormem em casa, provavelmente. Os dois homens riem, alegres, como se esse fosse o último riso – uma bola caída no buraco, um objeto-sentimento que nunca mais voltará à mesa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais acima, na esquina, duas garotas dormem escoradas em uma porta de ferro. Estão ancorada uma à outra: assim se sentem seguras, imagino. Seus rostos transmitem serenidade, transcendência ou, talvez, uma bebedeira. Para elas, descansar em uma rua de perigos não significa nada, pois uma tem a outra, eternamente enquanto durar o sono.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um amigo meu, o Renato, também está por aqui, na Augusta. Ele sobe a rua em direção à Paulista. Anda rápido, e parece fugir de algo. Está acompanhado&amp;nbsp;da namorada, a Érica. Enquanto caminham, os dois discutem: ela grita, ele grita, ela chora, ele vira as costas, ela chora mais, ele retorna, eles se beijam e se amam novamente. O amor é claustrofóbico, sinto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais alguns passos me levam a um grupo de pessoas. Nada melhor que estranhos para eu me descobrir melhor, penso. Com desconhecidos, atinjo o maior nível de sinceridade. Os estranhos são três garotas e um casal, que, como todo casal, não enxerga o resto do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma das garotas vomita o álcool da noite. Patrícia é o seu nome. Tento consolá-la com palavras doces, mas a bebida é mais amarga. Grito, pois ela está no outro mundo e não me ouve. Depois de jogar fora as impurezas, a Patrícia encosta a cabeça nos meus ombros e dorme o sono dos bons.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A outra garota se chama Bruna. É morena, alta e alegre. Fala bastante, talvez por ter bastante a falar. Parece-me meio inquieta, cheia de vontade de ir embora. Mas, de repente, ela me surpreende: quer beber mais uma tequila! Com o desânimo dos outros, ela desiste. Toca o telefone: é a sua mãe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por último, a Mariana, que deveria ser a primeira, pois foi com ela que puxei conversa. A Mariana tem um sorriso lindo, encantador...Seus cabelos, castanhos, voam com o vento forte da Augusta. Ela fala rápido e meio enrolado (ou talvez meus ouvidos que sejam lerdos demais). Me chama de amigo, como se nos conhecêssemos há alguns anos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Peço dois reais emprestados pra ela, pois perdi o meu dinheiro e os meus amigos, que já foram embora. Preciso pagar a passagem de volta. Ela procura nos bolsos duas moedas de um real. “Muito obrigado”, digo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No alto de um prédio um relógio marca cinco da manhã. Penso na noite: quantas coisas, situações, pessoas! Que demais. Mas vou embora, tudo bem? Até mais! Eu ficaria por aqui, sim, para sempre sentado na calçada...eterno enquanto durar o meu encanto: eu, a Augusta e a Mariana.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-4199007256271236747?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/4199007256271236747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=4199007256271236747&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4199007256271236747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4199007256271236747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/02/augusta-e-mariana.html' title='Augusta e Mariana'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-4594953102182904493</id><published>2010-02-06T12:15:00.000-08:00</published><updated>2010-02-09T11:18:07.375-08:00</updated><title type='text'>Impressão: Leandro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Felizmente, não nasci perfeito: meus olhos não são verdes nem azuis; minha cabeça é grande e meu corpo é pequeno; não tenho grandes músculos; minhas pernas são finas e meus dedos, grandes; eu tenho orelhas enormes e meu cabelo é enrolado; me enrolo com as garotas e me perco em desamores. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mordo o dedo quando estou ansioso; anseio coisas que não posso ter; tenho medo de dormir sozinho em casa; já chorei em eventos esportivos, como as Olimpíadas; às vezes amo clichês, como esse texto, por exemplo; adoro achar erros gramaticais em textos alheios e odeio quando os acham nos meus; sou arrogante, egocêntrico e idiota. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desconfio dos mendigos que me pedem dinheiro, mas digo que simpatizo com eles; já fui comunista, capitalista e neoliberal; votei nulo nas últimas eleições; acredito na liberdade, mas me prendo em muitas coisas...muitas mesmo; quero fugir, sair por aí, andar pelo mundo...mas quando vou à praia sinto muita saudade da minha mãe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falo sobre qualquer assunto nos três primeiros minutos da conversa, mas passo boa parte do tempo pedindo desculpas; sou culpado pelo desaparecimento da minha cachorra, pois deixei o portão aberto e ela foi embora; nunca desabafei com ninguém; acho que escrevo bem e depois acho que escrevo mal. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acredito no amor, mas de verdade&amp;nbsp;nunca amei alguém; chorei diversas vezes por uma garota, mas não senti nada quando ela chorou por mim; relembro o passado pra esquecer o presente; o futuro, ah!, eu nem penso; ontem me apaixonei pela Mariana, anteontem, pela Camila, no domingo, não lembro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou assim mesmo: falo muito de mim, mas no fundo não sei nada. Sou uma sensação, uma impressão qualquer. Talvez amanhã eu mude de novo, entendeu?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-4594953102182904493?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/4594953102182904493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=4594953102182904493&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4594953102182904493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4594953102182904493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/02/impressao-leandro.html' title='Impressão: Leandro'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-4922654056557738697</id><published>2010-01-27T20:02:00.001-08:00</published><updated>2010-01-29T14:51:30.489-08:00</updated><title type='text'>Notícia menor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há treze anos, eu estava na primeira série do ensino fundamental. Em 2010, vou para o último ano na faculdade e, por incrível que pareça, ainda me lembro de muitos detalhes daquele período em que o mundo era muito maior do que hoje. A minha classe, por exemplo, era gigantesca, enorme mesmo; nas paredes, o planeta inteiro estava grudado em mapas de papel. A Áustria e a Líbia eram ali do lado, assim como os Estados Unidos, que estavam ao alcance de minhas mãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para lembrar alguns amigos: estudavam comigo o Luciano, o Cristiano, a Suelen, a Jaqueline, o Michel, o Ivan, o Renato, a Camila e a outra Camila (que tinha o carinhoso apelido de “Ó”). A professora era a senhorita Mirian, uma moça gordinha mas amorosa, que faltava à aula constantemente por conta de uma doença nas cordas vocais: a tristeza caía forte sobre nós quando ela não comparecia; voltávamos cabisbaixos para casa, com a mochila nas costa e a saudade transbordando pelos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele ano mesmo, eu e o Luciano decidimos pelo jornalismo. Nós editávamos um glorioso e aventureiro jornalzinho, cujo nome não me lembro. Eu era o responsável pela cobertura do nordeste, de modo que percorri o sertão inteiro em busca de notícias bombásticas e calamitosas, mas encontrei apenas a triste história de um boi solitário que fora atropelado por um carro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo-me também de um caso totalmente inusitado que aconteceu comigo naquele ano. Se fosse permitido ao repórter contar suas próprias histórias no jornal, essa entraria em uma edição do nosso periódico infantil. Creio que o leitor, o antigo ou de agora, não veja muito interesse no fato; reconheço a inutilidade&amp;nbsp;e a falta de cabimento do episódio. Mesmo assim, vamos a ele.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Eu, ansioso por aprender, resolvi apontar o lápis sozinho, sem a ajuda providencial da professora Mirian. É claro que sempre fui corajoso, por isso decidi não usar o famigerado apontador, mas sim um perigoso estilete que acompanhava o meu estojo. Resultado: cortei o polegar. Não foi um simples corte, não! Era um corte enorme, uma fenda no meio do pequeno dedo; parecia um vulcão: o mesmo vulcão que a minha professora tinha me mostrado naquele mesmo dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que metade do sangue do meu corpo foi embora naquele dia. Simplesmente se derramou na pia do banheiro dos meninos. Hoje, depois de tantos anos, creio que aquele líquido vermelho poderia ter salvado algumas vidas no hemocentro ou, quem sabe, ter sido doado a algum laboratório de pesquisa do sangue de crianças idiotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, chegando em casa, fiquei com um medo terrível de minha mãe brigar comigo por causa do corte. "Onde já se viu? Com esse dedo pela metade você não vai mais poder fazer a lição de casa", eu imaginava seus gritos. Então, eu escondi o dedo. Sim, coloquei-o no meio da mão, bem protegido pela palma e também pelos outros dedos, responsáveis pela guarda. Daquele dedo cortado minha mãe não chegaria perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei uns cinco dias assim, com o dedo escondido e seguro. Acontece que o dedo não sarava. Continuava lá, parado, mortinho da silva, despejando sangue aos montes. Não sabia o que fazer, afinal de contas, eu ainda era novo para procurar um médico. E será que existia algum médico apenas para os dedos? A aflição me afogava: será que meu dedo ficaria daquele jeito para sempre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, não. Um dia eu acordei bem cedo. Minha mãe, esperta, estava ao meu lado. Não deu tempo de esconder o dedo novamente. “Você está com algum problema no dedo? Ontem você estava segurando ele sem parar?”, ela perguntou. Não havia saída: tive que mostrar o dedo pra ela. Mas aí aconteceu o milagre. Não havia mais corte, nem pedaços de pele. Não havia sangue. Meu polegar estava perfeito, sem corte nem cicatriz. “Eu, segurando o dedo? Como assim, mãe?”, perguntei. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-4922654056557738697?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/4922654056557738697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=4922654056557738697&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4922654056557738697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4922654056557738697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/01/cortei-o-dedo-e-nao-virei-noticia.html' title='Notícia menor'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-7949670435419737295</id><published>2010-01-22T15:29:00.000-08:00</published><updated>2010-01-22T19:44:38.426-08:00</updated><title type='text'>Eu, eufórico</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O copo, cheio de chope e de energia, flutua no espaço vazio e vai parar justamente em minhas mãos inseguras. Seguro o copo, feliz por saber que ainda existem pessoas dispostas a vender o sagrado elixir da discórdia. Bebo aquele líquido leve como se fosse água; talvez seja mesmo água, pois não mais sinto o gosto amargo do álcool. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olho em volta: o ambiente transborda calor e pessoas. Muitas pessoas. Algumas falam alto, outras cantam, gesticulam; um homem barbudo briga com o segurança; uma garota bonita me parece perdida, ali sentada no canto; olha o encanto daquela morena: não a conheço de algum lugar? &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Luciano e o Adhemar debatem o último jogo do futebol americano. O Dallas superou o New York Dolls por 24 a 12, eu ouço um deles dizer. Quantos gols, penso: aqui no Brasil não temos um placar desses. “O futebol americano não tem gol”, alguém me alerta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caminho um pouco entre as mesas. O Sato e a Ludymila estão em uma delas. Conversam filosoficamente. Analisam a vida, imagino, pois há tanto a desvendar nesses corações amargurados...A Ludymila demonstra um ar sonhador: está apaixonada pelo Luciano, obviamente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos tropeços, eu peço mais um copo ao garçom, que me retribui com a costumeira gentileza. Os garçons sofrem mais que os bêbados, pois cabe a eles alimentar o desamor humano; por suas mãos passa a energia que vai derramar uma lágrima, criar uma briga, um fora, uma tristeza.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu ando mais, e mais...procuro um local onde guardar a minha ansiedade. A Bruna, sentada perto da parede, gargalha ao ouvir uma piada do Vinicius. Tento lembrar algo engraçado para agradá-la também, mas os seus olhos puxados fogem de mim e vão a um ponto onde não posso alcançá-los. “Bruna, se eu não estivesse bêbado...”, digo, e escondo o sentimento. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O nível alcoólico está lá nas alturas, bem acima da minha cabeça, que, por sua vez, gira. Gira. Gira. Penso nas palavras. Quando estou bêbado, as palavras me vêm claras e limpas. Abutre, sobrancelha, inexorável, exeqüível, frenesi. Como são bonitas as palavras, são lindas de morrer...eu poderia escrever um poema agora mesmo, nesse instante...seria um poema sublime, um poema cheio de alegria e de amor. Se não fosse um poema, eu faria um lindo romance; um romance, é, um romance insuperável, pois ninguém, nenhuma pessoa nesse mundo feliz, nem você, leitor, nem ninguém...Ninguém pode amar mais do que eu nesse momento de euforia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-7949670435419737295?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/7949670435419737295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=7949670435419737295&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7949670435419737295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7949670435419737295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/01/eu-euforico.html' title='Eu, eufórico'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-3021740742483693479</id><published>2010-01-15T13:15:00.000-08:00</published><updated>2010-01-15T18:13:56.634-08:00</updated><title type='text'>Microlembranças do medo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;1) “&lt;/b&gt;Mãe, tem um soldado no guarda-roupa”, eu disse, atônico. Inconsolável, eu tremia depois de acordar de um sonho ruim; não lembro do pesadelo, mas sim da sensação de medo ao abrir os olhos. Eu tinha (e ainda tenho) a certeza que ali dentro, no meio das roupas e da poeira, um soldado contava os minutos para me matar, para engolir o meu cérebro e sugar todos os sonhos bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;2)&lt;/b&gt; A casa não passava de um cômodo minúsculo. A cozinha, o quarto e a sala se dividiam dentro do mesmo caos; os móveis, antigos, brigavam entre si, lutavam por um pequeno espaço no piso vermelho de cera: a cama estava ao lado da geladeira e o guarda-roupa era vizinho do fogão. O meu medo se confundia com a luz fraca, uma luz que brilhava cansada. Nas paredes, uma tonalidade verde anunciava uma esperança que eu não tinha. Comecei a chorar. Uma largatixa muito pálida caiu em minha perna. Até hoje odeio largatixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;3)&lt;/b&gt; Ouvi um estalo e me enchi de temor...Mais um estrondo cortou o meu ouvido e balançou a casa. E mais um e mais um e mais um... Por cinco segundos houve o silêncio. Um silêncio nascido nas catacumbas do medo. Pensei que acabara a confusão, mas explodiram mais dois tiros. Era a morte, sim: uma morte barulhenta, que não deixava ninguém falar...Devia haver um morto, afinal. Curioso, fui pra rua alguns minutos depois. Lá estava o corpo, caído com seis tiros na cabeça. Ele ainda respirava alto: sugava os últimos ares da vida. Cheguei bem perto, a centímetros do rosto coberto de sangue. Ele não me viu, pois não havia mais nada para ver.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-3021740742483693479?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/3021740742483693479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=3021740742483693479&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3021740742483693479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3021740742483693479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/01/microlembrancas-do-medo.html' title='Microlembranças do medo'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-2848003058218363500</id><published>2010-01-09T07:41:00.000-08:00</published><updated>2010-01-09T12:28:35.759-08:00</updated><title type='text'>Talvez</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O salto alto produz um barulhinho característico ao tocar o solo: um clique, um estrondo abafado pela inconstância do chão. Calçando uma plataforma de doze centímetros, a loira caminha, andando rápido: leva nas pernas uma pressa desconhecida; talvez fuja de alguém, sei lá, talvez corra atrás da vida. De onde vem ela eu não sei, não sei aonde vai também.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O salto continua a produzir o clique enjoado. A loira anda carregada, pois a alma lhe pesa nas costas. O contorno dos olhos revela que chorou nas últimas horas: talvez tenha perdido um amor, um namoro, uma possibilidade...Para mim, perder uma impossibilidade é pior. Talvez eu ame mais o impossível. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela dá mais alguns passos e para exatamente no ponto de ônibus onde estou. “Que loira!”, concluo, infeliz da vida. Olho para ela, que por instinto retribui o gesto. “Que simpática!”, penso, e por um momento acredito em anjos. A loira, por sua vez, se vira para encarar os coletivos que chegam aos montes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem mais nem menos ela se embaralha no salto, tropeça e cai de joelhos no chão. “Posso ajudar?”, pergunta um garoto, feliz com a eficiência do salto. A loira balança a cabeça. “Claro”, diz. O rapaz segura sua mão e a levanta. Imagino uma cantada brega para o momento: o garoto, sorrindo, poderia muito bem dizer “posso te levantar até o céu, se quiser”. A loira responderia, prontamente: “Sabe, também posso te levantar ao céu”. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca fui bom em cantadas. Aliás, tenho certa desconfiança do ato. Frases feitas me incomodam profundamente. “Eu te amo”, por exemplo, é a maior das frases feitas. Quem a criou, não sei: talvez Adão, quando ficou sem falas melhores para dizer à Eva. É claro, não vou mentir: tenho minhas frases feitas, mas sou um fiel seguidor do acaso e da eventualidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mecanicamente, a loira dispensa o rapaz. Sorri, apenas. Não há armas contra o sorriso, penso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Duas garotas, ali encostadas no muro pichado, observam-na. “Que loira!”, diz a menor. “Não sei, ela me parece perdida”, reflete a outra. Afinal não são todas perdidas, as loiras? “Vocês podem me ajudar?”, pergunta a loira às garotas, que confirmam com a cabeça. Infelizmente não entendo o pedido. Talvez a loira, cansada, admitisse: “Que droga, briguei com meu namorado, quero esquecê-lo”. E uma das garotas responderia: “E eu com isso, minha filha? O amor é solitário, porra!”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu ônibus passa, e eu o deixo passar: mais uns minutinhos ao lado da loira não caem mal. Ela se vira e olha diretamente para mim. Logo imagino uma declaração de amor: “Olha, eu nem te conheço, mas te achei lindo. É Leandro o seu nome, né?”. Talvez queira apenas falar mal do ex-namorado: “Leandro, ele me traiu 489 vezes”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela continua a me olhar.&amp;nbsp;Se aproxima mais. Fico intrigado:&amp;nbsp;o que quer?&amp;nbsp;Essa mulher tornou-se uma dúvida para mim, um talvez..."Talvez você possa me ajudar...Você sabe qual ônibus eu pego para chegar a Santana?", ela me pergunta, e sorri.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez eu soubesse, mas esqueci.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-2848003058218363500?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/2848003058218363500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=2848003058218363500&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2848003058218363500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2848003058218363500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/01/talvez.html' title='Talvez'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-2413366721128245908</id><published>2010-01-02T10:22:00.000-08:00</published><updated>2010-01-16T07:52:53.280-08:00</updated><title type='text'>O gato e a guerra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A noite baixou; o calor era sufocante. Eu não conseguia dormir, muito menos ficar acordado: eu entrara naquele dilema entre o sono e o desconforto. Fui à sala e tomei uma água gelada para refrescar o corpo (e o espírito). Me sentei no sofá...Esperei algo novo acontecer (ora, um acontecimento já é novo, não? Há pleonasmo na frase?).&amp;nbsp; Não sei. Eu sei: dificilmente algo ocorre em uma madrugada em casa. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O silêncio só era quebrado pelo som dos automóveis; poucos, é verdade, mas constantes e cortantes. Pensei em voltar à cama... De repente ouço um miado. Fraco, mas contumaz miado. Um miado baixinho, singelo, infantil, até. Ele estava perto, logo ali talvez, do outro lado da parede, no quintal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A essa altura minha imaginação ia longe. Um gato entrara em casa a fim de me perturbar o sono. Gatos adoram atrapalhar sonos alheios, pois eles mesmos (os gatos) nunca dormem. Eles fingem, sim, se fazem de quietos, de mortos, mas estão a nos observar: logo revelarão os nossos segredos aos monstros que vão aparecer em 2012. Aí, amigo, danou-se: seremos escravizados pelos monstros e seus gatos seguidores; quem não falar miado será assassinado; e os outros humanos, mais capazes, sobreviverão, mas nunca mais vão dormir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assustado, acordei do devaneio. O miado lá fora continuava. Que droga! Agora que não ia mais dormir. Fui ao quintal a fim de calar o gato. “Cale-se”, eu gritei. “Miau”, respondeu ele. São teimosos mesmos, os gatos. Finalmente o vi entre algumas plantas. Era minúsculo, um filhote. Tinha um pequeno laço vermelho no pescoço. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me enganei: aquele ser deveria ser posto na rua, senão nunca mais eu dormiria. E, afinal, eu já tenho um cachorro doméstico. Não preciso de gatos nem eles precisam de mim. A solução? Abri o portão, fui até a casa ao lado e coloquei o gato no quintal do vizinho. Fim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltei para cama. Cinco minutos depois o miado retornou, mais singelo, clemente, até. “Esse gato não me esquece? Será que entrou em casa de novo? Mas tudo bem, vou deixá-lo lá. Amanhã decido o que fazer”, pensei, e fui finalmente me dedicar aos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu dormia quando ouvi latidos ferozes. Aliás, me pareceram latidos asmáticos, como se os cachorros fumassem há anos. Fui correndo à janela da sala. Olhei. O gatinho, encostado do lado de fora do portão, estava encurralado por dois cachorros de rua. Eles latiam furiosamente, desejando a carne do felino entre os dentes. E o gatinho, coitado, tremia de medo: encolhido, não tinha aonde ir, pois não conseguia entrar no meu quintal, muito menos encontrar uma rota de fuga pela rua. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei a observar a cena, curioso. Assim mesmo, passivo, contemplando a batalha sangrenta. É incrível o fascínio da guerra, não? Torcia pelo gato, claro; ele é fraco e indefeso, pois. Os cães, ao contrário, são cruéis, mas reconheci que estavam apenas fazendo o trabalho deles. Que droga, eu nem gosto da guerra, cara. Só quero comer um hambúrguer e dormir em paz, sem questionamentos difíceis. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A briga continuou. Eu não sabia o que fazer, incapaz de reação. Lentamente, um rapaz, que puxava uma caçamba de lixo, parou em frente ao portão. Ele olhou a cena, intrigado. “Que covardia é essa?”, gritou. Pegou o gatinho com as mãos, guardou-o na caçamba e foi embora. Os cachorros perderam o alvo; eu, a noite.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-2413366721128245908?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/2413366721128245908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=2413366721128245908&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2413366721128245908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2413366721128245908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2010/01/o-gato-e-guerra.html' title='O gato e a guerra'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-1914458296655068699</id><published>2009-12-26T15:08:00.000-08:00</published><updated>2009-12-26T21:02:52.591-08:00</updated><title type='text'>Sobre a noite e o ano</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1) &lt;/span&gt;Nos aproximamos do bar, cambaleando. A noite nem cobriu o céu e já filosofamos sobre o amor. As mesas do bar estão postas no lado de fora, de modo a contemplar o frescor da lua e das pessoas. Vou ao balcão. Penso no trabalho dos garçons. “Deus, como sofrem”. Do lado de fora o meu amigo conversa com dois homens e uma garota bonita. Imaginei que ela fosse modelo pela finura do corpo e a beleza do rosto. Chego mais perto para participar da conversa. “Sou do interior, moro numa república”, ela diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2) &lt;/span&gt;Andamos pela avenida, que nesta noite recebe muita gente. Talvez turistas, não sei: felizmente não descubro a origem de uma pessoa pela cara. Olho para o lado: um garoto tem um saco na mão. “Baixinho, me dá uma moeda para eu me drogar”, ele pede. Não sei quem é o baixinho, afinal ele é bem menor que eu. O que responder? A causa brasileira me é um dilema. Torto, o meu amigo grita: “Sabe qual é o nosso problema, cara? É que a gente ama demais as mulheres, porra!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3)&lt;/span&gt; Nos sentamos na calçada em frente a uma farmácia. Pensei em comprar um remédio que cure a dor de cabeça. O meu amigo deita e dorme no chão: tento imaginar o que ele sonha, pois o sorriso continua na boca. Arranho um Los Hermanos, sozinho. Creio que Los Hermanos deva ser cantado assim: sozinho. Ouço um carro se aproximar. Uma mulher desce e entra na farmácia. Quando volta, olha o meu amigo. “Ele bebeu bastante, né? Tá certo, tem que beber mesmo: esse ano foi uma merda!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz ano novo!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-1914458296655068699?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/1914458296655068699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=1914458296655068699&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1914458296655068699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1914458296655068699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/12/sobre-noite-e-o-ano.html' title='Sobre a noite e o ano'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-69163339588906035</id><published>2009-12-11T11:51:00.000-08:00</published><updated>2010-01-12T14:40:53.400-08:00</updated><title type='text'>Olha a chuva!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As primeiras gotas caíram ralas, às quinze horas e trinta minutos. O vendedor de balas, que fazia ponto na calçada junta ao córrego, gritou: “Olha chuva!”. Todos levantaram as cabeças ao céu e viram o negrume das nuvens que cobriam a cidade: a calmaria se esvaiu juntamente com a poeira do asfalto. O chão preto ganhou nova textura, estava liso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na praça, um senhor deixou de lado as pedras do dominó. “Vai molhar a roupa no varal”, disse, e logo saiu correndo. Os demais velhos não compartilharam o medo e foram se esconder num açougue do outro lado da rua. “No meu tempo, não chovia tanto assim...”, lembrou um senhor, perspicaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vendedor de balas guardou um pacote no bolso traseiro; em seguida tirou, não se sabe de onde, um enorme saco de guarda-chuvas: alguns eram coloridos, outros, de bolinhas amarelas sobre o fundo negro.“Olha o guarda-chuva!”, anunciou, aumentando o tom da voz por conta do estrondo das águas, que caíam forte. Uma grã-fina quis saber quanto custava um: havia esquecido o dela em casa. “Chove muito por aqui, não?”, disse, mexendo nos cabelos, que já ganhavam nova forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um barulho esquisito cortou o ar: dois carros se chocaram em frente ao açougue. Os motoristas, enfurecidos, saíram dos automóveis e mancharam de água as suas camisas engomadas. “Você não sabe brecar?”, perguntou o primeiro, raivoso. “Eu sei, você que breca demais”, retrucou o segundo, com raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua ao lado, o senhor do varal desistiu de correr, pois se lembrou da esposa, que estava em casa e, provavelmente, já salvara as roupas da aguaceira. “A chuva logo passa”, disse a si mesmo, convencido que retornaria ao dominó. Ao caminhar, ele escorregou no piso molhado e torceu um pé. Retorcendo-se de dor, pegou o celular para ligar à ambulância. “O pior da chuva é o mundo que cai com ela”, lamentou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grã-fina arrumava os cabelos quando a água do córrego inundado lhe molhou os sapatos. “Credo!”, disse, com nojo do líquido barrento que cobria seus pés. “Eu não sabia que isso aqui alaga, moço”. O moço era o vendedor de guarda-chuvas. “Ninguém nunca sabe. Toda vez que inunda é uma surpresa”, respondeu ele, mostrando os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No açougue, os velhos lançavam conversa fora quando os motoristas acidentados trocaram socos. “Você sabe o quanto vai custar isso aqui?”, perguntou um deles – não se sabe qual –, apontando para uma parte amassada do veículo. De repente ouviram a sirene de uma viatura da polícia. “É melhor ir embora. Anota aí o meu telefone”, sugeriram ambos, parando a luta imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O temporal diminuía aos poucos. Sentindo os pingos menores, o senhor caído levantou: estava bem, sem dor, e nada de ambulância! Os velhos do açougue retornaram à paz da praça, e à guerra do dominó. A grã-fina tirava os sapatos encharcados quando seu táxi chegou. Depois ela percebeu, espantada pela má sorte, que não tinha dinheiro para pagar a corrida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vendedor ainda segurava os guarda-chuvas enquanto caíam os últimos pingos. Pensou em voltar às balas. Parou um instante...Depois se virou ao céu: entre as nuvens, um raio de luz iluminava a cidade. “Olha o sol! Vai uma sombrinha aí, dona?”, gritou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-69163339588906035?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/69163339588906035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=69163339588906035&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/69163339588906035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/69163339588906035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/12/olha-chuva.html' title='Olha a chuva!'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-2424175645761618918</id><published>2009-12-03T13:40:00.000-08:00</published><updated>2009-12-04T12:49:30.469-08:00</updated><title type='text'>A velha cadeira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Do mesmo modo que os pais não entendem a juventude dos filhos, chega uma hora, depois da mudança dos anos, que os filhos também não entendem a velhice dos pais. Esse foi o pensamento de Daniel ao ver sua mãe sentada numa velha cadeira, um assento antigo, tão remoído pelo tempo, que ninguém tinha a melhor ideia à qual geração pertencia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel observou de longe as longas rugas da mãe. A esmo, calculou quantos seriam os anos até que a pele enrugada dela se transferisse para ele. Aos 30, não se imaginava velho, mas reconhecia que, quando jovem, também não se via adulto. A juventude é uma estrada reta; a velhice, uma rua cheia de curvas e postes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua mãe, ali descansando os anos na cadeira, conhecia todos os segredos da existência de Daniel. Porém, ele, como todos os filhos, nunca chegou a conhecer por inteiro a pessoa que lhe jogou no mundo. A cada momento de sua vida uma faceta da mãe era revelada, uma recordação escondida era lançada fora. Daniel se lembrara da surpresa que sentiu ao saber que sua mãe era fã do Chacrinha; que ela, desejosa de aventura, certa vez viajou de moto às Minas Gerais; que sua amada mãe, sempre contida nos sentimentos, já sofrera por um amor perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As brigas com ela, Daniel recordava sempre. Mesmo contrariado em admitir que, sim, fora estúpido algumas vezes, ele até achava graça nas discussões intermináveis por um pedaço de bife. Foram tão malucas aquelas gritarias por um lençol rasgado ou pela louça não lavada. Olhando-a agora, sentada, Daniel ressentiu-se por ter dito certa vez, com raiva na voz, que nada de bom aprendera com ela. Os filhos são quadros pintados pelos pais; depois os pais descansam e deixam os filhos criarem suas próprias pinturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel imaginou no que sua mãe estaria pensando naquele momento. Os verdes e velhos olhos daquela senhora talvez tentassem encontrar no vazio alguma esperança de vencer o tempo. Daniel, ressabiado, concluiu que sua mãe conversava sozinha sobre a morte, sobre como seria o fim de seus anos, o último dos dias, em que lugar renasceria. Como é difícil entender os velhos, pensou. Por que o fim agora, mãe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A curiosidade o arranhava, mas a prudência de tocar no assunto fatal era mais forte e o mantinha preso. Sua mãe viajava através dos olhos, perdida em divagações. Devagar, Daniel chegou mais perto da cadeira. Enfim, encarando o receio, perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– No que a senhora está pensando, mãe?&lt;br /&gt;– Em nada importante, meu filho. Estou apenas lembrando do meu primeiro beijo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-2424175645761618918?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/2424175645761618918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=2424175645761618918&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2424175645761618918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2424175645761618918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/12/velha-cadeira.html' title='A velha cadeira'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-1688022751600777004</id><published>2009-12-01T15:39:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T14:51:38.016-08:00</updated><title type='text'>Garotas cruéis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As três garotas entraram, olharam ao redor e decidiram se sentar ali mesmo, no chão, desprezando todos os bancos vazios daquele metrô. Não lembraram elas que a oportunidade de viajar no conforto de um banco não é para qualquer um. O fato deve ser comemorado com peito estufado e uma boa leitura nas mãos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas não, a três garotas preferiram o frio e a dureza do chão preto. Lá embaixo, longe da visão dos outros, elas conversaram, riram-se, trocaram confidências amorosas, soluçaram paixões adolescentes e desprezaram a tediosa tarde das pessoas que, diferentemente delas, procuravam felicidade nesse mundo de Deus. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto elas falavam, alheias a tudo, reparei em cada uma, imaginei o por que de estarem ali. Talvez voltassem da escola, sei lá, talvez estivessem viajando a algum lugar, ou a lugar algum. Possivelmente, elas acordaram cedo e resolveram exibir seus perfis alegres por aí, causando inveja nos idiotas que ainda se preocupam com as responsabilidades e infelicidades do trabalho (e da vida). Não há nada mais deprimente que ver nos outros a felicidade que não se enxerga em si próprio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma das garotas era uma loira de cabelo curto. Aquele curto que migra entre o masculino e o feminismo. Lindo, intrigante e instigante. O mistério das loiras mora em seus cabelos, naturais ou não. Ela vestia uma calça preta, uma sandália roxa e uma camiseta branca onde se lia: “Drink like a man”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A outra garota sentada no chão era mestiça. Em seus olhos puxados, uma mistura de culturas. No oriente de seu corpo, viajei feliz ao Japão, voei em seus campos de trigo, imaginei conversas com gueixas e samurais centenários. Do outro lado do mundo, aquela linda garota usava All Star e camisa de banda de rock. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por fim, a terceira integrante do grupo era morena de olhos azuis. O mistério das morenas está na conquista: quanto tempo demora a nos apaixonarmos por elas? A morena sorria, feliz por estar ali, sem saber que também estava aqui, em mim. Olhava para as amigas e se achava nelas. Magrinha, mas esbanjando presença, ela era a mais bonita das três. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Durante um longo período eu as observei, absorto. Somos enormes nos sonhos e tão pequenos em pesadelos...complicado mesmo é acordar e nos descobrirmos do tamanho real. A realidade dói, a infelicidade destrói...Garotas cruéis essas três no chão do metrô. Felizes e cruéis. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-1688022751600777004?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/1688022751600777004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=1688022751600777004&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1688022751600777004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1688022751600777004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/12/garotas-crueis.html' title='Garotas cruéis'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-3562772348454684194</id><published>2009-11-14T12:53:00.000-08:00</published><updated>2009-11-21T18:06:30.382-08:00</updated><title type='text'>Eu acredito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É incrível a capacidade das pessoas em acreditar. Eu, por exemplo, acredito em muitas coisas: ciência, psicanálise, teoria da conspiração e da inspiração; acredito na minha mãe, no meu cachorro e nos meus amigos; acredito em vida alienígena, em monstros no oceano, em sereias na piscina; acredito nas mulheres que não me amaram a vida inteira, mas sim por um eterno beijo de um minuto no canto do bar; acredito na grandeza do amor, mesmo sabendo que um amor só é grande quando acaba; acredito nas breves paixões do metrô, que, de tão rápidas, me encontram no Paraíso e me deixam sozinho na Consolação; acredito em Deus, sim... quer dizer, talvez Deus que não acredite muito em mim; acredito no presente, pois ele é mais bonito que o passado que não vi e mais real que o tempo que advir; acredito em poemas que não entendo, em luzes que não vejo, em sonhos que não sonho; acredito nas viagens que fiz e naquelas que nunca vou fazer; acredito nas mulheres, mesmo desacreditando depois; acredito em mim, porém às vezes invento verdades para me confortar; acredito no silêncio, pois é nele que me escondo quando não tenho mais nada pra falar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-3562772348454684194?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/3562772348454684194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=3562772348454684194&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3562772348454684194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3562772348454684194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/11/eu-acredito.html' title='Eu acredito'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-8884701377934874411</id><published>2009-10-30T16:50:00.000-07:00</published><updated>2009-11-06T10:23:58.906-08:00</updated><title type='text'>Elas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Marcela &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela é doce como brigadeiro, mas é capaz de ficar tão amarga quanto o agrião. Marcela coleciona luz, ou seja, é fotógrafa. Ela aponta sua &lt;em&gt;Cyber&lt;/em&gt; &lt;em&gt;shot&lt;/em&gt; para o alto e prende as nuvens com formatos estranhos. Já capturou nuvem passarinho, nuvem coração, nuvem peixe e nuvem tristeza. Para Marcela, o céu tem humor: quando ele fica zangado, manda litros de água abaixo; na felicidade, o céu se mancha de azul, cola no chão e conversa com alguma árvore faladeira. Marcela acredita no amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gabriela&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ela dorme à tarde, estuda de manhã e sonha à noite. Gabriela já sonhou que era muitas coisas: um passarinho, uma nuvem e um peixe. A moça quer ser aeromoça, pois deseja que o céu mande alguém para lhe roubar o coração. Gabriela não bebe água, mas se alimenta de luz, pois clareia o pensamento, segundo ela. Se pudesse escolher uma outra forma para o corpo, a garota seria uma árvore, ou talvez um brigadeiro. Nunca agrião. Gabriela acredita em felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Isabela&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ela viajou para muitos lugares no próprio corpo. Percorreu os caminhos do coração, nadou como um peixe pelo o humor e pingou no rio dos sonhos. Isabela deseja conhecer os outros: vai ser médica. Nunca rezou ao céu, pois nele só enxerga nuvens. Se pudesse mudar duas coisas no mundo, faria o brigadeiro menos doce e a noite mais escura. Isabela dormiu três dias seguidos quando lhe contaram que o amor tem um formato estranho: é um passarinho que voa para longe quando mais o chamamos para chão. Isabela acredita na tristeza. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-8884701377934874411?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/8884701377934874411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=8884701377934874411&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8884701377934874411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8884701377934874411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/10/elas.html' title='Elas'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-959302310747209483</id><published>2009-10-28T13:49:00.000-07:00</published><updated>2009-10-28T14:06:48.530-07:00</updated><title type='text'>Cooperifa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Não! Ali não pode estacionar...é o ponto de ônibus”, alguém gritou de dentro do Bar do Zé Batidão, orientando o local onde os veículos visitantes deveriam ficar. “Você pode deixar o carro ali embaixo, assim fica mais fácil para quando vocês forem embora”, aconselhou. Ir embora? Não, não, impossível. Sair da Cooperifa é tão difícil quanto chegar. Ninguém vai embora de lá: talvez os corpos, sim, mas transformados, com certeza. O coração e a alma ficam naquelas mesas para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sarau Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia) acontece todas as quartas-feiras, no Jardim Guarujá, lá quase perto da lua, tantas vezes cortejada. Como diz o poema de Sérgio Vaz, “no cume do subidão do piraporinha, perto das nuvens e longe da superfície, terreno fértil para o plantio de poemas e poetas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Sarau da Cooperifa você vai encontrar: cinco grandes fileiras de mesas de plástico vermelho (e mais algumas mesinhas solitárias, para o caso de o poeta não ter amigos); garrafas de cerveja que causam hipotermia em mãos e gargantas desavisadas; escondidinho de carne seca, tão cheiroso que dá vontade de declará-lo amor eterno; dois banheiros; uma árvore conservada no meio do bar, que se tivesse voz, também faria poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no Sarau da Cooperifa encontra-se principalmente: poesia e poetas. Poetas negros, poetas brancos e amarelos, poetas de cabelos grandes, curtos, enrolados. Poetas de peruca. Poetas jovens e velhos. Alguns poetas são cozinheiros, outros limpam com versos os prédios da classe média. Há poetas motoristas e poetas motoboys. Poetas alunos, ou professores, poetas que cantam rap...Assim, de poeta em poeta, a Cooperifa transforma as dificuldade cotidianas da periferia em rimas de alegria.  “Aqui todos são chamados de poetas”, diz Marcio Batista, que nas horas vagas é professor de educação física, mas tem a poesia como profissão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Só faltei ao Sarau três vezes: quando eu estava em um congresso, uma eu não consegui chegar a tempo e última foi quando meu filho quebrou o pé”, lembra Marcio, um dos mentores do grupo. “O Sérgio Vaz e eu andamos juntos desde moleque, ele me incentivou a começar a escrever. E hoje estou aqui, com nove livros publicados”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspirada na Semana de Arte Moderna de 1922, o primeiro encontro da Cooperifa reuniu cerca de 150 pessoas, entre elas, artistas de diversas áreas, como a literatura, a música e o teatro. “No começo, era um monte de poetas na calçada sem ter o que fazer. Depois o pessoal começou a se apresentar, recitar seus poemas”, diz Marcio. Nove anos depois, são mais de 400 pessoas por encontro. O Sarau, aliás, não é o único evento da turma: há também o “Cinema na Laje”, o “Ajoelhaço” (quando os homens se ajoelham em perdão às mulheres) e o “Poesia no Ar”, ideia de Sérgio Vaz, que colocou poemas em bexigas e as soltou pela cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de idealizador da Cooperifa, o poeta Sérgio Vaz, também conhecido como Colecionador de Pedras, é quase um puxador de samba. Vai ao palco, pega o microfone e incendeia o seu público para o espetáculo que vem a seguir. “Boa noite, povo lindo, povo inteligente! Na Cooperifa, o movimento cultural de periferia para periferia! Todo mundo aqui é bem-vindo: gente de todos os credos, cores e dores! É tudo nooossooooo!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às nove horas em ponto começam as apresentações, cuja única regra é: “silêncioooo”, o silêncio que todos escutam felizes. O vácuo só é invadido pelas vozes dos poetas, que recitam de diversas maneiras: alguns interpretam como atores de verdade, subindo em cadeiras e chamando o público a participar, outros leem com o swingado do rap ou do samba, tocado no cavaquinho e no coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Cooperifa, os assuntos fogem um do outro: em um momento é a violência ou a exclusão social sofrida pela periferia, no seguinte, o amor declarado pelo Seu Lourival, poeta de corpo, alma e peruca. Saudade, encontros, paixões e desencontros, morte, vida, tudo, tudo...todo o mundo cabe nas palavras de um poeta. “Eu não sabia, mas a poesia é que nos faz feliz”, canta Dengue, que pela primeira vez apresenta seus versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tem razão. Às onze horas, quando as cortinas se fecham no sarau, é impossível deixar de ser feliz. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-959302310747209483?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/959302310747209483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=959302310747209483&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/959302310747209483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/959302310747209483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/10/cooperifa.html' title='Cooperifa'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-4134858619825440586</id><published>2009-10-13T15:02:00.000-07:00</published><updated>2009-10-20T12:19:57.439-07:00</updated><title type='text'>A Luz nossa de cada dia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dário levanta seus olhos azuis para a imensa Luz que o cerca. Não vê nada. Quis o destino, ou a vontade daquele que disse “faz-se luz”, que Dário Emiliano seria cego desde o nascimento. Já se passaram 20 anos desde então. Quando não está com a esposa, o rapaz invade o espaço com a ajuda da bengala. É ela quem diz onde ele está: “Um lugar enorme, com muitas pessoas e luzes, me parece um tanto perigoso”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A destemida bengala acerta o alvo. Seu dono está no centro do saguão de entrada da mais importante estação de trem de São Paulo: Luz. Dário é apenas um entre as 280 mil pessoas que, segundo a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), passam diariamente por essa gigantesca estrutura de ferro, pedra e cimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A estação, inaugurada em 1901, conta a história recente da metrópole paulista. No início do século passado, os trens saiam carregados de sacos café. Atualmente, eles transportam pessoas, além de toda a pressa da cidade que não para nem para observar a si própria. Dentro da estação são milhões de histórias e conflitos a serem descobertos. Suas luzes iluminam rostos de todos os tipos e formas, de diferentes classes sociais, sonhos e esperanças. A Luz é uma metonímia do Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Do lado de fora, as nuvens negras mancham o céu com as incertezas que só uma chuva pode causar em São Paulo. Dário não vê, mas sente a tempestade se aproximar. Ele aguarda a esposa aparecer. “Acho que vou ligar para ela”, diz, com a voz tímida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As estagiárias&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando alguém percebeu, o homem já havia passado pela catraca com dois carrinhos lotados de guloseimas. Doces, balas, chicletes, salgados...“Você só pode entrar com um por vez”, grita Camila Santos, sorrindo tanto que nem parece estagiária. “Só vou abastecer a loja ali e já saio”, retruca o homem. Camila pensa... “Não, não pode, você sabe disso”. Essa discussão se repete a 11 meses, desde que Camila começou a organizar o entra e sai da estação. “Nós ganhamos 460 reais para agüentar esse cara, não é, Ana?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ana Paula, também estagiária, não ouve a amiga: está com tanto sono que sonha sem tirar os pés do chão. “É, é...”, resmunga. Ana acordou às 5h30 da madrugada, tomou café, pegou o ônibus para a escola, estudou, não almoçou, veio correndo para a Luz e (ufa!) agora sente um perfume de homem. “Lá vem você com esses cheiros estranhos”, diz Camila. “Esses dias eu senti cheiro de caldo Knorr”, conta Ana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Inseparáveis dentro da estação, as duas estagiárias decidiram percorrer trilhos diferentes no futuro. Não desejam trabalhar na CPTM para sempre. Enquanto dita quem pode passar pela catraca, Camila treina o seu sorriso aparelhado. Quer ser dentista. “Quando era pequena, eu fui ao consultório e achei tudo tão lindo”, lembra. Já Ana, séria, sentencia: “Vou ser psicóloga”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Ana, vamos almoçar, está na hora”, sugere Camila. “O que será que tem na marmita hoje?”, pergunta-se Ana, balançando os cabelos lisos. As garotas sobem a escada rolante aos pulos. Em seguida, atravessam uma das quatro plataformas da estação, rumo ao refeitório. Elas são observadas por Jesus, que a tudo contempla encostado em uma parede do outro lado da estação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seu Jesus&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Jesus Fernandes, 54 anos, não carrega uma cruz, mas sim uma pá e uma vassoura. É faxineiro dos trens. Quando encosta uma minhoca de ferro, ele entra, recolhe uma sujeira ou outra e retorna muro de observação. Em média, o faxineiro limpa 35 trens por dia em oito horas de trabalho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seu Jesus, como é conhecido pelos outros faxineiros, só tem grandeza no nome, pois dos pés à cabeça não mede um metro e cinqüenta. O bigode e o cabelo – ralos – carregam os fios brancos da idade e do sofrimento. “Minha ex-esposa me trocou por vendedor de papelão”, conta. “Depois ela matou o cara com um chá envenenado, sou a única testemunha”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desde então, esse pequeno homem de Feira de Santana (BA) não tem lar fixo. “Prefiro não falar onde moro”. Para Jesus, todos os lugares são iguais. Até a Estação Luz? “Sim, aqui os pombos também despejam uma tonelada de coco em cima da gente”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há 19 anos limpando estações e trens, Jesus quase não ouve mais os desejos de suas duas filhas. Ele está quase surdo. “Ninguém percebe, mas o barulho dos trens me tirou quase 100% da audição”. Por isso ele observa o mundo acontecer, sempre encostado em sua parede de observação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Passageiros&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em uma enorme sacola branca, Amaro Francisco Lima leva um casamento. Não o dele, mas o do afilhado Edmar, que no último sábado trocou alianças com a jovem Bruna. Coube a Amaro devolver o vestido e o terno dos noivos à loja “Center Noivas”, localizada em uma das entradas da Luz. Por isso, esse pernambucano espera passar a chuva que se anuncia grande. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Vim para São Paulo com 19 anos”, lembra Amaro. Hoje com 43, ele aprendeu que a metrópole, às vezes, promete sonhos, mas entrega sofrimento. “Trabalhava como segurança de um posto de gasolina no Jabaquara. Um dia, uns ladrões entraram e atiraram três vezes contra mim: um na barriga, um no intestino e o último no pulmão”. Amaro sobreviveu porque Deus lhe deu a vida, segundo ele. “No mesmo dia, um outro funcionário do posto levou um tiro no pulso e morreu”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Amaro, como muitos nordestinos, trouxe não só o sotaque e a força de trabalho para o maior centro comercial do País. Na mala, esses milhares de retirantes trazem a esperança de vencer. Os trens, que a todo minuto chegam e saem da Luz, estão cheios de pessoas como Amaro. Eles vieram da “periferia” do Brasil para o subúrbio de São Paulo. Melhoraram de vida? Talvez sim, mas para isso sentem diariamente os sofrimentos urbanos. Levam tiros para colocar gasolina nos carros da classe média. Se empurram e se espremem nos trens porque têm de limpar os prédios onde são feitos os negócios milionários. Eles entram nos trens porque necessitam comer, criar os filhos, viver melhor...precisam vencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Alves não é feito de saudades, mas sim de lembranças. Em uma câmera fotográfica, ele guarda a Luz para mostrar à eternidade. Anda pela estação e registra seus melhores ângulos, seus cantinhos centenários, seu aço trazido de navio. Carlos, turista dentro da própria cidade, conhece a história da São Paulo Railway, empresa detentora das linhas férreas do Estado por longos e ricos anos. Época do reinado do café. O ouro verde era tão poderoso que foi capaz de colocar no mapa do Brasil uma cidade até então colonial.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com 108 anos de idade, a Luz representa um resumo recente da história da maior cidade do País. Depois da abundância do café, que criou prédios e riqueza, a estação viu crescer ao seu redor uma metrópole sem planejamento algum. Os 240 mil habitantes, em 1900, se transformaram em 12 milhões, em 2009.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O ano de 1946 marcou a transformação da cidade. O fogo tomou conta da estação e levou com ele os trens carregados de café. Depois do famoso incêndio, as minhocas de ferro adquiram a função de levar ao centro a multidão vinda dos subúrbios. Em 2000, a obsoleta estação da Luz ganhou uma grande reforma estrutural. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Antes da reforma, as plataformas eram de madeira”, recorda Carlos. “Agora a Luz está linda, mas não sinto falta daqui nem de São Paulo”. Carlos fez o caminho contrário dos milhares de migrantes que chegam diariamente à cidade. Colocou na mala as roupas e os sonhos e foi morar em Lima, no Peru. Está lá há 10 anos e nem pensa no trem de retorno. Encontrou mais oportunidades lá do que em sua cidade natal. “Em Lima, dei muita sorte. Tenho uma agência de turismo para sul-americanos que desejam conhecer o nosso continente...Aliás, você já foi nos Andes?”, pergunta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O paulistano voltou a cidade para mostrar ao sócio peruano Jaime Queiroz a beleza à européia da estação, pois, afinal, a Luz é inglesa até nos parafusos. O peruano repara: “Isso tudo é muito lindo. Na Luz é possível encontrar vários tipos de expressões humanas: pessoas alegres, tristes, preocupadas...isso não existe em Lima”. Aportuguesando o espanhol, Jaime compara: “No Peru, as mulheres também não são tão bonitas”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aaah, agora uma saudade de Carlos é finalmente revelada. “É, lembrei...sinto falta de duas coisas de São Paulo: as mulheres e a pizza”. Mas qual das duas preciosidades traz mais saudosismo, Carlos? “Huumm, deixa-me pensar... A pizza!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O piano&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;“Amigo, toca mais uma pra gente”, grita alguém no saguão de entrada. Dário Emiliano, que começava a discar o número da esposa, para de repente. “Opa”, responde. Dário não enxerga com os olhos, mas suas mãos sabem exatamente o lugar das teclas de um piano. Ele caminha até o instrumento, se senta no banquinho e começa a exibir os seus dotes musicais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Colocado lá em 2008, como parte da programação da Mostra de Artes do SESC, o piano da Luz tornou-se símbolo da democracia. Pessoas de todos os tipos, gêneros, cores e dores, aparecem para ouvir ou mesmo tocar. Dário é um deles. “Toco desde os 10 anos, aprendi sozinho”, conta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O piano da Luz tem em suas teclas brancas algumas marcas negras, pois as mãos de João Carlos, o Joãozinho da Gaita, não são lavadas há alguns dias. O pianista (ou gaitista, como prefere) dorme logo ali, atrás de uma banca de jornal da Cracolândia. Ele acorda cedo e logo vem tocar suas músicas. “Sou artista de rua, tenho sangue cigano, gosto de tocar Roberto Carlos e vim atrás da minha esposa, que fugiu para São Paulo”, diz, sorrindo. Joãozinho é usuário de craque, mas prefere não tocar no assunto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já Rogério Santos, que apenas observa os outros tocar, não esconde. “Uso craque desde 1996”. Rogério também vive na Cracolândia, mas não se considera morador de rua: prefere ser chamado de andarilho. “Respiro a Luz, conheço tudo desse lugar, as prostitutas, os noias e principalmente a arquitetura, que me lembra a Inglaterra”, conta. Do país europeu, ele também conhece a língua. Aliás, não só fala inglês como também espanhol. Rogério só não gosta de poesia. “Não sei, acho os poemas muito fantasiosos, gosto mais da Clarice Lispector”, revela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Rogério pede dinheiro a quem passa. Tem mais moedas nas mãos que dentes na boca. “Sou pedinte”, define. Suas roupas são sujas e seus os olhos revelam dureza. É difícil olhar para ele. “A única esperança que tenho é a morte”, diz. Em seguida, volta a sua atenção para o piano, nas mãos sujas de Joãozinho da Gaita novamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entre uma nota e outra, o artista de rua canta: “Eu sou apenas um pedaço de alguééém...”. De repente, um trovão cala a todos. Vai chover daqui a pouco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Preferencial&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Camila e Ana Paula retornam do almoço às 16 horas. “Agora, vamos cuidar do preferencial, lá tudo é muito polêmico”, amedronta Camila. Nas estações mais movimentadas, como a Luz e o Brás, a CPTM reserva, no horário de pico, o primeiro vagão aos idosos, às crianças, às grávidas, às pessoas com deficiência ou com alguma doença grave. As estagiárias são as responsáveis por determinar quem se encaixa nessas condições. Elas são ofendidas, ouvem reclamações, gritos de passageiros inconformados, propostas de suborno, entre outras coisas. “Aqui, precisamos de duas mães: uma nossa e outra apenas pra ser xingada”, brinca Ana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O problema surge quando o primeiro vagão sai vazio, enquanto os outros vão lotados de pessoas espremidas. “Uma criança de três anos vai lá sentada e nós, que trabalhamos o dia inteiro, vamos em pé”, reclama uma passageira. Outro homem, com a mão na boca, pergunta: “Dor de dente passa para o preferencial também?” Nããããããooo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A plataforma enche em poucos minutos e o fluxo de trens não é capaz de carregar essa demanda. Cansados do trabalho, o que todos não desejam é encarar um vagão lotado a essa altura do dia. Por isso, muita gente tenta embarcar no conforto do preferencial mesmo sem estar dentro das especificações. “Você tem 59 anos, não pode passar”, Ana barra uma senhora. “Quando você tiver a minha idade, vai ver o que é bom, menina”, rebate a passageira, nervosa. Com a paciência dos psicólogos, Ana apenas sorri. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Por favor, você pode me dar o laudo médico”, pede Ana a um homem com cara de doente. “Espera aí”. O rapaz, já meio amarelo, tira o papel da carteira. “Donizete? Mas isso é nome de mulher”, retruca a estagiária. “Como assim, moça? Você está me estranhando? Meu nome é esse mesmo!”. Ana olha para o homem, desconfiada. “Aaaaah, me desculpe, achei que fosse nome de mulher”. O rapaz doente passa para o preferencial, vai confortável até seu destino final. Todos riem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mais um dia na Luz&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A Estação da Luz é um retrato da maior da cidade do Brasil. Talvez até do próprio País. É enorme e traz rostos e culturas diferentes, como disse o peruano Jaime. Sonhos e esperança também não lhe faltam, pois a Luz foi concebida justamente para demonstrar o desejo de uma vila que se via grande. Pela Estação, passam milhares de pessoas todos os dias, entre funcionários – são 150 no total – e gente que apenas passa, porque, afinal, são passageiros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitos têm pressa: rumam ao trabalho ou a um chefe que não tolera atrasos. Outros carregam casamentos em sacolas, como o nordestino Amaro que, ao toque do celular, decide ir embora. Maridos traídos não carregam uma cruz, pois o peso da vassoura e da pá é ainda maior: então, observam o mundo, como o Seu Jesus. Aqueles que não veem com os olhos tem mãos feitas para a música: lá vai o pianista Dário Emiliano entrar no trem com a esposa grudada aos braços...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No saguão de entrada, Joãozinho da Gaita ganha R$ 2 de uma mulher que admira sua música. O rapaz, esbanjando felicidade, corre pelo espaço mostrando a nota a todos que encontra pela frente. Rogério Santos se vira: durante um longo período não tira os olhos do dinheiro de Joãozinho. Seu vício de craque fala mais alto que qualquer personagem de Clarice Lispector.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dentro da Estação, Camila, a estagiária sorridente, passa correndo por uma plataforma. O horário de pico acabou e, finalmente, ela vai para casa. Ana também, mas antes ouve um poema de um passageiro, que se diz apaixonado por ela. “Você gosta de poesia?”, pergunta Ana. “Não”, ele responde. “Só gosto de você”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A chuva começa forte. Um céu inteiro desaba no teto arredondado da Estação, causando um barulho que espanta até os pombos lá em cima. Como um trem, a energia elétrica vai embora. A escuridão toma conta de tudo, mas a Luz não se apaga nunca. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-4134858619825440586?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/4134858619825440586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=4134858619825440586&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4134858619825440586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4134858619825440586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/10/luz-nossa-de-cada-dia.html' title='A Luz nossa de cada dia'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-4458336731496650699</id><published>2009-10-08T15:48:00.000-07:00</published><updated>2009-10-08T15:50:32.363-07:00</updated><title type='text'>Amanhã, sem falta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Num mundo mais ou menos justo, a chuva viria para refrescar nossas convicções e não traria incertezas e enchentes em seus pingos de desesperança, como anda acontecendo. Porém, aqui, nesta terra de prédios inalcançáveis e vendedores de maçãs do não-amor, eu continuo tão tímido quanto uma árvore sem folhas. Talvez seja mais fácil uma girafa recitar um poema modernista que eu assumir o romantismo grudado nos meus cabelos, olhos e letras. Não sei, não sei, tudo parece tão simples para as pessoas, tão fácil...Mas tudo bem, amanhã, sem falta, vou subir numa mesa de bar para gritar a todos os bêbados que amam: “Pessoal, eu a amo mais que o número de anos da Hebe”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-4458336731496650699?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/4458336731496650699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=4458336731496650699&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4458336731496650699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4458336731496650699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/10/amanha-sem-falta.html' title='Amanhã, sem falta'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-7788978026500246421</id><published>2009-09-20T11:40:00.000-07:00</published><updated>2009-09-20T11:48:02.620-07:00</updated><title type='text'>A criação do universo segundo Leandro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiro Deus criou um buraco tão grande quanto a sua própria imaginação. Não havia absolutamente nada nesse imenso e inimaginável vácuo. Quer dizer, não existia nem mesmo o vácuo, já que o ar também não fora inventado até então. Era uma imensidão de nada em toda a sua inexistência. Nada, nada mais que o nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida Deus criou o ar. Mas aquela nova invenção não tinha mínima graça, assim parada, estacionada em lugar nenhum. Veio então o vento, que recebeu a nobre tarefa de enviar os pensamentos de Deus a todos os cantos do buraco. Nessa época, o buraco ainda tinha cantos, esquinas, curvas e semáforos. Depois Deus decidiu tornar o buraco infinito, justamente para que os humanos (que viriam posteriormente) questionassem: “Como assim infinito, Deus?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pensamentos de Deus eram carregados de uma massa roxa, que, quando batia num canto do buraco, criava uma estrela. Se batesse numa estrela, criava-se um planeta. Vários planetas formavam uma galáxia. Várias galáxias formaram alguma coisa, que no momento me foge o nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de alguns bilhares de anos celestes, Deus percebeu que não tinha a mínima graça em criar planetas, estrelas e galáxias, pois esses corpos estavam sempre sozinhos, um muito distante do outro. Foi nessa época que as estrelas decidiram cair. Caíram tanto, tanto, tanto, que viraram cadentes. Apesar de tudo, não havia vida. Então, depois de muito estudar, Deus misturou um punhado de massa vermelha a um pouco da azul, espremeu, bateu no liquidificador e colocou no forno. Saiu o rinoceronte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus gostou do animal. Resolveu criar mais. Do rinoceronte veio a cabra, posteriormente o pingüim, em seguida surgiu a abelha, para depois aparecer o tigre. O felino evoluiu para o pato, vaca, tatu e baleia. Deus criou as baratas nesses dias. Arrependeu-se depois, mas não dava mais tempo: elas se espalharam por todo o universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os animais estavam com fome, Deus misturou um pouco das massas marrom e vermelha para criar, enfim, as plantas. Aquela imensidão de verde por todos os lados irritou os olhos de Deus. Para contrabalançar, ele criou a água, que a princípio era transparente...Depois é que começaram vê-la azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os animais, as plantas e a água conviveram harmoniosamente por longos e longos milênios. Foram felizes enquanto duraram. Porém, num dia Deus teve a maravilhosa ideia de criar o ser humano. Os antigos habitantes do universo ficaram com um medo terrível de serem destruídos, afinal, esse novo invento gostava tanto de comer, que às vezes comia até os amigos da própria espécie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que Deus se cansou de criar coisas. Não havia mais sentido nesse trabalho. Então, ele pegou uma nuvem branca (para as crianças, elas são azuis) e foi viajar de férias. Deixou a nobre tarefa de criador aos seres humanos. Deus só não imaginava que o homem fosse tão independente a ponto de criar coisas terríveis: as guerras, o dinheiro, a bomba atômica, a fila do INSS, o preconceito, o metrô lotado, a fome, o trânsito, a miséria, a corrupção, o creme de milho, a saudade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-7788978026500246421?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/7788978026500246421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=7788978026500246421&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7788978026500246421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7788978026500246421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/09/criacao-do-universo-segundo-o-leandro.html' title='A criação do universo segundo Leandro'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-9004584924625125697</id><published>2009-09-19T14:18:00.000-07:00</published><updated>2009-09-19T14:22:14.972-07:00</updated><title type='text'>About a girl</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Não sei o seu endereço, desconheço a sua cor favorita, não faço ideia de onde prefere ir aos domingos. Há dias tento adivinhar o número do seu tênis, o nome do seu perfume, as suas ambições para o próximo sábado... Quebrei a cabeça para adivinhar se você prefere álgebra ou psicologia. Imagino que você goste de maçã, mas prefira abacaxi após o almoço. Talvez seja vegetariana, ou ame hambúrguer com queijo. Não sei, não sei, não sei quase nada sobre você, Ana. Se você anda de bicicleta, eu não ainda não descobri. Com o carro, talvez você vá ao Planetário, só porque quer desequilibrar as estrelas com os olhos. Com o sorriso, causa terremotos no céu. Quando quer, transforma adultos em velhos, homens em mulheres, cegos em adoradores da Luz. Quem sabe se eu misturar oxigênio com níquel, descubra se você tem namorado. Anaaaaaaaaaaaa, também não falamos sobre nossos pais. Talvez os seus se chamem Ricardo e Maria ou Luciana e Rogério ou Paulo e Mariana...Tudo o que sei de você é seu nome. Ana". &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-9004584924625125697?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/9004584924625125697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=9004584924625125697&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/9004584924625125697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/9004584924625125697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/09/about-girl.html' title='About a girl'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-8764308180194105264</id><published>2009-09-15T13:32:00.000-07:00</published><updated>2009-09-15T15:49:44.078-07:00</updated><title type='text'>Notícias do Brasil</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Olá, Nath!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como você está? Tá gostando dos gringos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não dá mais as caras no MSN! Eu também não dou, tudo bem, mas eu tinha que ter um motivo para te escrever, né? (risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você acredita que eu sinto saudade de você? Pois é, mesmo a gente não se conhecendo pessoalmente, eu sinto. Penso bastante em você. Acho que eu prefiro você aqui em Minas mesmo, assim eu posso pelo menos ter a esperança de te ver um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Estados Unidos são tão longe que nem em sonhos eu consigo te achar. Os sonhos vão voando, passam pela Venezuela, pelo Caribe, pelo México, mas acabam batendo em alguma fronteira cercada. Dizem que os guardas americanos estão barrando até pensamentos... sonhos, então, nem pensar. Ainda mais sonho brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, falando nisso: ando sonhando muito ultimamente. Talvez eu devesse procurar um médico para tratar desse mal. Um dia desses, eu sonhei que estava na Avenida Paulista com uma garota desconhecida. Ela era turista (e lésbica). Ela me disse que viera a São Paulo para esquecer uma garota por quem era apaixonada. Achei estranho alguém vir para cá justamente para tirar uma pessoa da cabeça, pois aqui acontece justamente o contrário. Em São Paulo, ninguém esquece um amor. Os prédios, o frio, o cinza das ruas, a chuva diária, a tristeza das pessoas, tudo, tudo está lá para te lembrar. Essa cidade é o lugar perfeito para se sofrer de rejeição. Talvez no Rio seja diferente, ou em Minas também, não sei. Na Bahia, você acaba encontrando outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa garota do sonho me falou muito sobre a tristeza. Sem esse sentimento, seria simplesmente impossível escrever. Segundo ela, não existe escritor feliz. Todos são tristes ou inconformados. Todos querem mudar o mundo. Ou se não desejam isso, anseiam por conquistar a vizinha bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei com isso na cabeça. Talvez eu escreva para mudar o mundo, mas acho que o faço principalmente para conquistar a vizinha bonita. E essa vizinha se apresenta sob muitas formas. Milhares de formas. Eu a vejo em todos os lugares que vou. Às vezes ela é morena, em outras, ruiva. Quando está sol, é loira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa semana, eu conheci uma outra forma da vizinha bonita. O nome dela é Ana. Tem o sorriso mais lindo do mundo. Ela me perguntou se eu gosto de poesia. Eu disse que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um graaaande beijo, Nath. Aguardo notícias suas!&lt;br /&gt;Leandro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-8764308180194105264?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/8764308180194105264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=8764308180194105264&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8764308180194105264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8764308180194105264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/09/noticias-do-brasil.html' title='Notícias do Brasil'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-1439687871106181285</id><published>2009-08-29T14:07:00.000-07:00</published><updated>2009-08-29T14:54:13.693-07:00</updated><title type='text'>A saga do amor insatisfeito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O garoto tinha um problema maior que o número de gotas de água no oceano: o amor por sua namorada sempre lhe escapava do corpo. Era incontrolável: o sentimento era tão grande, tão extraordinário, tão maravilhosamente maravilhoso, que não cabia dentro do coração pulsante. Ele fugia pela boca, pelo nariz, pelos olhos e pensamentos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por vezes, quando o garoto falava com outra mulher, lá ia o amor embora com as palavras feitas de encantamento...Em outros instantes, ele pulava das janelas dos olhos, passeava com o vento e decidia que o melhor mesmo era viver sozinho. O amor também voava com os pensamentos do garoto, indo pousar nos cabelos de uma loira mais linda que o sol.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O garoto não viu outra solução: resolveu trancar o corpo com uma aliança de prata na mão direita. Procurou o anel por todos os reinos, bosques e shoppings centers que conhecia. Acabou comprando duas alianças no supermercado da esquina; uma para ele e outra para o amor da namorada, para o caso de ele resolver fugir também. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acontece que nenhum anel de prata era tão forte a ponto de trancar o amor no peito. Ele continuava fugindo do coração do garoto. Certa vez, embebedou-se de desejo, perdeu o sentido e acabou acordando na cama de uma ruiva mais linda que a lua. Nesse dia, o amor ficou tão fraco, tão magrinho, que esqueceu o nome, a cor e o significado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“O que vou fazer?”, perguntou o garoto. Decidiu procurar ajuda: falou com bruxas, ciganas, rainhas e terapeutas de casais. Todos tinham o mesmo conselho: “para trancar o amor, você deve trocar a aliança de prata por uma de ouro, mas agora colocá-la na mão esquerda”. O garoto, esperançoso, o fez. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por um tempo, o amor aquietou-se no peito. Não saia nem para tomar cerveja com os amigos. A namorada do garoto (agora era esposa) amansava o amor lhe preparando uma poção noturna. O líquido era feito de flores, açúcar e paciência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porém, num dia o amor esqueceu de tomar a poção da esposa. Conseguiu fugir. Foi embora meio à francesa, meio sem querer, querendo...Simplesmente abriu a porta e saiu com uma carta de divórcio na mala.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O amor fora embora para sentir os lábios da liberdade. Afinal, desde o início era todo esse o seu desejo: queria voar ao lado do vento para procurar uma morena mais linda que o céu. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-1439687871106181285?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/1439687871106181285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=1439687871106181285&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1439687871106181285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1439687871106181285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/08/saga-do-amor-insatisfeiro.html' title='A saga do amor insatisfeito'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-8093559201494354834</id><published>2009-08-18T17:39:00.000-07:00</published><updated>2009-08-18T17:52:33.461-07:00</updated><title type='text'>O céu de Amaury</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em um dia funesto, a Morte chegou a uma conclusão tão catastrófica quanto uma queda de avião: “na vida, há coisas piores que a morte”, constatou. Então, a misteriosa figura foi visitar o aposentado Amaury Guedes, 74 anos não por vontade própria, mas porque quis assim o Destino. A Morte gostou de Amaury Guedes e, como não podia dar-lhe de presente o cargo, lhe entregou o uniforme preto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então, esse homem de fala mansa persegue a vida em protestos pelo país. Foi no acidente da TAM, no buraco do metrô, na Parada gay: onde tiver um aglomerado de insatisfeitos, lá estará Amaury e a sua fantasia de morte. Talvez ele seja a pessoa que mais foi à manifestações no planeta, mas o livro dos recordes ainda não se interessou por essa marca. “Eu fico lá sentado no muro, apareço na TV, tiro fotos”, diz, com a determinação e o Bilhete Único pendurados no pescoço. Ele reivindica o fim da diminuição progressiva de sua aposentadoria especial. “Minha aposentadoria é como gelo: derrete cada vez mais”, lamenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amaury Guedes percebeu o tamanho da injustiça do mundo quando teve de comprar moela e asa de galinha no lugar do filé mignon. Com a aposentadoria que tem hoje, a vida de antigamente não pode mais ser desfrutada. “Nos fins de semana, eu ia para Recife, Porto Alegre. Hoje não faço mais isso”, compara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse autêntico brasileiro tem três filhos e é casado, mas tornou-se viúvo da antiga maior companhia aérea brasileira quando o governo do presidente Lula decidiu fechá-la. Hoje vive no exílio de sua própria vida, faz as contas de uma proporção inversa: poderia receber sete mil reais, mas ganha apenas R$ 1.500. Os remédios aumentaram (gasta aproximadamente 300 reais por mês com eles) e a qualidade de vida diminuiu. “Eu sou pura tristeza”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu das viagens que Amaury fazia como comissário da Varig é muito menor do que a sua esperança. Por isso ele luta, protesta, se veste de palhaço e de morte, viaja à Brasília para convencer senadores a ajudá-lo a retomar o dinheiro que perdeu. Recentemente, descobriu outro avião: a internet. Aprendeu que pode voar sem sair de casa, basta apenas apertar o botão de ligar o computador e postar seus textos. A única coisa que Amaury não entende é o por quê de ter perdido a pensão especial pela qual contribuiu durante 30 anos. Essa é a sua injustiça e também a sua busca: quer viver melhor, pois trabalhou para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma pasta de plástico, Amaury Guedes guarda as suas histórias. Orgulha-se de ter fotos e perfis sobre si publicados nos principais jornais e revistas do Brasil. São folhas e Folhas que contam a sua saga em busca de seus direitos. Amaury não desiste! É isso o que o torna tão singular, mas tão parecidos com os milhões e milhões de brasileiros que, como ele, lutam a cada dia por seu pedaço de pão (e de vida).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estamos em 1984 de George Orwell, mas Amaury Guedes é vítima de uma grande máquina de esquecimento coletivo. Ele e todos nós enfrentamos a gigante e impiedosa indústria que faz com que nós, jovens de idade, esqueçamos os rostos de quem ajudou na construção do Brasil. Eles, os aposentados, colocaram as peças, fizeram o motor, testaram e, no caso de Amaury, colocaram o país para voar. Cabe a nós manter o avião sem turbulências e não esquecer daqueles que ficaram no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Amaury encontrasse a Morte novamente, com certeza ela não iria querer o seu uniforme de volta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-8093559201494354834?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/8093559201494354834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=8093559201494354834&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8093559201494354834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8093559201494354834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/08/o-ceu-de-amaury.html' title='O céu de Amaury'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-8118689453724335608</id><published>2009-08-14T17:48:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T17:55:53.032-07:00</updated><title type='text'>As tardes de outubro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Eu queria te explicar e tal, mas você sabe como são difíceis essas coisas para mim. Eu floreio as palavras, torno gigantes os verbos e acabo tingindo o céu do roxo e as situações de branco, para que elas fiquem mais claras. Mas não: ninguém entende o que digo ou, simplesmente, entendem o que desejam entender. O que acaba dando no mesmo. Então, vou tentar ser sucinto: eu te conheci naquela tarde de outubro, lembra? Aquela que chovia igual choveu em Macondo...Parecia mais uma tarde de janeiro, mas era de outubro mesmo, lembro de você comentando algo do tipo. Isso daria um poema, eu disse, se eu fosse poeta eu faria um poema sobre tardes de outubro que parecem de janeiro. Você pode fazer um poema com isso, mesmo não sendo poeta, você disse. Posso nada, eu disse. Pode sim, é só tentar. Então tentei, mas saiu uma merda, como tudo o que venho tentando fazer para te reconquistar. Eu sei que nesse momento você deve estar pensado: “claro, as coisas não acontecem do jeito que a gente quer, nem os poetas conseguem isso”. Mas eu te digo que sim, os poetas conseguem tudo que desejam, eles podem transformar uma vírgula em algo mais importante ou fazer de uma anotação qualquer uma linda carta de amor. Eu já te disse uma vez que se eu fosse um poeta, provavelmente eu ia pegar algumas palavras apenas para mim e depois transformá-las em outras. Eu inverteria a ordem do amor para torná-lo melhor, menos humano. Olha, eu até acharia lindo se, com o passar dos anos e das palavras, eu me tornasse um ex-poeta, mas nem nisso eu sou bom, por enquanto continuo apenas como o seu ex-namorado.Utilizei essa última frase apenas para te impressionar mesmo. Enfim, acho melhor eu parar por aqui mesmo, né? Disse que iria tentar explicar algumas coisas, mas não consegui novamente. Sou uma grande merda na sola do seu tênis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda desejo reencontrar aquele seu dom de transformar as minhas tardes.&lt;br /&gt;Cuide-se".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-8118689453724335608?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/8118689453724335608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=8118689453724335608&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8118689453724335608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8118689453724335608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/08/as-tardes-de-outubro.html' title='As tardes de outubro'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-5309058297676139738</id><published>2009-08-07T15:08:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T15:25:25.176-07:00</updated><title type='text'>A normalidade segundo minha mãe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“O que é ser normal, mãe?”, perguntou este que vos fala, lá pelos anos do FHC, mais ou menos quando a Xuxa ainda fazia sucesso. “Ser normal é se encaixar nas regras que sociedade estabeleceu”, respondeu a minha mãe. Ótimo, pensei, então é muito fácil ser normal, ser anormal que é difícil. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pessoas normais vão à padaria comprar pão, pessoas normais comem bacalhau com batata na Páscoa, compram bandeiras do Brasil em época de Copa do Mundo e, mais do que tudo, pessoas normais, quando saem do caixa eletrônico, olham com cara de surpresa para folhinha do extrato bancário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pessoas anormais, pelo contrário, fazem tudo fora das normas da sociedade: não suportam comer pé de galinha; odeiam feijoada, bucho e afins, não ligam a mínima para o dinheiro no banco, odeiam ir ao banheiro fora de casa e ficam intimidados quando alguém lhes chama para dançar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando era mais novo, eu não era normal: não sei por que, mas eu tinha vergonha de comprar pão, eu odiava bacalhau com batata, afinal, era impossível distinguir o que era bacalhau e o que era batata e, acima de tudo, eu não sabia como alguém tirava um extrato bancário do caixa eletrônico, principalmente porque eu não fazia a menor idéia do que era um extrato bancário. Hoje, como 20 anos, eu já faço tudo isso, inclusive, olho com cara de surpresa para a folhinha.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na verdade, eu só gostaria de agradecer a providencial ajuda da atendente do Banco Real da Vila Mariana, que hoje, mais uma vez, salvou a minha vida, ou melhor, salvou o meu extrato. Não sei bem o nome dela, não sei se é casada nem se está infeliz em seu emprego; talvez ela seja até estagiária, o que, evidentemente, sugere a sua infelicidade. Mas enfim, é uma garota de ouro, uma garota capaz de me fazer largar a casa, a família, o cachorro e o jornalismo apenas para levar uma vida de bancário, saca? Com essas greves de dois meses ou esses uniformes verdes com um “Posso ajudar?” escrito nas costas.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vocês já repararam que eu ando usando muito o *** ? Sei lá, eu vi isso em algum lugar e achei demais. Coisa de anormal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-5309058297676139738?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/5309058297676139738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=5309058297676139738&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5309058297676139738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5309058297676139738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/08/normalidade-segundo-minha-mae.html' title='A normalidade segundo minha mãe'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-6323938642319060225</id><published>2009-07-23T17:36:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T17:50:39.070-07:00</updated><title type='text'>Carta a um amigo de infância</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estou atrasado. O Dia do Amigo aconteceu há três dias e eu não escrevi nada sobre o tema. Aliás, só fiquei sabendo da data hoje, quando li o blog da Tati, que tenho orgulho de dizer que é minha amiga. Bom, então, como estou meio sem criatividade, resolvi postar um texto antigo. Dei apenas uma atualizada e pronto! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As coisas melhoraram por aqui. Mudei para uma casa maior, com grandes janelas e um quintal respeitável. Geladeira, fogão, televisão, aparelho de som, sofá: todos novinhos. Chique, não? Até uma cachorra eu tive, “Princesa” era o nome dela, pena que desapareceu de repente, coitada. Agora tenho o “Fedô”, um vira-lata, que diariamente me culpa por ter escolhido esse nome para ele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe continua bem, a mesma mandona de sempre. Mas mãe é mãe, você sabe, né? Meu pai, depois de alguns anos, resolveu aparecer. Foi na véspera da final da Copa de 2002. Bom, fiquei confuso, mas acabei me acostumando. Apesar que, confesso, nossa relação ainda é um pouco fria. Pai é pai, você sabe, né? Mas com o tempo isso passa. Espero ou não espero, não sei bem ainda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ah, depois que acabei a escola entrei para a faculdade. Faço jornalismo, quer dizer, tento fazer. É o que eu sempre quis, você lembra? Fizemos até um jornalzinho na escola; a primeira notícia que escrevi (lembro como se fosse hoje): “Morreu um boi na estrada". O boi e a estrada eram inventados, claro. Hoje aprendi que bons jornalistas não inventam notícias.Atualmente escrevo textos - que ainda não os chamo de crônicas, mas que os são, na verdade – para dois blogs. Não parecem aquelas velhas redações que escrevíamos a mando da professora Suely. Lembro de uma – e ainda a tenho aqui em casa – sobre alienígenas. A professora gostou muito. Hoje tento contar passagens da minha vida e, infelizmente, não incluem alienígenas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Parei de jogar futebol. Cansei. Até porque minhas pernas não agüentam mais, apesar dos meus 20 anos. Até que eu era razoável, né? Jogava no ataque, você de goleiro. Até ganhamos alguns campeonatos na escola, lembra? Teve até troféu. Tudo bem que ele, o troféu, foi comprado por nós mesmos, já que organizávamos os campeonatos. Que honra ganhar o próprio troféu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lembra do Ivan? Ele não gostava muito da gente. Agora ele é um dos meus melhores amigos, juntamente com o Renato, que nós, brincalhões, chamávamos de “gordo”. Pois é, o gordinho emagreceu, cresceu, estudou e agora trabalha no Aeroporto. O Ivan e o Renato viraram roqueiros: não saem de shows cidade afora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A vida amorosa está meio enrolada. Você sabe como sempre tive dificuldade em manter uma garota na cabeça por vez. Hoje, consigo gostar de várias ao mesmo tempo. Saudade de quando eu “amava” apenas a Bruna, ou a Jéssica, ou a Talita. Não sei se você recorda, no meu primeiro – e horrível – beijo, você estava sentado no banco de atrás daquele ônibus, (naquela excursão) com outra garota. Talvez, no dia, você tenha dado seu primeiro beijo também. Nunca conversamos sobre isso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Andei vasculhando as gavetas da memória e lembrei do dia em que resolvemos não ir com o pessoal da escola para uma outra excursão: fomos de ônibus público mesmo. Quanta ingenuidade. Nos perdemos e deu a maior confusão. Acho que hoje, com 20 anos, já consigo andar de condução sem nenhum problema.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bom, dito tudo isso, antes que eu esqueça, é melhor contar as notícias mais recentes da velha turma: O Roney casou; o Paulo (Cidão) agora é pai; o Ivan tá namorando; a Camila (lembra dela?) começou a faculdade; a Suellen faz curso técnico; o Carlos continua sendo o são-paulino mais fanático; o Filipe é o mais palmeirense; o Éderson repetiu o ano na escola; o Fernando virou crente; o Luciano tá trabalhando; o Renato também; o Marcos tem uma banda. Não tenho notícias da Agnes, Heleni, Carla, Jéssica, Fernandão; o Michel morreu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sem mais,&lt;br /&gt;um grande abraço do seu amigo de infância, e que já sabe andar de ônibus sozinho, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Leandro Machado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-6323938642319060225?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/6323938642319060225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=6323938642319060225&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6323938642319060225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6323938642319060225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/07/carta-um-amigo-de-infancia.html' title='Carta a um amigo de infância'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-6378146314762502138</id><published>2009-07-17T14:12:00.000-07:00</published><updated>2009-07-17T14:57:13.739-07:00</updated><title type='text'>Que me desculpem as americanas, mas as brasileiras são fundamentais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Olá, marujos. Tudo bem?&lt;br /&gt;Então, os textos abaixo foram escritos como exercícios de um curso aí que estou fazendo. O primeiro é uma associação de duas palavras que, aparentemente, não têm nada a ver: Obama e Chapeuzinho Vermelho. E o segundo texto foi feito com a técnica da 'escrita automática', que consiste, mais ou menos, em escrever o que vier à cabeça, sem se preocupar com gramática, ortografia, sintaxe etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Olá, presidente.&lt;br /&gt;– Olá, chapeuzinho. Tudo bem?&lt;br /&gt;– Tudo ótimo. Fiquei sabendo que o senhor gostou de uma brasileira.&lt;br /&gt;– Não, não. Eu estava apenas analisando os atributos dela. Nós precisamos tomar medidas protecionistas contra essas brasileiras.&lt;br /&gt;– Por que, presidente?&lt;br /&gt;– Elas andam invadindo a América, não reparou? Começou com a Carmen, depois essa tal de Gisele. Imagine se a Maysa toma o seu lugar, chapeuzinho?&lt;br /&gt;– Deus me livre! Prefiro mudar de nome.&lt;br /&gt;– Ah! Só não mude para Chapeuzinho Azul, senão a Dilma acha que é Tucano e acaba se transformando em lobo para te comer. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;*** &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei o que dizer aqui. Estou apenas pensando na garota ao lado. Eu encontrei a Bruna de Rádio e TV ontem, ela me deu um abraço forte. Eu disse oi Bruna, e ela disse oi Leandro o que você faz por aqui, eu trabalho por aqui, legal, e você, vou comprar um perfume na Fator 5. Eu pensei que devia ser pro namorado dela. A Bruna é linda mesmo, eu me casaria com ela. Eu lembrei de quando ela era solteira e eu tinha acabado o meu namoro. Me liga no número 98565659894 ela disse. Sim, eu ligo, mas eu não liguei porque eu ainda gostava da Carla.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-6378146314762502138?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/6378146314762502138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=6378146314762502138&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6378146314762502138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6378146314762502138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/07/que-me-desculpem-as-americanas-mas-as.html' title='Que me desculpem as americanas, mas as brasileiras são fundamentais'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-3621044938349337587</id><published>2009-06-26T16:35:00.000-07:00</published><updated>2009-06-26T20:13:50.323-07:00</updated><title type='text'>"I (don't) want you back"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;(Toca o telefone)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Alô.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Alô, Leandro. É a sua mãe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Oi, mãe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Adivinha quem morreu?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Deus?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Não, idiota. Foi o Michael Jackson.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Olha, quase acertei então.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Ele não é Deus, ele é apenas o Rei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Um dos reis, né? O Roberto Carlos e o Pelé ainda estão aí para nos atormentar. Sem contar as rainhas: Madonna, Xuxa...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Alguns minutos depois, no trabalho)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Gente, o Michael Jackson morreu!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Mentira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Como mentira? O coração dele parou, morreu, deu no rádio, na televisão, na internet.&lt;br /&gt;– E você acredita nessas coisas? É tudo encenação, você acha que essas pessoas morrem? Daqui a pouco alguém vai gritar: “Michael Jackson não morreu!”, igual o Elvis. Depois isso vira frase de camiseta, tema de documentários, religião...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Depois de ler uma entrevista na Folha Online)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Você viu o que Claudia Leitte disse a respeito da morte dele?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– A Claudia Leitte existe de verdade? Pensei que ela fosse algum personagem criado no Photoshop.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Pois é, existe e tem opinião. Aliás, sobre a morte todos têm opinião. A morte faz parte da vida. Para tudo dá-se um jeito, menos para a morte etc.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– É tudo uma grande merda. Um puro espetáculo, não é? Não deixam nem o cara morrer em paz...o que a Claudia Leitte tem a ver com isso? O que nós, brasileiros, temos a ver com isso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não sei se já aconteceu com você. Hoje, no ônibus, eu tive uma estranha sensação: como se eu encontrasse significados ocultos em todas as coisas e ações que eu via: as pessoas preferindo o banco vazio a sentar ao lado de alguém, a solidão dos paulistanos em dias de chuva e frio, o salão de cabeleireiro chamado “Novo Estylo”, o Leitte da Claudia Leitte...Tudo fazia parte de uma grande engrenagem com símbolos a serem descobertos. Tudo dizia algo, tudo comunicava, tudo era política.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-3621044938349337587?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/3621044938349337587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=3621044938349337587&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3621044938349337587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3621044938349337587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/06/i-dont-want-you-back.html' title='&quot;I (don&apos;t) want you back&quot;'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-7601969253073342000</id><published>2009-06-14T15:43:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T20:17:44.971-07:00</updated><title type='text'>No mundo ideal não existiriam títulos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num mundo ideal, as coisas funcionariam. Os computadores, quando nervosos, não deixariam os seus donos na mão; os telefones nunca, absolutamente nunca, ficariam mudos, nem por falha mecânica, nem por erro humano, afinal, no mundo ideal, não haveria mecânica, muito menos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo ideal, as janelas dariam para paisagens bonitas, dessas de calendário, sabe, dessas que nos fazem pensar em mudar de profissão: virar fotógrafo, viajar para o Hawaí e casar com uma linda norueguesa. No mundo ideal existiriam lindas norueguesas aqui em São Paulo – e elas andariam por aí, nos ônibus, no metrô, no trem. Mas isso seria realmente difícil, porque no mundo ideal, não existiria ônibus, metrô e trem, aliás, São Paulo também não existiria no mundo ideal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo ideal não existiria dor de cabeça nem dor de estômago nem cólica feminina nem dor de dente nem náuseas nem dor de ouvido nem hérnias de disco nem dor nas costas nem cálculos renais nem dor no dedinho do pé nem dor existencial nem depressão nem dor de amor. No mundo ideal não haveria amor no mundo ideal não haveria amor no mundo ideal não haveria amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo ideal não haveria frases sem vírgula. A vírgula seria uma pausa para pensar. Vírgula não sei o que dizer vírgula. Eu quero vírgula parar de pensar vírgula besteira porque vírgula não vírgula agüento mais vírgula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar dos shoppings haveria uma montanha de livros, lá no mundo ideal. As pessoas gostariam de ler e, acima de tudo, ninguém acharia estranho você escolher uma leitura estranha, do tipo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mate-me, por favor &lt;/span&gt;ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trópico de câncer&lt;/span&gt;. No mundo ideal nada seria estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, no mundo ideal nós poderíamos escrever o que quiséssemos, cara. Desligar a tela e deixar fluir, fruir. Ninguém se importaria em se encaixar nessa porcaria de regra de ser o certinho. Para o inferno com tudo isso. No mundo ideal, sim, no mundo ideal, toda a angústia de viver sairia de nós em forma de versos: lindos e horríveis versos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-7601969253073342000?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/7601969253073342000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=7601969253073342000&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7601969253073342000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7601969253073342000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/06/no-mundo-ideal-nao-existiria-titulos.html' title='No mundo ideal não existiriam títulos'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-9078398406172698197</id><published>2009-05-06T16:36:00.001-07:00</published><updated>2009-05-06T16:36:40.661-07:00</updated><title type='text'>Segundas necessidades</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não sei: talvez seja coincidência dos astros, talvez seja Deus ou o Filho Dele que me coloca sempre no lugar certo na hora errada: é incrível a minha tendência para presenciar as cenas mais absurdas ou constrangedoras às pessoas que atuam nelas ou mesmo para mim, mero espectador. É a tal da vergonha alheira, entende? Quando você sente tanta vergonha pelo outro que chega a ficar rubro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nessa semana, por exemplo, estava eu no banheiro da Reserva Cultural, cinema aqui de São Paulo, quando, sem mais nem menos, um homem grande, forte e careca apareceu na região conhecida como Zona do Mictório e deu um apertão nos fundilhos (a bunda, para quem não sabe) de um outro rapaz que ali estava. Pois bem, o cara da bunda virou-se e, acreditem, tirou o “rapaz” do outro rapaz de dentro da calça e começou a masturbá-lo. Sim, um masturbando o outro e o outro masturbando o um. Nenhum preconceito, longe de mim, mas foi estranho, confesso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, este que vos fala caminhava tranqüilamente pela Rua Bresser quando um tal mendigo retirou por inteiro as suas vestimentas e começou a lavar-se ali mesmo, na calçada. Detalhe: ele havia acabado de fazer a segunda necessidade, portanto, o cheiro não era dos mais doces.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não é que eu não goste de presenciar cenas como essas, nada contra, juro. A questão é: por que eu nunca vejo cenas bonitas? Casais dando o primeiro beijo, pombas brancas da paz voando pelos ares da vida, um “eu te amo” triste e alegre ao mesmo tempo, por exemplo? Não, isso eu não vejo. Imagino que o problema seja meu mesmo: são olhos treinados para sempre ver o negativo, saca? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-9078398406172698197?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/9078398406172698197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=9078398406172698197&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/9078398406172698197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/9078398406172698197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/05/segundas-necessidades.html' title='Segundas necessidades'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-5031228519783225521</id><published>2009-04-25T18:10:00.000-07:00</published><updated>2009-04-25T18:28:00.490-07:00</updated><title type='text'>O Brasil tem jeito</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nego Leléu, célebre personagem do romance Viva o povo brasileiro, do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, talvez seja, na literatura, um dos maiores exemplos do que popularmente chamamos de “jeitinho brasileiro”. Por meio de formas especiais de resolução de problemas (inclui-se aí presentes a fiscais do comércio, bajulação a possíveis inimigos e planos mirabolantes para escapar dos impostos) Nego Leléu, recém alforriado, sobe na vida, ganha dinheiro e admiração dos políticos da época em que se passa a história, em meados do século XIX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucas são as obras do universo acadêmico que destrincham-se sobre o “jeitinho”. Por ser um tema tão intrínseco no cotidiano brasileiro, o “jeitinho” merece, sim, ser tratado com melhor jeito, com o perdão do trocadilho infantil. Mais recentemente, apenas o livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jeitinho brasileiro, a arte de ser mais igual que os outros&lt;/span&gt; (Editora Campus), da pesquisadora carioca Lívia Barbosa, faz uma longa abordagem do assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os termos “jeitinho” e “corrupção” são claramente diferenciados segundo o levantamento realizado pela pesquisadora com a população. “Corrupção é para os políticos”. Jeitinho vem das ruas, pode acontecer com todo mundo, é um favorzinho. “Hoje eu preciso, amanhã será você”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o que é esse tal jeitinho brasileiro? Qual a sua origem? De onde vem essa maneira tão singular de resolver os problemas e situações embaraçosas? Segundo Lívia Barbosa, o jeitinho vem de três questões básicas: a pouca distinção que o brasileiro faz do que é público e do que é privado; a exagerada burocracia no país e a grande diferença entre as leis e o que é aplicado verdadeiramente no cotidiano, nas ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão do brasileiro sobre o público e o privado, como citado anteriormente, contribui para a propagação do jeitinho. O individual está, muitas vezes, acima do social, acarretando, infelizmente, na utilização de recursos públicos para benefício próprio ou privado, como recentemente ficou claro com o escândalo da compra de passagens aéreas pelos parlamentares com o dinheiro do contribuinte. Mas não só o político se aproveita dessa relação: também os funcionários públicos, os fiscais de trânsito, os policiais, jornalistas que utilizam o jornal (espaço público!) para divulgar brigas pessoais e picuinhas sem o menor interesse social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historicamente, podemos identificar o processo colonizador como um dos possíveis responsáveis pelo jeitinho: tanto nos fala Gilberto Freyre, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Casa-Grande e Senzala&lt;/span&gt;, da confusa administração portuguesa no Brasil, com suas numerosas leis, alvarás, estatutos e cartas do rei. Isso tudo gerou confusão entre os colonos, que geralmente não conheciam a “lei do dia”, colaborando, enfim, para diferença cabal entre o que está escrito e o que é aplicado na prática. Freyre nos conta também das leis próprias de cada engenho, onde o Senhor era o rei, ele ditava as regras, as leis, os castigos, entre outras coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também a burocracia, tão difamada, constrói barreiras instransponíveis para o desenvolvimento social tupiniquim. A título de exemplo, segundo pesquisa realizada em 2007 pelo Banco Mundial, para se abrir um negócio no Brasil são necessários, em média, 152 dias. Os números mostram também que apenas o Chade, na África, ultrapassa o Brasil em número de etapas necessárias para a abertura de uma empresa. Pontos como esses indicam o porquê de tantos brasileiros partirem para informalidade, vendendo produtos falsificados ou contrabandeados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto importante na análise social do jeitinho brasileiro é a preferência nacional pelo malandro: aquele sujeito que tudo resolve, que tem jeito para todas as situações, habilidoso com as palavras e no vestir, galanteador, sedutor. Um exemplo disso pode ser visto no esporte bretão: no futebol, o jogador mais habilidoso, aquele que resolve o jogo numa jogada bonita, inventiva, é sempre o preferido. O pragmático, eficiente, previsível e regular, é descartado, muitas vezes considerado “brucutu”. Por isso Kaká, Diego ou Raí são preteridos ao Romário, ao Ronaldinho Gaúcho, ao Robinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente dos países orientais, como o Japão, onde preza-se muito a previsibilidade, o brasileiro tem por tradição ser criativo, se ajustar às necessidades, ter a famosa ginga. E isso não é ruim, pelo contrário, é importante. A questão principal é não transformar toda essa capacidade em algo ruim, depredador da ética, pois no Brasil, infelizmente, com todo esse jeito, provamos ser verdadeira teoria mais importante do século passado: aqui tudo é relativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-5031228519783225521?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/5031228519783225521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=5031228519783225521&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5031228519783225521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5031228519783225521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/04/o-brasil-tem-jeito.html' title='O Brasil tem jeito'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-4962525500629212555</id><published>2009-04-18T14:22:00.000-07:00</published><updated>2009-04-19T07:14:17.787-07:00</updated><title type='text'>Tudo é relativo!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os sonhos se encontram. Sim, cada vez que dormimos, os sonhos nos roubam a imagem física e fogem de nossas cabeças, levantando vôo. Voam tão longe, tão longe, que ultrapassam os limites das casas, passam desesperados pela fiação, resvalam nas ondas das telecomunicações e, às vezes, batem em outros sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez um garoto e uma garota se encontraram em sonho. Os sonhos dos dois se chocaram mais ou menos perto do trópico de câncer, na esquina da quinta estrela a leste, onde, dizem, morou por alguns anos o Divino. Foi amor no primeiro sonho. Amor? Mais que amor! Foi algo extraordinário, acima da compreensão de qualquer um, algo eterno, parece que criado quando ainda não havia nada, só poeira cósmica. Então o garoto e a garota decidiram se encontrar fora dos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas às nove horas do dia dezenove de fevereiro do ano da graça de dois mil e nove, o garoto e a garota, amantes em sonho e fustigados pelo ardor incessante em seus respectivos corações, chegaram a constatação mais esclarecedora que se poderia encontrar desde a teoria da relatividade: não há nada, nadinha de nada, merreca de nada, nada de coisa nenhuma, nada, absolutamente nada mais difícil que encontrar o seu amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sim – pensou o garoto – considerando que o planeta não passa de uma pequena ervilha na imensidão do universo, que a história da humanidade começou nos últimos momentos do segundo tempo e que, por fim, tudo foi criado por Deus para realmente não dar certo, então, poderia ser perfeitamente cabível se ela, a garota dos meus sonhos, aparecesse aqui e agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não, ela não apareceu e eles não se conheceram. Tudo aconteceu assim: o relógio quebrou, o chuveiro queimou, na padaria o pão acabou, o café amargou, a mãe deu bronca, o pai não a levou de carro, o ônibus atrasou e o sinal abriu na hora errada. Tudo isso fez com que garota perdesse a oportunidade de tropeçar na calçada de uma determinada rua e de ser ajudada a se levantar pelo garoto dos seus sonhos, passante por acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não – pensou a garota – as coisas realmente não são planejadas para acontecer da maneira correta. Tudo é um grande e terrível acaso, acaso este que quando acontece cria um buraco negro que chupa todos os ingredientes da vida e os transforma em amor: amor salgado, amor doce, amor azedo, amor amargo, amor com gosto de sorvete, amor de gelatina, amor de morango e amor de chocolate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim nada dava certo. O garoto e a garota não se encontraram pessoalmente, mas continuaram se vendo em sonho: combinaram encontros, cinema, peças de teatro, pipoca no parque, presentes exóticos, lágrimas de alegrias, a forma como segurariam a mão do outro (a sua esquerda e a minha direita); combinaram também as brigas por ciúme, as brigas por besteira, as brigas sem motivo e as brigas que causam outras brigas; marcaram os desencontros causais, os pedidos de tempo, a separação e a volta com olhos marejados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, a garota e o garoto perceberam que as coisas do amor precisam ser planejadas com antecedência; o acaso não funcionou, tudo ainda não passava de um lindo sonho. E em sonho, o amor não é o mesmo. Era preciso dar um basta e partir para a realidade. Então, a garota resolveu elaborar uma fórmula quântica-físico-matemática que lhe revelaria, se resolvida, onde estaria o seu amor. A fórmula dizia o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– A aritmética do amor se resume a uma equação de mais ou menos: ache a raiz quadrada do positivo, depois subtraia pelo negativo, aumente o positivo duas vezes, divida o negativo pelo positivo, multiplique por três o positivo e eleve à quinta potência o negativo. O resultado será mais ou menos o correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto, por sua vez, descobriu um outro jeito de encontrar seu amor em sonho: escrever poemas cifrados em todas as notas de dinheiro para que a garota visse e o encontrasse em determinado lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– As palavras são seres ruins – pensou o garoto – elas brigam comigo e eu discuto com elas sem parar. Escrever é uma tortura, uma batalha sem fim. Não há rima, não há ritmo, não há nada em toda a sua inexistência. Um nada que não passa de um grande depósito de caracteres. As palavras prestam tanto quanto os homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, infelizmente (ou felizmente), a fórmula falhou, os poemas no dinheiro também, tudo falhou. O amor falhou. E os dois desistiram do desejo de se encontrarem realmente. Às vezes, os sonhos se chocam novamente, mais ou menos perto do trópico de câncer, na esquina da quinta estrela a leste, onde, dizem, morou por alguns anos o Divino. Mas ambos sabem, mais do que nunca, que agora é esquecer o outro, pois tudo, tudo, mais que tudo, tudinho de tudo, absolutamente tudo, tudo foi criado para não dar certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-4962525500629212555?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/4962525500629212555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=4962525500629212555&amp;isPopup=true' title='36 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4962525500629212555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4962525500629212555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/04/tudo-e-relativo.html' title='Tudo é relativo!'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>36</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-5059875024327206322</id><published>2009-04-04T17:12:00.000-07:00</published><updated>2009-04-04T17:14:39.734-07:00</updated><title type='text'>O Bar Cansado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sei, eu sei: bar é assunto recorrente neste blog vil. E ninguém precisa me xingar por voltar ao tema. Sou apenas um carinha ali sentado no canto, apreciando alguma cena inusitada ou, para variar, pensando em algum lírio oriental perdido no ocidente. São coisas da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eis que, ontem, conversando com o Vinícius, nobre e destemido calouro de jornalismo, ele solta a seguinte frase filosófica:&lt;br /&gt;– Os bares daqui da São Judas são ruins, são tipo bar cansado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto: não poderia o ilustre colega classificar melhor a tão famosa modalidade de bares sem açúcar que teimam em existir por aí. Ou seja, aqueles bares que não empolgam nem o maior dos bêbados. É um bar sem o calor dos bons, um bar cinza, sombrio, solitário, sem identidade! Não merecedor da sublime e lubrificante alcunha de bar. É um bar-menor, como diria o poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dono do bar cansado geralmente tem nome aristocrático: Lúcio Rodolfo, ou Geraldo Cristão, ou Perilo Ambrósio. Nada de apelidos proletários, do tipo Betão, Seu Zé, Peruca, Careca, enfim, nomes comuns de dono de bar legal. Os garçons, ah, esses são os piores no bar cansado: não têm a ginga dos garçons de bar legal, que conseguem atender convincentemente cinco mesas ao mesmo tempo e ainda conversar sobre o último gol do Ronaldo com dois corintianos, dois são-paulinos, um palmeirense e um velhinho santista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freqüenta o bar cansado aquele cidadão estressado, tristonho, depressivo, impreciso, que come creme de milho e acha maravilhoso, mais ou menos um vilão de novela, saca? Sujeito sem jeito. Que não sabe beber como se deve, pois prefere ser social. Não ficam bêbados nunca, não dão vexame, não curtem a fossa do fora, não cantam o último sucesso da Xuxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres do bar cansado são diferentes também: não apaixonam ninguém, olham sempre para baixo, não vão ao banheiro na hora certa, não desdenham do cara bonitão, não dormem em cima da mesa. Nada disso. A mulher do bar cansado é um dos cinco tipos de mulheres inclassificáveis que tanto me fala Ivan, o Terrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, para terminar, o bar cansado nunca, absolutamente nunca, consegue fazer com que o seu freqüentador, tão bêbado, diga:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Seu Zé, me vê uma cerveja, pois eu quero comemorar a última vez que bebo!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-5059875024327206322?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/5059875024327206322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=5059875024327206322&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5059875024327206322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5059875024327206322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/04/o-bar-cansado.html' title='O Bar Cansado'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-3650126198484367815</id><published>2009-03-23T18:36:00.000-07:00</published><updated>2009-03-23T18:45:11.684-07:00</updated><title type='text'>Subterranean Homesick Drunk</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então ele a viu ali sentada no canto do bar, encantando sem querer, mas querendo, sim, e sem saber. Paixão é relance: um lance, uma fingida fugida ao banheiro, um sorriso com graça, um tropeço sem preço, ah, um gole de cerveja, um olhar marcado. Num momento estão apaixonados! Paixão de bar é eterna sem durar. Acaba sem começar. Paixão de bar é como mergulhar numa piscina gelada no frio, como falar inglês sem saber. What is your name, girl? Nunca tem nome quem está no bar. Quem está no bar só tem rosto e coração, sem senha, sem a louca histeria de ser...normal! Sou aquilo que bebo. Bebo, logo, existo. Altera o tempo quem está no bar: os minutos viram horas, as horas, segundos. E os segundos não mais do que realmente são, segundos são segundos. No bar, o amor é lindo! Nada mais lindo que amar no bar, beijar no bar, transar no bar. Transa no bar  é com os olhos. Olhos que procuram desesperadamente outros olhos. Desesperados para pôr fim nessa histeria de ser...normal. Ninguém quer ser normal no bar, mesmo quem não bebe...e não há nada, absolutamente nada melhor que ter uma paixão de bar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-3650126198484367815?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/3650126198484367815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=3650126198484367815&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3650126198484367815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3650126198484367815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/03/subterranean-homesick-drunk.html' title='Subterranean Homesick Drunk'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-5948452554965571756</id><published>2009-03-17T15:59:00.000-07:00</published><updated>2009-03-17T16:04:30.524-07:00</updated><title type='text'>A origem das palavras (parte 1)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dando seguimento a minha difícil tarefa de descobrir a origem histórica de todas as palavras (sem exceção) da Língua Portuguesa. Segue abaixo três recentes exemplos dessa minha incansável pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Felicidade:&lt;/span&gt; A palavra surgiu na Itália, no século IV. Na verdade, o termo foi criado no antigo Bar do Felix, que ficava na esquina que separava (hoje não separa mais) as cidades de Roma e Veneza. O bar, muito famoso, reunia grandes artistas, escritores e pintores da época. Foi em suas mesas que nasceu o renascimento (há algo de errado nessa frase). Diz a lenda que certa vez um bêbado cortejou uma dama com a seguinte frase: “Mulher, se você casar comigo, eu descubro a América pra ti.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pinga: &lt;/span&gt;do Grego Arcaico, Pingus. Certa vez, Platão estava em seu quarto transcrevendo um de seus diálogos com um tal de Ari, quando, de repente, percebeu que pingos de água caiam em cima de sua cabeça. “Que porra é essa?”, perguntou Platão. Na época, não existia a palavra goteira. O filósofo resolveu experimentar o sabor do pingo. Gostou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Evacuar:&lt;/span&gt; do Latim contemporâneo, Evacuares. Este termo foi inspirado no deus do vento Vácuo. Segundo a mitologia portuguesa, Vácuo, entediado, resolveu engolir todo o ar do universo de uma só vez. De tanto comer vento, o deus teve uma terrível indigestão, precisando ir imediatamente ao banheiro. Evacuou o Vácuo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-5948452554965571756?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/5948452554965571756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=5948452554965571756&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5948452554965571756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5948452554965571756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/03/origem-das-palavras-parte-1.html' title='A origem das palavras (parte 1)'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-779032131365688961</id><published>2009-03-13T22:27:00.000-07:00</published><updated>2009-03-13T22:37:34.910-07:00</updated><title type='text'>Ruminações</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, furou aquele papo de postar toda semana. Não é que eu não quero, pelo contrário: passo horas do meu dia imaginando textos, mas realmente me falta inspiração, além de outras coisas mais. E também, é claro, está mais difícil pensar com tantos trabalhos, pautas, matérias e notas peladas para a faculdade. Mas tudo bem. A vida segue na linha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Aliás, nas últimas semanas, uma certa pessoa me fez pensar realmente na utilidade de ser jornalista. O incrível é que eu nunca questionei a minha escolha. Nunca. É óbvio que eu não vou sair correndo da sala, gritando: “Sai da frente, agora eu vou ser engenheiro químico”. Não. Mas aquela coisa de “aprender para ser igual” foi foda demais para a minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Os textos abaixo são passagens do livro Trópico de Câncer, do Henry Miller.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“– Mas o que você quer das mulheres, então? – pergunto.&lt;br /&gt;Ele esfrega as mãos, solta o lábio inferior. Parece completamente frustrado. Quando consegue gaguejar algumas frases soltas é com a convicção de que atrás das palavras há uma enorme inutilidade.&lt;br /&gt;– Quero conseguir me entregar a uma mulher – declara – Quero que ela me tire de dentro de mim Para isso, precisa ser melhor do que eu, precisa ter cabeça...Tem que me convencer que eu preciso dela, que não posso viver sem ela. Você acha uma mulher dessas pra mim? Se fizer isso, eu lhe dou o meu emprego. Não ia me incomodar mais com o que ia acontecer, não ia precisar de emprego nem de amigos, livros, de nada. Se ela pudesse me convencer de que existe algo mais importante no mundo do que eu. Porra, eu me odeio!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“[...]&lt;br /&gt;– Você acha que gosto de mim. Isso mostra como sabe pouco a meu respeito. Sei que sou um grande sujeito, mas não teria esses problemas se não houvesse alguma coisa em mim. O que acaba comigo é não conseguir me expressar. As pessoas acham que sou um caçador de putas. Esses intelectuais que passam o dia inteiro sentado no terraço ruminando psicologia são superficiais. Essa foi boa, hein, ruminando psicologia? Anota pra mim. Vou usar na minha coluna na semana que vem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt; ***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Agora chega, vou dormir. Estou muito chato hoje, quase ruminando psicologia!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-779032131365688961?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/779032131365688961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=779032131365688961&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/779032131365688961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/779032131365688961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/03/ruminacoes.html' title='Ruminações'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-4755652354251844912</id><published>2009-02-27T20:05:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T20:17:07.857-08:00</updated><title type='text'>Mais do mesmo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, sim. Se você é um dos poucos leitores que me acompanham há alguns anos, deve saber que os textos abaixo já foram publicados e que são tão velhos que caminham de andador por aí. Mas, como meu antigo Fotolog finalmente passou pela fila do INSS e foi agraciado com o benefício da aposentadoria por invalidez, eu resolvi postá-los aqui no Verbâmidas. O leitor mais atento vai reparar que desde criancinha a minha predileção por assuntos de cozinha, mesa e banho está presente: esta saga continuará aqui no blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felicidades.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-4755652354251844912?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/4755652354251844912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=4755652354251844912&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4755652354251844912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4755652354251844912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/02/mais-do-mesmo.html' title='Mais do mesmo'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-5594485141025617272</id><published>2009-02-27T20:02:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T20:04:37.022-08:00</updated><title type='text'>A moela e eu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há alguns dias, este pobre aprendiz de jornalista e cronista escreveu sobre as mazelas da beterraba e sobre as desventuras do simpático milho. Eis que volto – com muito apetite – a falar de alimentos neste espaço vil.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt; Como você viu no texto anterior, sou um chato com essas coisas de comida. Eu sei que pobre – eu sou um – come de tudo, mas, o tudo tem um limite. Esta semana, fui apresentado à corajosa moela. Sim, é isso o que você ouviu. Prazer, moela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O que tem pra comer, mãe?&lt;br /&gt;– Moela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, desculpe, já não gostei do nome. Eu não como uma coisa chamada moela. Com um nome desses não pode ser boa. Me lembrou algo mole, revestido por alguma membrana suja misturada com sangue. Sei lá, não apreciei de cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resisti ao preconceito e fui conhecer a moela pessoalmente. Não foi um encontro muito agradável; olhei, avaliei as condições, senti o cheiro; e foi aí que o desentendimento se tornou maior: Moela tem cheiro de fígado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não só o cheiro, mas a aparência, o aspecto infeliz, maltratado. Moela é uma prima pobre do fígado. E eu odeio fígado com todas as forças. A chance de eu comê-lo é a mesma de o Ronaldinho Gaúcho virar gandula da Ponte Preta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode me chamar de baitola, mas não como nada que seja um órgão de animal. Nada de coração, fígado, rim, pulmão, cérebro etc. Não por ideologia naturalista, mas por puro nojo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– De onde vem a moela, mãe?&lt;br /&gt;– Da galinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Agora é que eu não coloco aquilo na boca mesmo. Como assim da galinha? Em que parte daquele corpinho sai a barrenta moela? Logo imaginei que fosse perto de onde sai o ovo, mas, com a ajuda do dicionário, a idéia logo evaporou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moela, s. f.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;parte muscular do tubo digestivo que surge nas aves e em vários invertebrados imediatamente após o papo, que é por vezes revestida com estruturas semelhantes a dentes, podendo conter pequenas pedras no seu interior, e que executa funções de trituração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moela é um músculo! Não um músculo qualquer, mas um do tubo digestivo, logo, passa comida ali. Ou seja, indiretamente, você, que gosta de moela, está comendo o que a galinha saboreou no seu último almoço. Fora a parte “estruturas semelhantes a dentes, podendo conter pedras”. Dentes, como assim? Que pedras? Pelo amor de Deus, parece um monstro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mãe, frita um hambúrguer, por favor.&lt;br /&gt;– Tá, meu filho. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-5594485141025617272?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/5594485141025617272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=5594485141025617272&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5594485141025617272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5594485141025617272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/02/moela-e-eu.html' title='A moela e eu'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-8741076778570635315</id><published>2009-02-27T19:59:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T20:02:24.355-08:00</updated><title type='text'>Beterraba tem gosto de milho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desculpe a ignorância desde já, mas beterraba tem gosto de milho, sim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que algum de vocês vai dizer não, e que a beterraba é uma planta herbácea da família das Quenopodiáceas, e o nome é derivado do substantivo francês “betterav”. Outros, mais exaltados, dirão, a respeito do milho: “É um dos alimentos mais nutritivos que existem, contendo quase todos os aminoácidos conhecidos, sendo exceções à lisina e o triptofano”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas continuo com a minha opinião, não importa o que digam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, a mãe deste pobre rapaz, cozinheira de mão cheia, fez beterraba cozida para o almoço. A minha primeira reação foi:&lt;br /&gt;– Tem gosto de milho!&lt;br /&gt;– Tá louco? – gritou minha mãe, achando estranho.&lt;br /&gt;– Sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor já deve ter percebido que não sou um profundo comedor (?) de beterraba. Lembro das minhas experiências – não muito agradáveis – na merenda da escola.&lt;br /&gt;– Tem o que hoje, tia? – perguntava eu, com a esperança de ser bife com batatas fritas.&lt;br /&gt;– Peixe, salada de beterraba e suco de caju.&lt;br /&gt;– Eca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos, agora, falar do outro personagem deste texto: o milho. Com exceção da pamonha, do cuscuz, do cereal, do suco, do sorvete, do cural, da broa e do pão, eu até gosto de milho. Cozido, com a espiga ainda, nossa, é ótimo. Só tem um porém:&lt;br /&gt;– Tem gosto de beterraba, mãe – digo, comendo o tal milho na espiga.&lt;br /&gt;– Tá doido? Você disse uma vez que beterraba tem gosto de milho. Agora isso? – reclama ela, nervosa.&lt;br /&gt;– É isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milho e beterraba são, meu caro leitor, sinônimos de sabor. Tem o mesmo significado em formas diferentes, digamos. Acontece com outros produtos alimentícios, é claro. Só para citar alguns exemplos que pesquisei entre os amigos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cereja tem sabor de ameixa.&lt;br /&gt;- Sorvete de mangaba tem gosto de jaca&lt;br /&gt;- Chuchu lembra abobrinha.&lt;br /&gt;- Pão de sal é igual cevada.&lt;br /&gt;- Graviola parece banana misturada com maçã.&lt;br /&gt;- Nhoque tem gosto de lasanha&lt;br /&gt;- O sorvete “Sem Parar Black” tem gosto de recheio de “Chocolícia”.&lt;br /&gt;- Açaí tem gosto de terra.&lt;br /&gt;- Suco de abacaxi com menta parece acelga.&lt;br /&gt;- Pêra tem gosto de água suja.  &lt;!-- JOM COMMENT START --&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-8741076778570635315?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/8741076778570635315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=8741076778570635315&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8741076778570635315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8741076778570635315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/02/beterraba-tem-gosto-de-milho.html' title='Beterraba tem gosto de milho'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-3361118913787776318</id><published>2009-02-22T19:53:00.000-08:00</published><updated>2009-02-22T20:14:19.436-08:00</updated><title type='text'>A origem das verbâmidas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao longo da curta existência deste pobre blog, muita gente me questionou sobre a origem e o significado da palavra que lhe dá nome: Verbâmidas. As pessoas, absortas em seus pensamentos, tentaram de diversas maneiras encontrar a desconhecida etimologia do termo: “talvez verbâmidas venha do grego arcaico, ou do latim...quem sabe de algum dialeto africano, não sei”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que hoje, por pura falta de assunto, resolvi revelar a origem do tão misterioso termo. É claro que, para continuar o suspense, me reservo o direito de discorrer sobre três vertentes possíveis. Uma delas é a correta. Escolha a sua e seja feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1)&lt;/span&gt; Verbâmida é, na verdade, uma planta encontrada exclusivamente nos campos do sul da Austrália, onde, no verão, a temperatura chega aos míseros 47 graus. A orquídea, de coloração verde-azulada, consegue reter água durante o período de clima seco, que dura aproximadamente nove meses e meio. Diz a lenda que o homem que beber a água armazenada na verbâmida ganha a capacidade da escrita na língua dos deuses aborígines.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2)&lt;/span&gt; “Verbâmida” é um termo cunhado pelo Papa Pio VI para designar os poetas eróticos de Roma, durante os anos da Santa Inquisição. “Enforque este verbâmida dos infernos!”, era uma frase corrente entre os membros do Clero. Mesmo perseguidos pela Igreja, os Verbâmidas eram considerados verdadeiros heróis, pois, com seus quentes poemas, elevavam a libido da população a níveis nunca antes atingidos. Surgiu, então, a Ordem Secreta dos Verbâmidas, que durante muitos anos produziu grandes quantidades de literatura erótica, influenciando gente do gabarito de Balzac e Henry Miller.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3)&lt;/span&gt; “Verbâmidas” não significa absolutamente nada. A palavra foi criada pelo compositor, escritor e dramaturgo Chico Buarque de Holanda para dar nome ao jornal produzido pelos estudantes do Colégio Santa Cruz, em São Paulo, lá pelos anos 50. No jornal, aliás, Chico publicou suas primeiras crônicas e poemas. Também atuou no periódico um dos maiores jornalistas brasileiros, Ricardo Kotscho, na época tão jovem quanto Chico Buarque.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-3361118913787776318?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/3361118913787776318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=3361118913787776318&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3361118913787776318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3361118913787776318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/02/da-origem-das-verbamidas.html' title='A origem das verbâmidas'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-4748406345309021654</id><published>2009-02-21T14:12:00.000-08:00</published><updated>2009-02-22T11:44:23.478-08:00</updated><title type='text'>Adeus, chocolate!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contrariando as minhas convicções mais ou menos de esquerda, no qual não se conversa nunca sobre batatas fritas, chuveiros elétricos ou tênis da moda, eis que hoje, especialmente, dedicarei uma crônica inteirinha a um assunto com claro espírito burguês e capitalista: as bolachas de morango.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é segredo para ninguém que eu as odeio. E não é nenhum preconceito bobo: eu já provei diversas marcas, testei por tortuosos anos, tentei aceitar as suas diferenças em relação aos outros sabores; mas, sinto muito, não dá, senhorita Morango! Não consigo gostar de você de jeito algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sabor é altamente enjoativo, causador de diversos problemas estomacais e psicológicos em pessoas menos treinadas, como eu. Confesso que nunca consegui passar da terceira ou quarta bolacha de morango. Sempre rejeito a quinta, e logo vou ao banheiro desabafar as mágoas com o vaso. Eca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bolacha de morango, meu camarada, é um claro exemplo do golpe da burguesia-publicitária-consumista, no qual somos influenciados a comprar produtos que não gostamos verdadeiramente: refrigerantes, sapatos de salto, livros de vampiros adolescentes e CDs da Britney Spears são alguns outros exemplos dessa influência macabra dos publicitários em nosso cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, pobres brasileiros, aceitamos assim, de bom grado, toda essa campanha a favor do famigerado morango, rejeitando toda a tradição camponesa do chocolate, que trabalhou duro, incansavelmente, e, numa terrível batalha de classes com a baunilha, conquistou o seu espaço. A bolacha de morango se aproveitou da fraqueza da sociedade, entrou em nossos lares e seduziu as criancinhas indefesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, tudo bem, eu sei que num país livre e democrático as pessoas têm o direito de escolher o sabor das coisas que comem, assim como podem votar para vereador, mas aqui em casa, não! Eu não tenho direito algum sobre o sabor da bolacha. Minha mãe é um ditador da burguesia-publicitária-consumista. É ela quem escolhe, e é sempre morango. Assim não dá, companheiro. Como dizia o camarada Cazuza, “enquanto houver burguesia, não vai haver chocolate”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-4748406345309021654?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/4748406345309021654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=4748406345309021654&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4748406345309021654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4748406345309021654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/02/adeus-chocolate.html' title='Adeus, chocolate!'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-5549706352914127837</id><published>2009-02-15T14:25:00.000-08:00</published><updated>2009-02-15T15:58:19.145-08:00</updated><title type='text'>Deixe sua mensagem após o sinal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conforme os dias, meses e anos passam por debaixo da ponte, nós, seres pensantes, constatamos, surpresos, que algumas de nossas ideias mais absurdas se encaixam perfeitamente neste sistema tão complexo chamado sociedade. Cheguei a essa conclusão num dia desses, no trem, no momento exato em que o celular de alguém fez aquele barulho inconfundível:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Prrrrrrrrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmm”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que eu não goste de celulares, pelo contrário: acho bonitinhos, simpáticos, revolucionários talvez, principalmente se tiver uns ursinhos vermelhinhos desenhadinhos na capinha. Meu problema com eles é outro: custo e benefício!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí entra minha constatação mirabolante: as pessoas não usam o celular. Elas gastam uma fortuna em um telefone que filma, fotografa, joga, chupa cana, dança funk, entre outras tecnologias, mas, infelizmente, não usam a sua função primordial: a comunicação. Você liga uma, duas, quinze vezes, e a pessoa simplesmente não o atende. Deixa dentro da bolsa, no carro, na casa do amante, ou no “silencioso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe, por exemplo, não utiliza o dela. Ela trocou de aparelho há alguns meses e até hoje eu não consegui contatá-la quando eu preciso. Pra que ter celular então? Compre algo mais útil, caramba! Talvez um cortador de frutas, um aparador de unhas eletrônico, uma televisão voadora, não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é só com a minha mãe: na grande maioria das vezes que eu ligo para alguém, não sou atendido. Talvez o problema seja comigo, talvez eu seja um chato de galochas, um idiota, um perseguidor de criancinhas indefesas. Ou, quem sabe, a minha orelha envie um sinal a todos os celulares do mundo, impedindo que o botãozinho verde seja apertado por seus donos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Prrrrrrrrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmm”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O celular continuou tocando lá no trem. Não atenderam. O toque prosseguiu por longos e intermináveis dez minutos. Dez minutos! . O senhor ao meu lado me olhou com uma expressão acusadora: “É seu, não é?”, ele deve ter pensado. Mas não era. Talvez o dono tivesse sumido, desaparecido no ar, viajado para um mundo perfeito, um mundo sem bolachas de morango, Zorra Total e celulares com usinhos vermelhinhos desenhadinhos na capinha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-5549706352914127837?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/5549706352914127837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=5549706352914127837&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5549706352914127837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5549706352914127837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/02/deixe-sua-mensagem-apos-o-sinal.html' title='Deixe sua mensagem após o sinal'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-8517406974707141913</id><published>2009-01-16T18:30:00.000-08:00</published><updated>2009-01-16T18:38:14.183-08:00</updated><title type='text'>Dividido em duas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele não é bonito como esses atores do cinema americano nem tão másculo quanto o Alexandre Frota, mas em seus quase 20 anos de vida pode ser considerado uns dos homens mais desejados da cidade de São Paulo. Seu estilo é variado: roqueiro quando convém, playboy dependendo da garota, ou sensível se a ocasião necessitar. *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo fazendo parte dos sonhos de uma dezena de garotas que o conhecem, o rapaz decidiu tomar jeito: dispensou todas as suas pretendentes e pediu em namoro as duas garotas que mais gostava. Elas aceitaram. Uma não sabendo da outra, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Namorar duas pessoas ao mesmo tempo realmente não deve ser fácil. São horas e horas perdidas com planos de encontros em lugares fora do alcance de vista da “outra”. “Cara, eu nunca posso me sentar na frente de um bar, por exemplo. Imagina se minha primeira namorada passa de ônibus e me vê com a segunda...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem também os intermináveis presentes dados às duas em datas comemorativas, como o Natal e Dia dos Namorados. Só aí já são quatro para cada uma. “Dou presente também nos aniversários de namoro e em mais alguns dias especiais que prefiro não revelar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fama de garanhão do rapaz não é recente: ele começou cedo, mais precisamente aos seis anos de idade. “Minha prima Raquel, com sete anos na época, me encostou na parede e meteu aquela língua na minha boca”. A partir daquele momento, ele não descansou enquanto não conquistou o maior número de mulheres possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje, o rapaz contabiliza umas 60 garotas em sua lista de namoros breves. “Isso porque sou feio, se eu fosse bonito, passaria de 200”, diz, orgulhoso. Segundo os seus cálculos, são mais ou menos 13 loiras, 17 morenas, sete ruivas, três negras e dez inclassificáveis. Sim, mas, somando, o número chega a 50. E as outras dez? “Bom, as outras eu não me lembro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tática usada para conquistar as mulheres é, segundo o rapaz, um dos seus diferenciais. “Geralmente, as mulheres dão mais valor ao o que você diz e não se importam muito com a sua aparência”. Por isso, o garoto investe cada vez mais em aperfeiçoar o seu vocabulário e o seu rol de possíveis assuntos. “Sei falar sobre muitas coisas que você nem imagina, meu caro”, completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando ao caso de suas duas namoradas, o rapaz ainda continua confuso: não sabe qual vai eleger como única. “Na verdade, eu gosto de uma só”, disse certa vez. “E qual delas seria?”, lhe perguntaram. “Bom, ainda não descobri”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Preservamos o nome para evitar problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-8517406974707141913?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/8517406974707141913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=8517406974707141913&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8517406974707141913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8517406974707141913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2009/01/dividido-em-duas_16.html' title='Dividido em duas'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-8010767290790547026</id><published>2008-12-28T12:21:00.000-08:00</published><updated>2008-12-28T12:27:04.771-08:00</updated><title type='text'>2008: sim, esse terminou</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ainda não aconteceu, mas tenho certeza que até o dia 31 alguém gritará: “2008 passou rápido, não?”. Desculpe, eu não achei. O ano passou da maneira como deveria: igual a todos os anteriores e, provavelmente, parecidíssimo com os que estão por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janeiro, por exemplo, foi igualzinho: chuvas, enchentes, calor, tédio e Big Brother Brasil. Será assim no próximo também, duvida? O primeiro mês do ano continuou com 31 dias, com 24 horas cada um. Fevereiro teve um dia a mais, é verdade. Ou seja, 2008 durou além do normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, os primeiros meses do ano são sempre esquecidos no final. Eu não lembro de nada tão importante, pra falar a verdade. É claro que vivemos tragédias, crimes bárbaros, essas coisas; mas nós, brasileiros, nos acostumamos entre uma tragédia e outra. O que seria do Brasil sem casos de Isabelas e Eloás, sem contar quedas de avião (esse ano não teve nenhuma, ufa!), seqüestros de gente famosa, corrupção? Apesar de eu gostar daqui, viu? E tenho orgulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2008 foi diferente também pelo número de datas comemorativas. Só para citar algumas que me vêm à mente: 200 anos da vinda de D. João VI ao Brasil, 100 anos do início da imigração japonesa, 100 da morte de Machado de Assis, 40 do aclamado 1968 e do AI-5, 100 anos de Cartola, 50 anos da bossa nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico pensando no que vamos comemorar daqui a alguns anos, como nos lembraremos de 2008? Sinceramente eu não sei. Foi totalmente normal para mim, com algumas pedras no meio do caminho, é claro, mas nada que não se resolva. Coisas boas também, muitos amigos e pessoas generosas. Consegui um emprego! Tive um dinheirinho só meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Aliás, taí uma palavra que viciei em 2008: enfim. Todo texto meu tem um ‘enfim’, já reparou? “Aliás” também! “Apesar”! Outra palavra que vicei foi “adeus”. Não sei por que, mas ela me parece tão bonita. Adeus. A Deus. Há Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanta besteira me deixou confuso. O ano acabou e eu não sei como terminar o texto. Vai assim mesmo: Feliz 2009!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-8010767290790547026?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/8010767290790547026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=8010767290790547026&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8010767290790547026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8010767290790547026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/12/2008-sim-esse-terminou.html' title='2008: sim, esse terminou'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-7916079421037793979</id><published>2008-12-26T13:03:00.000-08:00</published><updated>2008-12-27T07:53:46.495-08:00</updated><title type='text'>"Um dia as pedras se encontram"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Odeio despedidas. Aliás, alguém gosta? Tudo bem que existe aquele sentimento de perda e tristeza que o meu coração mórbido e masoquista aprecia, porque, além de tudo e de outras coisas, eu, você e todos nós, gostamos de sofrer um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se despedir é um porre. E se for permanente, ou seja, se você nunca mais vai ver a pessoa, é duas vezes ruim. Você relembra todos aqueles momentos que passaram juntos, todas as discussões, as brigas, os beijos e abraços etc. E o pior é que, agora, no calor (ou no frio) do adeus, esses momentos até parecem bons, alegres, deixam a sensação de dever cumprido, de experiência vivida, de “tivemos que passar por isso, não é?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coração aperta, são trocadas as últimas palavras, os últimos olhares, as últimas obrigações burocráticas. Ah, se sobrasse mais um tempinho pra conversar, eu diria que sentirei sua falta, que adorei reclamar com você, falar mal dos outros, enfim, ser estagiário com você. Mas o mundo não é feito de “se”; o mundo é composto de salas quadradas com computadores sem coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, infelizmente, no final a gente sempre diz, com lágrimas nos olhos: “Ah, um dia eu passo por aqui, a gente marca alguma coisa”. Mas ambos sabem que isso não vai acontecer. Nunca acontece. As histórias precisam de um ponto final, não de reticências... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o fim está chegando, não há mais palavras. Vamos embora e nunca mais nos veremos...As músicas tocam nas caixas lá em cima, músicas que sempre consideramos chatas, mas que agora até parecem legais, emocionantes...Através da janela, nós vemos os prédios e a chuva, como em todas as despedidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-7916079421037793979?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/7916079421037793979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=7916079421037793979&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7916079421037793979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7916079421037793979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/12/um-dia-as-pedras-se-encontram.html' title='&quot;Um dia as pedras se encontram&quot;'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-5421342378383202673</id><published>2008-12-14T11:11:00.000-08:00</published><updated>2008-12-14T11:49:46.471-08:00</updated><title type='text'>O bêbado e a perna esquerda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A enfermeira passou por ele* com uma cara de piedade no rosto. Era a mesma expressão de pena e compaixão que ela lançou a todos os enfermos do Hospital São Marcos, em Ferraz de Vasconcelos. Era o fim para ele, pelo menos para uma parte dele. A última cena de um espetáculo que ninguém viu. E se houve espectadores, eles se retiraram antes do segundo ato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém foi visitá-lo no hospital: nenhum dos seis filhos que teve, nenhuma das duas ex-esposas, dos muitos parentes, dos poucos amigos. Ninguém. Todos se afastaram quando perceberam que as farras não teriam fim e as bebedeiras continuariam eternamente. “Você acha que alguém gosta de bêbados?”, questiona. “Bêbados são inconvenientes, cheiram mal, falam verdades às pessoas. E esse povo não gosta dessas coisas, principalmente das verdades”, filosofa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diagnosticado com trombose na perna esquerda, ele deveria amputá-la. “Eu não sei o que aconteceu, me disseram ‘você vai ter de tirar a perna’, eu disse ‘tudo bem, que dia?’”. Quatro semanas depois, lá estava ele deitado na desconfortável maca, esperando a operação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os médicos entraram na sala, diferentes que são de suas ajudantes. “Médico não tem sentimento”, diz. “Eles me olham como um idiota que resolveu ficar doente por falta do que fazer”. Mais um doente, mais uma operação, mais tempo perdido. “Às vezes eu tenho a impressão que eles nos liberam do hospital só para morrermos em casa, sabe?”, completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois homens de branco se aproximaram, com os instrumentos nas mãos. “Agora tudo está perdido”, pensou na hora. Era a última vez que ele veria sua perna esquerda. Dali a poucos minutos, seria alcançado pelo sono devastador da anestesia. Em poucas horas, sua perna não estaria mais lá, ela o deixaria para sempre: um pedaço morto separando-se de um corpo ainda vivo. “Foi o preço de uma vida do caralho”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordou, ele ainda a sentiu. Eles desistiram? Se deram conta da importância do membro para o homem? “Eu senti como se minha perna ainda estivesse lá”, disse. Mas não estava. Fora embora para algum lugar onde se guardam as pernas amputadas. “Imagino lugares onde eles escondem essas coisas, pernas, braços, mãos, pés”. O Campo dos Desmembrados? “É, talvez, mas gosto mais de A Terra dos Membros Perdidos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deve ser fácil perder uma parte do corpo em uma cidade com as limitações físicas de São Paulo, que em poucos lugares pode ser chamada de acessível. “É complicado realmente, ainda mais quando você joga futebol”, explica. “Agora vou ter que virar goleiro”. E vai parar de beber? “Eu não, pra quê? Já perdi uma perna, estou ficando velho e a bebida é a única coisa que me deixa feliz”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* resolvemos ocultar o nome para evitar problemas lá na rua. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-5421342378383202673?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/5421342378383202673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=5421342378383202673&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5421342378383202673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5421342378383202673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/12/o-bbado-e-perna-esquerda.html' title='O bêbado e a perna esquerda'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-546401032144836987</id><published>2008-12-03T18:37:00.000-08:00</published><updated>2008-12-03T19:05:21.766-08:00</updated><title type='text'>A gostosa e eu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Confesso que eu já havia perdido a esperança de encontrar algum assunto merecedor de uma crônica para este blog vil até que, hoje, esperando o ônibus, aconteceu um fato digno dos melhores folhetins globais, me deixando a nítida sensação de estranheza com a pequenez do mundo em que vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, cabe uma volta ao passado: em algum dia deste ano, Sato, Daniel e eu voltávamos da faculdade pela Rua Bresser quando, sem mais nem menos, uma gostosa nos roubou o olhar. E que gostosa! Merece até o adjetivo gostosíssima (que é para poucas). Como diz Antonio Prata, uma gostosa é um acontecimento literário. Concordo. Ficamos, como sempre, com a gostosa na cabeça; quero dizer, no pensamento (para não gerar interpretações alternativas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, eis que hoje, alguns meses (e quilômetros) depois, eu encontro a gostosa no mesmo ponto de ônibus onde todos os dias espero impacientemente o meu coletivo. E para deixar a história mais novelesca ainda: ela estava conversando com a minha amiga de ônibus-comum Rita, premiada vendedora da Avon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que eu fui puxar conversa. Afinal, sou amigo da Rita, poxa. Foi aí que eu conheci a gostosa. Monique é o nome dela. Particularmente, eu sempre achei Monique um nome lindo, digno de princesas francesas do século XVIII, mais ou menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu já não te vi em algum lugar? – perguntei à princesa.&lt;br /&gt;– Será?&lt;br /&gt;– Você estuda na São Judas?&lt;br /&gt;– Não. Estudo no Camargo Aranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto: descobri a América! Então é de lá que você vem, princesa. Tão perto de mim. Conforme o papo foi rolando eu conheci outros segredos da Monique: ela trabalha de operadora de telemarketing, fez curso técnico de secretariado, mora na minha rua, freqüenta o Kabulando (bar vizinho da São Judas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que a Monique percebeu que havia interesse no meu papo. Logo que eu cheguei, ela deve ter ouvido o meu pensamento: “Você não é aquela gostosa?”. Coitada. As gostosas devem sofrer muito, admiradas que são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus passou e nos levou embora. No ponto perto da minha casa, eu desci; a Monique desce dois pontos depois, logo após a subida, mais ou menos próximo do Bar do Mané, pertinho da escola. Enfim, por alguns minutos a gostosa foi "minha". Amanhã, de quem será? Impossível saber: gostosa não tem dono.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-546401032144836987?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/546401032144836987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=546401032144836987&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/546401032144836987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/546401032144836987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/12/blog-post.html' title='A gostosa e eu'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-6426619917196136724</id><published>2008-11-20T15:52:00.000-08:00</published><updated>2008-11-21T14:37:43.826-08:00</updated><title type='text'>Conversando com um caro amigo</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;– E aí, meu caro, é agora ou nunca.&lt;br /&gt;– Então será nunca. E a coragem?&lt;br /&gt;– Ah, sei como é. Também tenho vergonha.&lt;br /&gt;– Mas e a outra?&lt;br /&gt;– Está longe.&lt;br /&gt;– Você quer isso mesmo?&lt;br /&gt;– Não, mas ela não me deixa outra escolha.&lt;br /&gt;– Claro que não. Meu, como você consegue fazer isso?&lt;br /&gt;– Eu não sei.&lt;br /&gt;– Depois você vai sair daqui, pensar, e vai dizer o mesmo de sempre: ‘eu sou um merda’.&lt;br /&gt;– Pois é. Mas não posso me livrar dela, você sabe. Eu a amo mais que tudo.&lt;br /&gt;– Ama nada... eu me livrei da minha. Você pode fazer o mesmo.&lt;br /&gt;– Como?&lt;br /&gt;– Não sei explicar.&lt;br /&gt;– Somos iguais, não é? Sobre tudo isso que fazem com a gente...somos iguais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhamos para o lado, disfarçando a angústia. E vamos lá novamente, meu amigo: drogados do mundo, embriagados de culpa, bêbados de nós mesmos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-6426619917196136724?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/6426619917196136724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=6426619917196136724&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6426619917196136724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6426619917196136724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/11/conversa-com-um-caro-amigo_20.html' title='Conversando com um caro amigo'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-2763601488902450441</id><published>2008-11-18T15:45:00.000-08:00</published><updated>2008-11-19T13:07:15.794-08:00</updated><title type='text'>Notas de um zoológico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cão sobrevivente fica dentro de pára-choque após colisão a 110 km/h; Filhote de tigre recebe transfusão de sangue após agressão na Índia; Cão é levado ao veterinário após ter boca colada na Inglaterra; Peixes usam consenso para escolher líderes, diz pesquisa; Pit bull dá marcha a ré em carro e pega estrada nos EUA; Bototerapia usa poder curativo do boto-cor-de-rosa; Sósia de gato de ‘Cemitério Maldito’ volta para casa após 13 anos; Com cérebro de semente de gergelim, abelha conta só até quatro; Viúvo e bom partido, único gorila da Índia busca namorada; Com socos e chutes, mulher enfrenta veado para salvar poodle; Aranha que poupa marido e come paquera tem mais filhos; Cães feridos em combate ganham hospital de US$ 15 mi nos EUA; Égua curiosa é resgatada de árvore; De origem russa, gato ganha título de melhor dos EUA; Peixes siameses dividem tarefas em aquário na Tailândia; Urso entra em lanchonete, olha ingredientes e desiste de comer no Canadá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...e o burro do Leandro leu tudo isso. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-2763601488902450441?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/2763601488902450441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=2763601488902450441&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2763601488902450441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2763601488902450441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/11/notcias-de-um-zoolgico.html' title='Notas de um zoológico'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-3969588971491976560</id><published>2008-11-16T11:44:00.000-08:00</published><updated>2008-11-16T12:30:01.895-08:00</updated><title type='text'>Eu escolho o filme?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu me senti o maior dos homens no dia em que fui ao cinema pela primeira vez na vida, mais ou menos em 1994, quando ainda havia esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Qual filme você quer ver? – perguntou-me o rapaz da bilheteria.&lt;br /&gt;– Power Rangers! – eu disse, todo entusiasmado.&lt;br /&gt;– Tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz me entregou o ingresso e nós, mamãe e eu, entramos naquela sala escura, onde os monstros mais terríveis do universo se escondiam para cochilar nos momentos de folga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentamos na confortável poltrona, mamãe buscou a pipoca e a Sukita (ainda existe?). Esperamos uns minutinhos e a exibição começou. Para a minha total surpresa, era Power Rangers mesmo, o filme que eu pedi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como assim? A gente escolhe o filme que vai ver no cinema? – eu perguntei para mamãe, em silêncio, afinal, não queria atrapalhar as outras três pessoas que estavam na sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo ganhou outro sentido para mim depois daquele dia: eu posso escolher o filme no cinema! Isso é demais. Até aquele momento, eu tinha certeza que éramos obrigados a assistir ao filme que o moço queria. Ele é o dono, ele decide. Quem somos nós para ditar alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Vocês vão ver Nosferatu! – eu imaginava o moço dizendo, cheio de sangue nos dentes. E nós ali, quietinhos no canto, aceitávamos de bom grado.&lt;br /&gt;– Sim, senhor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu sei que não é bem assim. Estamos num país democrático, temos sim o direito de escolha sobre vários assuntos de nossas vidas: o filme, a namorada, o papel de parede do computador, a cor e o tipo da cueca, a marca do tênis, a hora que vamos ao banheiro, entre outras coisas menos importantes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-3969588971491976560?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/3969588971491976560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=3969588971491976560&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3969588971491976560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3969588971491976560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/11/eu-escolho-o-filme.html' title='Eu escolho o filme?'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-5983430616336394164</id><published>2008-11-11T15:12:00.000-08:00</published><updated>2008-11-11T15:13:33.759-08:00</updated><title type='text'>Sem título</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um dia eu pretendo escrever tudo o que vier na minha cabeça sem me preocupar com vírgulas acentos e pontos de exclamação nem com bobagens de amor e de garotas que passam por mim porque eu não gosto delas realmente apesar de amar escrever sobre elas e imaginar o dia em que vão ler e eu odeio escrever releases chatos de artistas chatos que vem lá do Rio de Janeiro para fazer show aqui em São Paulo só para me aborrecer e odeio escrever coisas chatas e notícias chatas pois eu quero mesmo é ser cronista e poder falar de qualquer coisa que eu quiser e do jeito que eu quiser sem me preocupar com lead e pirâmide invertida e diagramação e todas essas porcarias de regras do jornalismo ah e se eu pudesse também acabaria com essa besteira de economia pelo resto da minha vida e não faria contas chatas para provas chatas que não levam ninguém a lugar nenhum e não me preocuparia com o texto de cibercultura que tanto me deixou chato hoje porque eu não entendi nada pois as palavras são difíceis e as metáforas também e amanhã tem prova.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-5983430616336394164?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/5983430616336394164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=5983430616336394164&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5983430616336394164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5983430616336394164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/11/sem-ttulo.html' title='Sem título'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-2403306341132257242</id><published>2008-10-31T16:27:00.000-07:00</published><updated>2008-10-31T18:47:53.236-07:00</updated><title type='text'>Mariana cheia de tudo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Mariana não gosta de: palavras cruzadas, arte presunçosa, textura do bolo de chocolate, shows de blues, roupas pretas, aquecedores elétricos, uva verde, música alta, palestras sobre semiótica, peças de teatro para idosos, cebola na esfiha de carne, rock pesado, andar rápido, calças apertadas, tênis caros, fones de ouvido, aliança de compromisso, trabalhar no Sesc, livros em espanhol, filmes argentinos, homens que rebolam demais, desculpas esfarrapadas, freses sem sentido, dormir às oito da noite, televisão aos domingos e nuvens de verdade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Mariana realmente gosta de: carne seca, música instrumental, tocar piano, salada de brócolis com acelga, dança nas noites de sábado, palestras sobre teatro, filmes italianos, filmes espanhóis, mochilas, filmes brasileiros, pirulito depois do almoço, dormir à tarde, namorar no banquinho da praça, xingar os chefes, estudar partituras, conversar sobre a eficiência dos elevadores, chinelos, cheiro de chuva, vestidos floridos, jogar futebol, cantar Nara Leão, imaginar besteiras, melancia com arroz, me encorajar a escrever mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-2403306341132257242?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/2403306341132257242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=2403306341132257242&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2403306341132257242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2403306341132257242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/10/mariana-cheia-de-mundo.html' title='Mariana cheia de tudo'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-5483269746547774543</id><published>2008-10-28T15:07:00.000-07:00</published><updated>2008-10-28T15:25:09.751-07:00</updated><title type='text'>Musa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vejo-te em texto, em sílabas ao vento, em doces palavras, em tortas rimas. Imagino-te um poema, uma carta de amor, uma letra de música, um conto peregrino, um romance passageiro em limpas páginas. Não te desejo: só te quero em meu teclado, em minha tela, em pensamento, em devaneios sem sentido. Não te anseio croncreta, só projeto, construção, impossibilidade. Não te espero verdadeira, mas sim inverdade absoluta, um sonho, uma utopia, um não, um talvez, um final mal entendido. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-5483269746547774543?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/5483269746547774543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=5483269746547774543&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5483269746547774543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/5483269746547774543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/10/musa.html' title='Musa'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-7305138855713920802</id><published>2008-10-23T16:30:00.000-07:00</published><updated>2008-10-23T16:32:53.699-07:00</updated><title type='text'>A sonolência sem fim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho certeza que se algum desses cientistas me examinassem um dia descobririam o segredo da minha vida no primeiro olhar mais apurado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O seu sono não é deste mundo, Leandro. – me diria um deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, meio cabisbaixo, teria que concordar: sim, problemas com o dormir realmente fazem parte da minha vida. Não é nada de apnéia, insônia, sonambulismo, essas coisas meio classe média, saca? A minha dificuldade é de peão mesmo! É ter sono demais! Mais que demais, é quase insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego a pensar que eu, sujeito menor, posso alcançar a maior glória do universo: ser o primeiro homem a morrer de sono. Isso mesmo: vou chegar ao limite da sonolência e, ao invés de dormir por ali mesmo, meu espírito abandonará o corpo vil para ir morar ao lado de Deus, quem sabe, lá atrás das montanhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa é tão séria, meu caro, que os métodos anti-sono não têm mais efeitos sobre mim. Café, remédios, energéticos, ervas indígenas, entre outros, não funcionam. Pelo contrário, tenho a impressão que eles pioram a situação. Deve ser psicológico, só pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto escrevo este texto, imagino por alguns segundos a minha cama, ali, tão linda, tão macia, tão perfeita. Ela está me esperando, me chamando; venha, Leandro, durma, durma, descanse este coração infeliz...Não, agora não posso, tenho que terminar a crônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, dormir dez, doze, treze horas também não ajuda. Quanto mais eu durmo, mais sono eu tenho. E isso não é privilégio meu; já coletei depoimentos de pessoas que passam por esse empecilho também. Talvez seja um mal da sociedade contemporânea, da modernidade, dos meios de comunicação, da semiótica aplicada, do fim do comunismo, essas coisas.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-7305138855713920802?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/7305138855713920802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=7305138855713920802&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7305138855713920802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7305138855713920802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/10/sonolncia-sem-fim.html' title='A sonolência sem fim'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-1702936963884491658</id><published>2008-10-14T16:06:00.000-07:00</published><updated>2008-10-15T14:29:44.213-07:00</updated><title type='text'>O misterioso bichinho da lâmpada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Exatamente neste minuto em que escrevo, na terça-feira à noite, chego a seguinte constatação bombástica: a população de “bichinhos da lâmpada” aumentou consideravelmente nos últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu os chamo assim, “bichinhos da lâmpada”, na falta de um nome melhor ou científico, pois, como você deve saber, não sou biólogo e nem pretendo ser tão logo, já que não possuo nenhum talento para o ramo – e também pelo fato do terrível medo que sinto de um certo animal chamado “lacraia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando aos adoradores da lâmpada, eu não os entendo: é só fazer um calorzinho em São Paulo e eles aparecem aos montes. Estou olhando para uma lâmpada neste instante e posso ver centenas voando alegremente, um vôo meio kamikaze, meio esquadrilha da fumaça, saca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra questão me aflige: por que eles só aparecem em dias quentes? No frio, ninguém os vê. Talvez por estarem escondidos, sei lá, se reproduzindo prazerosamente para a guerra santa que travam contra a raça humana a cada triste verão. Na verdade, guerra mesmo não tem, já que eles ficam lá em cima sem atrapalhar ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é que eu tenha algo contra eles, pelo contrário: simpatizo! O que me inveja profundamente é aquele vôo suicida. Fico pensando como eles não se chocam, não batem de cabeça com um companheiro de lâmpada, não morrem por escolherem um caminho errado, uma rota mal planejada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nas asas, já reparou? Não são normais: elas se movem de forma diferente dos outros insetos voadores. Aliás, o bichinho da lâmpada faz algum som quando está no ar? Eu nunca ouvi. Espero que não seja igual ao do temível pernilongo, meu algoz em dias calorentos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O bichinho da lâmpada é tão misterioso que nem um final digno eu tenho para o texto sobre ele. O que resta mesmo observá-lo cortar o ar com as suas asinhas de helicóptero e sonhar meu dia melhor amanhã, meio kamikaze, meio esquadrilha da fumaça, saca?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-1702936963884491658?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/1702936963884491658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=1702936963884491658&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1702936963884491658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1702936963884491658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/10/o-misterioso-bichinho-da-lmpada.html' title='O misterioso bichinho da lâmpada'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-7593234674346926578</id><published>2008-10-12T17:27:00.000-07:00</published><updated>2008-10-12T17:31:07.827-07:00</updated><title type='text'>Autopsicografia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;big&gt;O poeta é um fingidor. &lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;big&gt;       Finge tão completamente&lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;big&gt;       Que chega a fingir que é dor &lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;big&gt;       A dor que deveras sente. &lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;big&gt;       &lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;big&gt;       E os que lêem o que escreve, &lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;big&gt;       Na dor lida sentem bem, &lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;big&gt;       Não as duas que ele teve, &lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;big&gt;       Mas só a que eles não têm.&lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;big&gt;       &lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;big&gt;       E assim nas calhas de roda &lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;big&gt;       Gira, a entreter a razão, &lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;big&gt;       Esse comboio de corda &lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;big&gt;       Que se chama coração.&lt;/big&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-7593234674346926578?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/7593234674346926578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=7593234674346926578&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7593234674346926578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/7593234674346926578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/10/autopsicografia.html' title='Autopsicografia'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-1078506567852884628</id><published>2008-10-08T16:27:00.000-07:00</published><updated>2008-10-08T16:43:55.210-07:00</updated><title type='text'>Do livro e outros demônios</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sempre tive curiosidade para saber o que as pessoas estão lendo. Faço de tudo para descobrir: entorto o pescoço, olho de lado, disfarço, tento de novo, procuro outra vez, enfim, desejo furiosamente conhecer qual é o livro que o rapaz moreno na minha frente está segurando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Será um Gabriel García Márquez? – eu penso, esperançoso. Talvez. Ele tem jeito que curte o Gabo, sei lá: está vestindo uma camisa vermelha, e isso é um forte indício. Cem anos de solidão ou Crônica de uma morte anunciada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se for um livro novo, um lançamento? E agora, cara? Eu preciso saber qual é! O rapaz moreno conhece um livro do García Márquez que nem em sonho eu supunha existir. O que é isso? Lançam coisas novas e nem avisam a parte pobre da população?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espera aí, talvez não seja novo. Talvez seja um daqueles raros, sabe? Que você não encontra nem nos sebos da Rua Augusta. É, realmente... se for assim tudo bem, não ligo; o cara conseguiu uma proeza: encontrou uma raridade e agora está exibindo a nós, meros mortais que andam de metrô. Parabéns!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero pelo menos saber o nome do livro para comprá-lo com as moedinhas do meu cofre, mas o cara moreno não me mostra. Ele que é feliz: lê obras raras do Gabriel García Márquez, deve ter uma namorada bonita, um belo emprego, almoça em restaurantes legais, toma banho quentinho, enfim, uma vida normal. Enquanto eu, sujeito menor, tento de todas as formas descobrir o título do tal livro. Vida injusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha estação está chegando. O metrô vai parar e, infelizmente, não descobrirei qual é o título da obra rara. Tudo bem, meu amigo, a vida é assim. Talvez nem seja Gabriel García Márquez mesmo. O cara moreno deve ter preocupações maiores. Talvez ele esteja lendo algo da advocacia, da medicina, da cura do câncer, coisa importante, saca? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agora vou dormir tranqüilo: não lançaram nenhuma obra nova do Gabo, nem encontraram uma raridade. Ah, que felicidade. Posso até continuar meus textos idiotas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-1078506567852884628?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/1078506567852884628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=1078506567852884628&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1078506567852884628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1078506567852884628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/10/da-angstia-de-no-enxergar-um-livro.html' title='Do livro e outros demônios'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-3695971612265022626</id><published>2008-10-06T17:48:00.000-07:00</published><updated>2008-10-06T18:18:28.912-07:00</updated><title type='text'>Quem é você, Leandro?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto a cidade vira um lixão de santinhos, nós votamos em Sergio Malandro, Dinei da Fiel e Netinho de Paula. Que merda, cara; realmente me senti constrangido quando saí de casa para votar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que porcaria era aquela? Papel e lama, tudo misturado! Eu vou votar num cara que suja a minha cidade? Que polui nossos ouvidos com jingles em altos volumes? Quantas toneladas de papel? Com quantas árvores se faz uma eleição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo me lembrou a cena do filme “O Jardineiro Fiel”, quando os africanos matam o cara sem nem saber o motivo. Simplesmente matam, porque os mandam matar. Era só mais um. Assim como entregamos santinhos como se fosse só mais um. É apenas algumas toneladas de lixo na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nós fazemos? Nada! Continuamos e continuaremos achando que está tudo bem. O emprego aumentou, a renda também, arranjamos um trabalho de 700 reais e compramos a porcaria do tênis da moda! Jogamos tudo no chão e bebemos a última cerveja para mentirmos a nós mesmos. Que raiva! Nada funciona nessa merda! É tudo pela metade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos um país de motoboys, operadores de telemarketing e entregadores de santinhos por 30 reais ao dia. Somos jovens incompletos, vivemos o passado de nossos pais.  É para isso que nascemos? Que geração é a nossa, cara? Seremos lembrados pelo quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansei dos anos 60, não agüento mais os 80. Porcaria de ditadura, Diretas Já, passeatas, guerrilha, caras pintadas, tortura, Collor e Médice! Nada disso funciona mais comigo! E nós, meu amigo, e nós? O que fizemos? Pelo quê lutamos? Mudamos o quê? Que angústia é essa?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-3695971612265022626?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/3695971612265022626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=3695971612265022626&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3695971612265022626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3695971612265022626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/10/quem-voc-leandro.html' title='Quem é você, Leandro?'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-9041585958004406080</id><published>2008-10-04T11:59:00.000-07:00</published><updated>2008-10-04T12:22:39.614-07:00</updated><title type='text'>A equação da infinita saudade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu tive certeza que me tornei um nostálgico quando, na sexta-feira, experimentei a mostarda de uma dessas lanchonetes da Zona Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Que bela mostarda vocês têm aqui, hein?! – me deu vontade de dizer, ironizando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antigamente, a mostarda era saborosa, azedinha. Hoje, não: ela está mais doce que o brigadeiro feito pela minha mãe aos domingos. Não só a mostarda mudou, o ketchup também, a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que com dezenove anos é difícil sentir saudade de alguma coisa. Muitos dirão que é a melhor fase e tal, e eu concordo. Mas sinto falta, sim! Ninguém pode me tirar esse direito!Afinal estamos num país democrático. Ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas mudaram, meu amigo. O mundo não tem mais a graça de alguns anos atrás. As escadas mudaram de lugar, não batemos mais figurinhas, nada de futebol na rua sem saída! E as traves de madeira, cadê elas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fanatismo pelo maior time do mundo ainda existe? Não, com certeza. Bom o tempo em que a preocupação era perder todos os tazos na esquina. Esconde-esconde na esquina. Ah, lá vem o Seu Pascoal trancar o portão. Onde se esconder agora, meu amigo? Se for na Dona Ana, ela solta os cachorros. E os meus cachorros? A Princesa, a Grampola, o Pequenino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cem gramas de pururuca, por favor! Fogueira em dias de frio. Aliás, ainda existe frio em São Paulo? Chegar molhado de chuva em casa. O que é isso, meu filho, por que tão ensopado? Sopa à noite, hambúrguer à tarde, refrigerante de manhã. E amanhã, futebol ou matemática, professora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá vem o Leandro pela esquerda, passa pela equação, dribla o gráfico, deixa no solo a divisão, mas perde a bola para o incógnito amor ao quadrado da Bruna, da Talita, da Jéssica... Que pena! Perdeu todo aquele jeito sem vergonha. Mas que vergonha, nem brincar você sabe mais, meu Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me resta mesmo Deus. Adeus, tempo nenhum. Adeus, passado. Adeus, leitor. Ainda há algum?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-9041585958004406080?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/9041585958004406080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=9041585958004406080&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/9041585958004406080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/9041585958004406080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/10/equao-da-infinita-saudade.html' title='A equação da infinita saudade'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-3924986305665956560</id><published>2008-09-28T18:04:00.000-07:00</published><updated>2008-09-28T18:07:23.684-07:00</updated><title type='text'>Aos meus amores partidos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu seria o mais tranqüilo dos homens se você olhasse para mim: dormiria com o som de bossas e, no raiar do sol, mais ou menos na hora que meus sonhos chegam perto dos seus, eu acordaria dando bom dia ao rádio relógio, que tanto me deprime em manhãs normais. Se me quisesses, eu lembraria de ti em todos os momentos do dia: no caminho, na escola, em tardes ensolaradas e tristes; veria seu rosto em todos os espelhos do mundo, em todos os vidros de carro, nos pensamentos partidos, nas janelas quebradas, em ventos perdidos. Para falar com você eu seria Chico, Vinicius, Drummond e o maior dos poetas menores que eu encontrasse em bares sem coração. Ah, garota, se fosses louca por mim, chorinhos e poemas nas páginas eu faria, cheios de fiéis amores e palavras criadas. E se um dia brigássemos, eu daria uma volta no mundo em oitenta segundos, só para encontrar a melhor das desculpas por te odiar naquele instante banal. Ah, menina, goste de mim, olhe pra mim, me deixe feliz, me faça normal, que eu canto uma música, recito um poema, faço um desenho, resolvo os problemas e reinvento as estrelas. Se você olhasse para mim, meu amor, eu rimaria palavras cruzadas, objetos diretos e periódicas tabelas; faria dos metais não-metais. Quem sabe um dia, garota, você perceba a minha presença e, diante de ti, eu perca o medo e me transforme em mim mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-3924986305665956560?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/3924986305665956560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=3924986305665956560&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3924986305665956560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3924986305665956560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/09/aos-meus-amores-partidos.html' title='Aos meus amores partidos'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-8233128986636048996</id><published>2008-09-22T16:07:00.000-07:00</published><updated>2008-09-22T16:10:14.829-07:00</updated><title type='text'>O meu problema com apelidos</title><content type='html'>Eu tive certeza que o mundo está perdido quando a loira na minha frente pronunciou a seguinte frase catastrófica ao celular: “Você já conversou com a Jessiquinha?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, nós, pessoas medianas, equilibradas e com um senso de inteligência para apelidos, sabemos que nenhum ser humano que se preze pode ser chamado de “Jessiquinha”. Fico imaginando como será vida dela.  Talvez seja operadora de telemarketing de produtos da Telefônica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–  Jessiquinha, boa tarde – ela me diz.&lt;br /&gt;– Me desculpe, não falo com pessoas com este apelido – eu retruco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou talvez a Jessiquinha venda filtros de água Europa em supermercados. Ela deve passar a tarde fazendo palavras cruzadas em virtude da falta de clientes. De repente, eu chego e vejo escrito em seu crachá: “Jessiquinha – Vendedora”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ah, prefiro beber água suja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais provável é que ela seja jornalista, sei lá. Trabalha no jornal Agora como repórter de curiosidades. Faz reportagens sobre anões e jacarés na periferia. A matéria vem assinada: “Jessiquinha Fernandes”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho problemas com Jéssica, mas o apelido derivado não combina. A letra ‘Q’ me faz lembrar biscoitos infantis: “Saboreie a nova Jeffiquinho de morango”. Sinceramente, não dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudade do tempo em que os apelidos eram normais: Rosa, Pança, Jesus, Priguicinha, Cidão, Broca, Feliz, Estranho, Bunda, entre outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-8233128986636048996?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/8233128986636048996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=8233128986636048996&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8233128986636048996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8233128986636048996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/09/o-meu-problema-com-apelidos.html' title='O meu problema com apelidos'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-8710269593692965389</id><published>2008-09-19T06:40:00.000-07:00</published><updated>2008-09-19T15:12:46.339-07:00</updated><title type='text'>Curtindo uma viagem com a música eletrônica</title><content type='html'>Eu tenho um sério problema com pessoas que ouvem música no celular dentro de ônibus/trem/metrô/qualquer lugar. Tudo bem escutar em seus fones brancos, solitários, dentro de um mundo paralelo; mas colocar a música no último dos volumes para todos escutarem, não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu seja um conservador, mas não consigo ouvir música eletrônica às seis da madrugada dentro de um metrô lotado. Simplesmente está fora da minha capacidade física. Meus ouvidos não suportam e meu cérebro se transforma em pasta de amendoim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre assim: sento no meu lugar, pego um livro, inicio a leitura e... ela começa. Algum ser sem rosto ligou o celular e a maldita música eletrônica, estourando os tímpanos dos presentes. Pelo amor de Deus, alguém desliga essa coisa. Eu preciso ler, o senhor do meu lado quer dormir um pouquinho e tem um casal ali que necessita namorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos no metrô já perceberam o barulho e, no fundo de suas almas, desejam todo o mal à vida do sujeito do celular.  Quem ele pensa que é? Acordamos cedo, trabalhamos muito e somos obrigados a ouvir esses barulhos sem sentido? Que porcaria de vida. Vai ouvir música eletrônica na casa do seu pai – é o pensamento geral da nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casal de namorados me lança um olhar corajoso, algo como “precisamos reagir”.  Já o senhor dorminhoco parece triste, não vê solução para o fim da música. “Não tem jeito, cara, o rapaz não vai desligar o celular” – ele me diz, melancólico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, esperançoso, vou fazer alguma coisa. Vamos reunir um exército, sei lá. Chamar o FBI, a CIA, a Polícia Federal, a Ordem da Fênix. O cara do celular precisa ser detido, a música eletrônica tem que parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me levanto e, no alto da minha coragem, vejo o cara do celular. Detalhes sobre ele: é grande e forte, usa camisa larga e um boné de aba reta, tem bigodinho e deve trabalhar na tropa de elite. Mais calmo, eu decido ouvir a música eletrônica e curtir a viagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-8710269593692965389?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/8710269593692965389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=8710269593692965389&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8710269593692965389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8710269593692965389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/09/curtindo-uma-viagem-com-msica-eletrnica.html' title='Curtindo uma viagem com a música eletrônica'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-6988147651647640416</id><published>2008-09-14T14:08:00.000-07:00</published><updated>2008-09-14T14:26:42.056-07:00</updated><title type='text'>Qual é o segredo da ruivinha?</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Para a Tatiane, que não me deixa escrever sobre mulheres&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que eu pensasse que elas não existem mais. Pelo contrário: eu sempre soube que ainda caminham por aí! Se andam por contos de fadas ou escondidas da luz enferrujada do sol, eu não sei, mas não sumiram do mundo, as ruivas.&lt;br /&gt;Sim, elas sabem nos deixar rubros com seus cabelos de fogo e sardas no rosto. Tão assim, tão ruivas, tão lindas e tão perfeitas que fazem de nós, homens, meros apaixonados sem começo e sem fim; tão assim, tão normal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-6988147651647640416?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/6988147651647640416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=6988147651647640416&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6988147651647640416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6988147651647640416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/09/qual-o-segredo-da-ruivinha.html' title='Qual é o segredo da ruivinha?'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-775877020843941268</id><published>2008-08-27T16:31:00.001-07:00</published><updated>2008-08-28T02:33:37.744-07:00</updated><title type='text'>"Sou apenas um cara olhando o horizonte"</title><content type='html'>&lt;em&gt;Para um amigo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, se eu fosse um escritor, pensaria num texto lindo, daqueles que descobrem lágrimas nos olhos mais secos, desesperados, tristes e angustiados – aqueles olhos que não têm mais onde procurar ajuda, nem no choro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estivesse inspirado, minha caneta faria uma crônica que pulasse a Marginal, chegasse ao Minhocão, corresse pela Praça da Sé, entrasse no metrô e, andando mais um pouco, passasse pela Avenida Nova, que eu nem sei onde fica, mas que seria o lugar ideal para ela, a crônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem sabe, se eu fosse mesmo um escritor, sairia de mim o mais bonito dos romances. E ele seria tão genial, que levaria ao delírio as garotas dos meus sonhos: a Carla, a Bruna, a Roberta, a Karen e até aquela ruiva que me passa todos os dias sem dizer seu nome, me deixando apenas o prazer de contemplar seus passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os homens da minha rua ficariam entusiasmados se um dia eu inventasse um personagem inspirado neles. O Mauro morreria de tanto beber, o Paraná tiraria uma perna e o Seu Eriston finalmente engoliria o rancor e chamaria pelo nome a mulher com quem está casado mais ou menos há trinta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje, exatamente hoje, se eu fosse bom com as palavras ou um escritor decente, talvez pegasse as melhores frases de porta de banheiro e as transformasse nos versos mais bonitos da Mooca, só para consolar o meu amigo, que está mal.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-775877020843941268?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/775877020843941268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=775877020843941268&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/775877020843941268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/775877020843941268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/08/sou-apenas-um-cara-olhando-o-horizonte.html' title='&quot;Sou apenas um cara olhando o horizonte&quot;'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-8068848398217514114</id><published>2008-08-08T17:20:00.000-07:00</published><updated>2008-08-08T20:14:46.077-07:00</updated><title type='text'>O suco mutante</title><content type='html'>Eu sei que já escrevi sobre os sabores sinônimos, como a beterraba que tem gosto de milho e o milho que tem gosto de beterraba. Sinto-me no direito de discorrer mais uma vez sobre o sabor dos alimentos deste planeta vil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, meus queridos leitores, enquanto cientistas americanos pesquisavam um novo jeito de nos transformar em pasta de amendoim, eu fui iluminado pela luz divina e cheguei a seguinte constatação: “Este peixe está com gosto de mandioca!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou brincando, é verdade. Foi isso o que você leu. Os alimentos estão mudando de sabor. O peixe não é mais o mesmo, a água também não e o caldo de cana, nossa, nem vou comentar.  Antigamente, eu tomava água e sentia aquele sabor puro, limpo, como água mesmo. Hoje não: a cada gole de água que bebo, mais sinto o gosto de coco queimado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra: vocês já repararam que o suco de uva está mais com o jeitão de vinho? Não era assim, suco de uva era suco de uva, vinho era vinho. Sem semelhanças, por favor. Ninguém bebia suco de uva e falava “Tá com gosto de vinho isso aqui”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os motivos dessas mudanças devem ser diversos. Talvez o aquecimento global, não sei. A questão do etanol também me deixa dúvidas. O fato é que está acontecendo e não estamos fazendo nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia desses, eu, a Nathália e a Rafaella estávamos almoçando. De repente, a Rafaella, que ainda não tinha bebido o suco, pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– De que é esse suco?&lt;br /&gt;– De melancia – eu respondo.&lt;br /&gt;– Não, é de morango, pô – retruca a Nathália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como bons brasileiros que somos, nós apostamos. Eu tinha certeza que era de melancia. Não sou burro, cara. Sei a diferença entre um suco de melancia e outro de morango. São anos e anos tomando Tang! Quer discutir ainda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rafaella, curiosa, foi perguntar ao cozinheiro de plantão. Voltou, exclamando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Gente, como vocês são burros! O suco é de goiaba!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-8068848398217514114?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/8068848398217514114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=8068848398217514114&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8068848398217514114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/8068848398217514114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/08/o-suco-mutante.html' title='O suco mutante'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-1838115138997496534</id><published>2008-07-25T20:52:00.000-07:00</published><updated>2008-08-01T16:56:13.512-07:00</updated><title type='text'>Eu, massageado</title><content type='html'>Hoje eu fiz massagem. Sim, meu caros, enfrentei o medo, a vergonha e o receio de encontrar um massagista mais ou menos como o Odvan, antigo jogador do Vasco da Gama (lembra?). Mas não: tive a sorte de me deliciar com as mãos da senhorita Fernanda. O nome dela não é esse, suponho, mas achei que ela tem o jeitinho de Fernanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei na sala, todo cheio de culpa: eu, um garoto de dezenove anos, de tênis furado, nada calmo e que ainda sente fortes dores no rim esquerdo, aqui nesta sala estranha? Massagem? Isso não é para mim, desculpe. Vou ali ao Mc Donald's e já volto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você não vai se sentar? – perguntou a Fernanda, com jeitinho, toda de branco, linda.&lt;br /&gt;– Claro – respondi, cheio de vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olhei para a cadeira. A cadeira olhou para mim. Espera aí, não é uma cadeira normal! Primeiro, eu tenho que ficar numa posição estranhíssima e colocar a cara num buraco (não me levem a mal, por favor). Segundo, eu olho para o chão o tempo todo: qual é a graça de olhar para o chão enquanto a Fernanda me faz a massagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sala estava cheia de pessoas sendo massageadas. É aí que minha imaginação ganhou espaço: por que elas estão ali? Será que estão estressadas tanto quanto eu? Foram traídas pelos maridos ou esposas? Têm tiques nervosos ou manias estranhas, como olhar três vezes se o gás está desligado? Aquela senhora ali do lado tem jeito de operadora de telemarketing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa a massagem e a primeira coisa que descubro é que tenho cócegas nas costas. Pode dizer, não sou uma pessoa normal. Enquanto todos estavam tranqüilos, relaxados, pensando em monges tibetanos, eu estava rindo com aqueles murros que a Fernanda me dava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo foi passando e eu relaxando. Senti o fluxo (olha que lindo!) daquela musiquinha que tocava. Pensei em abandonar o mundo e virar monge, aderir ao yoga, comer apenas alimentos saudáveis, dormir no mato e jogar peteca com os amigos. De repente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Acabou – sussurrou a Fernanda em meus ouvidos;&lt;br /&gt;– Não, não acabou – insisti.&lt;br /&gt;– Acabou sim, você já pode se levantar.&lt;br /&gt;– Não. Eu te amo tanto.&lt;br /&gt;– Só fiz uma massagem em você, nem te conheço.&lt;br /&gt;– Tudo bem, obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui embora, sem o peso nas costas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-1838115138997496534?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/1838115138997496534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=1838115138997496534&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1838115138997496534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1838115138997496534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/07/eu-massageado.html' title='Eu, massageado'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-178658134100416432</id><published>2008-07-23T19:15:00.000-07:00</published><updated>2008-07-23T19:19:52.286-07:00</updated><title type='text'>Conta Outra</title><content type='html'>Ele foi cavando, cavando, cavando, pois sua profissão – coveiro – era cavar. Mas de repente, na distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da cova e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que, sozinho, não conseguiria sair. Gritou, mas ninguém o escutou. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enlouqueceu de gritar, cansou de esbravejar; desistiu quando a noite chegou. Sentou-se no fundo da cova, desesperado: o que fazer para sair desse lugar horrendo?&lt;br /&gt;Essa história que você acabou de ler foi contada para um número de aproximadamente quarenta crianças de três a sete anos, na unidade do Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Elas, as crianças, passaram medo, gritaram, perguntaram, tentaram adivinhar o final, enfim, amaram a historinha.&lt;br /&gt;(Ah, e você também quer saber o final da história, não é? Leia a matéria inteira que eu conto).&lt;br /&gt; E não é apenas essa história que anda fazendo sucesso entre a molecada, mas diversas outras: o mercado de contações de histórias infantis chegou e conseguiu o seu lugar no coração dos pequenos.&lt;br /&gt;Atualmente, o número de espaços que realizam este trabalho vem crescendo significativamente. Livrarias, bibliotecas, praças, escolas, entre outros. É o caso da livraria infanto-juvenil NoveSete, também no bairro da Vila Mariana, que realiza contações há sete meses. “Criamos esse projeto com o objetivo de alcançar uma integração maior entre as crianças, com o próprio espaço da livraria, com os livros, com este enorme universo literário”, afirma Gislene Gambini, proprietária do lugar.&lt;br /&gt;As escolas públicas também se interessaram por passar aos seus alunos um pouco deste universo. “Recebemos diversos convites da Prefeitura de São Paulo para contar histórias, o que demonstra um interesse dos órgãos públicos de ampliar os horizontes culturais dos alunos mais carentes”, diz Fernanda Viacava, da Companhia Teatral Dedo de Prosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O que contar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os temas são os mais variados, desde a relação entre as pessoas com o trabalho até contos populares de outros países, como o de Pedro Malazartes. “Tentamos diversificar, mas sempre tocamos a questão do vínculo entre as pessoas, as relações de amor, confiança.”, reflete Kiara Terra, contadora de histórias há oito anos.&lt;br /&gt;Contos famosos, como o dos Três Porquinhos, geralmente não são bem aceitos pela criançada, pois todos já sabem a trama, os personagens, o final. “A criança quando ouve nossas histórias não quer saber da Chapeuzinho Vermelho. Essa ela ouve em casa, com os pais. O ideal é usar contos não muito conhecidos. Utilizar a cultura indígena, africana, européia”, diz Fernanda.&lt;br /&gt;Histórias de terror, como a que você leu no início desta reportagem, também são sempre usadas. É uma forma de mostrar para as crianças com menor idade as diversas possibilidades que a vida pode ter; que nem tudo é um conto de fadas e que o final, às vezes, pode ser infeliz. “Uma vez, em uma história de terror, uma garotinha chegou a urinar nas calças de tanto medo. Mas isso foi importante; ela se reconheceu na história. Viu que, como ela, o personagem também sente medo, que é um sentimento normal.”, explica Fernanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Como contar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um espaço livre, um banquinho (mas pode ser no chão mesmo), uma boa história, e o principal: crianças! Pronto, você também já pode contar uma história infantil. Não é preciso ter formação em artes cênicas para ser um bom contador: ter que ter o “jeito”, segundo os contadores profissionais, que vão desde psicólogos até pedagogos. “Basta apenas ter afinidade com os livros, saber se expressar bem, chamar a atenção das crianças”, explica Beatriz Pecci, consultora literária da livraria NoveSete.&lt;br /&gt;A principal dificuldade de contar histórias às crianças, segundo os profissionais, é manter a atenção dos pequenos. Se a história for muito longa, a criança se perde, ou não presta a devida atenção. Por isso é sempre importante utilizar métodos que a façam entrar nas histórias: músicas, perguntas, interromper a história no meio e perguntar se todo mundo se recorda do início, são alguns truques dos contadores. “Se a criança não gostar da história, ela vai reclamar mesmo. Eles são muito sinceros”, diz Dinah Feldman, também da Companhia Dedo de Prosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por que contar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A tradição de narrar histórias vem de longa data. Antigamente, antes do surgimento dos livros, as notícias eram passadas de boca a boca; não havia como propagar um fato sem utilizar a oralidade. Depois da invenção da prensa, tudo mudou. As histórias encontraram um meio de se perpetuar no tempo e no espaço, atingindo, assim, um maior número de pessoas.&lt;br /&gt;Atualmente, com o surgimento das novas mídias, como a televisão e a internet, criou-se uma sociedade baseada, principalmente, na imagem. “Contar histórias quebra essa coisa de ter tudo ali na sua frente; as crianças imaginam as cenas, os personagens, as situações: nada está pronto para elas”, afirma Dinah. ”Resgatamos também a arte de sentar e simplesmente ouvir o outro, o que não é mais tão comum na nossa sociedade.”, diz.&lt;br /&gt;As contações também ajudam a introduzir a criançada no mundo dos livros. “Às vezes, os pais nos procuram para indicarmos algumas obras para seus filhos”, diz Fernanda. “O que fazemos desperta nas crianças uma curiosidade por um mundo novo: o dos livros. Já é natural da criança querer conhecer tudo, mas quando ela ouve uma história, isso cresce de uma maneira fantástica. É muito gratificante”, completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Agora que você chegou até o final desta reportagem, vou contar o desfecho da historinha do início): &lt;br /&gt;Só um pouco depois da meia-noite é que vieram uns passos. Deitado no fundo da cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça apareceu lá em cima. Era um bêbado. Perguntou o que havia: “O que é que há?”&lt;br /&gt;O coveiro gritou: “tire-me daqui, por favor. Estou morrendo de frio”. Então o bêbado disse: “Coitado, tem toda razão de estar com frio. Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho”. E, pegando a pá, encheu-a de terra e pôs a cobri-lo cuidadosamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-178658134100416432?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/178658134100416432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=178658134100416432&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/178658134100416432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/178658134100416432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/07/conta-outra.html' title='Conta Outra'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-2328536772522816514</id><published>2008-07-20T21:50:00.000-07:00</published><updated>2008-07-21T20:21:11.233-07:00</updated><title type='text'>E se...</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Estava eu roendo as unhas quando meu amigo Sato deu a seguinte sugestão: “Você poderia escrever sobre escolhas”. Acatei a idéia do japonês e vomitei este pequeno texto que vem a seguir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu não tivesse escolhido seguir o conselho de minha mãe naquele dia chuvoso de fevereiro de 2006 não teria ido à escola. Eu não indo à escola não ouviria a frase que meu amigo Renato disse baixinho ao meu outro amigo Ivan: “Ouvi uma banda chamada Arctic Monkeys”. Eu, sendo curioso, procurei o tal Arctic Monkeys. Ouvi. Gostei. Comprei o CD e a camiseta. Virei fã. Quis ir ao show. Chamei meus amigos Renato, Daniel e Camila. Marcamos na estação. O Daniel levou o seu amigo Thiago e ambos chegaram atrasado. A Camila não: estava lá antes de todos. O festival já havia começado. Decidimos beber um pouco antes entrar. Compramos quatro vinhos e duas cervejas. Ninguém bebeu os vinhos. Eu bebi as cervejas. Entramos no show. Se a Camila não fosse baixinha, nós não tentaríamos ir lá para frente. Se a Camila não discutisse com a garota dançante, nós não iríamos mais a frente ainda. Enfim, se o cara nordestino não tivesse cansado pela falta de água. Se houvesse água. Se eu gostasse de Björk e se um estranho homem não caísse encima de nós, eu não teria te conhecido, Carla.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-2328536772522816514?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/2328536772522816514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=2328536772522816514&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2328536772522816514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2328536772522816514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/07/e-se.html' title='E se...'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-26823676700312888</id><published>2008-07-04T22:22:00.000-07:00</published><updated>2008-07-04T22:24:13.713-07:00</updated><title type='text'>Crônica de um amor passado</title><content type='html'>Para Carla&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era texto. Ele a amou primeiro em texto, como a musa inspiradora de grandes olhos azuis. Ela se apaixonou pelo que ele escrevia. E os dois se amaram em letras, em parágrafos, em pontos, em vírgulas, em exclamações e em beijos de mentirinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, eles decidiram que o amor não cabia mais em papéis e páginas de computador: o amor cresceu, cresceu, cresceu... e de tão grande, pulou fora do imaginário dos dois; agora ele era praça, cinema, pipoca, chuva e guarda-chuva, beijos e petit-gateau aos domingos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto descobriu que a amava de todas as formas e jeitos e em todos os momentos: amava todas as palavras tímidas que ela dizia, o jeito que ela levanta a sobrancelha, todos os suspiros asmáticos, e amava o jeito dela descer escadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eles namoraram e foram felizes. Mais que felizes: eles pensavam da mesma forma e riam da mulher que os tratavam mal. Para ele, isso era o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo tem chega ao seu final. E o fim do amor deles chegou.&lt;br /&gt;Tudo acabou: o namoro, os beijos acabaram, as segundas-feiras juntos acabaram, o filme acabou, a felicidade, o mundo. E o que sobrou? O texto, pois é só isso que ele sabe fazer. Ele é texto, é crônica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-26823676700312888?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/26823676700312888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=26823676700312888&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/26823676700312888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/26823676700312888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/07/crnica-de-um-amor-passado_04.html' title='Crônica de um amor passado'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-3357853458074787399</id><published>2008-05-24T15:43:00.000-07:00</published><updated>2008-05-24T19:39:43.559-07:00</updated><title type='text'>Crônica de um amor futuro</title><content type='html'>&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ela, a menina, nunca amou ninguém. Nenhum garoto de sua escola nem de seu bairro nem de seu país nem de todos os lugares que Deus inventou só para que ela, a menina, dissesse: “Não há no universo um garoto que me faça amar”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A menina já havia provado de todas as paixões da adolescência: as possíveis, as contrariadas, as infelizes, as grudentas, as paixões de muro e portão. Até aquela, a escondida, a menina já tentara. Mas nada de amar: era só degustação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A menina então procurou ajuda: perguntou ao seu pai, mãe, tia, avó, o moço que vendia alianças na porta do seu trabalho; perguntou aos deuses, aos orixás, aos pais e mães de todos os santos que ela, a menina, rezava na igreja. “Onde posso encontrar o garoto que me faça amar?”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Até pouco tempo atrás ela ainda continuava procurando. Já vasculhou todos os lugares do mundo: os corredores de sua escola, tubos de ventilação, elevadores, terrenos baldios, salas de bate-papos e páginas do orkut, debaixo de mesas, sofás e cortinas; procurou em músicas, filmes, novelas, papeis de parede e corações de chocolate.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;“Onde está ele, meu Deus?”, pergunta ela. Então Deus respondeu: “Você vai encontrá-lo, é só parar de procurar”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A menina parou de vasculhar todos os lugares possíveis e imagináveis. Seu amor vai aparecer sem mais nem menos, em qualquer lugar, em qualquer momento: na praça, na rua, no ponto de ônibus, em dias de sol ou chuva,  em terremotos ou filas de banco, numa foto ou poema de jornal.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-3357853458074787399?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/3357853458074787399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=3357853458074787399&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3357853458074787399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3357853458074787399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/05/crnica-de-um-amor-futuro.html' title='Crônica de um amor futuro'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-1646748647816320474</id><published>2008-05-21T20:38:00.000-07:00</published><updated>2008-05-21T20:43:07.033-07:00</updated><title type='text'>O meu novo amigo Omar</title><content type='html'>O Omar tem quatro anos. Não é três nem cinco: é quatro! – ele gosta de exaltar. O Omar é espanhol, nascido em Madrid; mudou-se para São Paulo há três meses por conta de um novo trabalho de seu pai, que é médico.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eis o fato: estava eu sentado em um banquinho no horário do lanche, no trabalho. O Omar brincava com algumas pedras que havia no lugar. Sabe-se lá por que algo na minha pessoa lhe chamou a atenção. Começamos a conversar.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;              &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Você tá gostando do Brasil, Omar?&lt;br /&gt;– Não vi muita coisa ainda. Mas não gostei.&lt;br /&gt;– Por que não?&lt;br /&gt;– Os prédios daqui são muito pequenos.&lt;br /&gt;– E os de lá são maiores, né?&lt;br /&gt;– Muito, muito maiores. Bem assim, ó?&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E demonstra com suas pequeninas mãos os gigantescos prédios espanhóis.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Você trabalha aqui? – pergunta ele.&lt;br /&gt;– Sim, lááá no último andar, consegue ver?&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ele se entorta todo para enxergar o último dos dez andares do prédio onde eu trabalho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– E como você chega lá?&lt;br /&gt;– Pelos elevadores.&lt;br /&gt;– Ah, sim. Sei o que são. Quero ir lá onde você trabalha.&lt;br /&gt;– Eu te levo qualquer dia, ok?&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu tava bebendo um mate com limão neste momento. Não é a melhor bebida para uma criança de quatro anos, mas ele também provou. Não curtiu muito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– E você gosta de futebol, Omar?&lt;br /&gt;– Não. Gosto de bicicleta. Mas não tá aqui. Ficou na Espanha.&lt;br /&gt;– Você tem que torcer pra algum time. Aqui é o país do futebol.&lt;br /&gt;– Sim, sim. Mas prefiro bicicleta.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O papo seguiu durante uns dez minutos: aqueles minutos que você lembrará para sempre, saca? Poderia parecer que eu e o Omar éramos amigos há muito tempo. Não muito tempo, afinal, ele só tem quatro aninhos. Nem três nem cinco: quatro aninhos! Nos demos bem.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Você deve estar pensando: “se ele é espanhol, por que, diabos, fala português? Ele não fala português, eu apenas traduzi aqui no texto.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Você já foi pra escola aqui no Brasil, Omar?&lt;br /&gt;– Ah, sim. Fui. Não gostei.&lt;br /&gt;– Ué, não fez amigos?&lt;br /&gt;­– Deixa eu ver...fiz cinco amigos!&lt;br /&gt;– Olha só, que legal.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O horário do meu lance acabou: eu precisava me despedir do Omar.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Omar, eu preciso ir, senão minha chefe vai brigar.&lt;br /&gt;– Viiiiixi. Tá bom. Somos amigos então?&lt;br /&gt;– Claro, Omar.&lt;br /&gt;– Você é legal, entende o que eu falo!&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Provavelmente nunca mais verei o Omar. Ou talvez até veja, mas quando ele já for grande, não terá mais o sotaque espanhol; quem sabe nem se lembre como se fala prédio na sua língua natal. Ou talvez nem se lembre destes dez minutinhos que passou com um desconhecido.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Para você pode parecer idiotice tudo isso que eu contei; mas, juro, conversar com esse espanholzinho de quatro anos foi o melhor momento do meu dia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-1646748647816320474?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/1646748647816320474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=1646748647816320474&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1646748647816320474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1646748647816320474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/05/o-meu-novo-amigo-omar.html' title='O meu novo amigo Omar'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-1744038169045040321</id><published>2008-04-19T17:58:00.000-07:00</published><updated>2008-04-19T18:14:28.407-07:00</updated><title type='text'>Papo de bêbado (e corintiano)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Há coisas que só acontecem no metrô de São Paulo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Entra um bêbado:&lt;br /&gt;– Aí, moçada, é Curintia!&lt;br /&gt;– Opa, Timão eô – pensei, irônico.&lt;br /&gt;– Vamos lá – ele sentou do meu lado e começou a batucar no vidro do trem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Bom, o bêbado (e o corintiano) já é figura carimbada em crônicas, e se não fosse a falta de assunto, ele não estaria nessa. Mas fazer o quê?&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;              &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– O quê? – perguntei para o bêbado depois de ele falar comigo.&lt;br /&gt;– E o Corintia, como tá?&lt;br /&gt;– Mal, por quê?&lt;br /&gt;– O Marcelinho joga hoje?&lt;br /&gt;– Ele não está mais no Corinthians&lt;br /&gt;– Como não?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(Silêncio)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Agora só falta você dizer que o Zetti não jogou no Curintia?&lt;br /&gt;– Ele também jogou no Corinthians. Aliás, foi o único dos grandes que ele não defendeu.&lt;br /&gt;– Você tá louco, bixo. O Zetti fez vários gols pelo Timão.&lt;br /&gt;– Desculpe, o senhor está confundindo, ele era goleiro.&lt;br /&gt;– Você bebeu hoje, meu filho?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(Silêncio)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;                            &lt;p class="MsoNormal"&gt;– Você sabe, meu filho, na minha época o Corintia era um time bom.&lt;br /&gt;– Sério? Você é das antigas então, né?&lt;br /&gt;– Não muito. Vi Biro-Biro, Basílio, Sócrates, Raí.&lt;br /&gt;– Mas o Raí jogou no São Paulo.&lt;br /&gt;– Claro que não, o Raí era do Timão, meu.&lt;br /&gt;– O Raí, irmão do Sócrates?&lt;br /&gt;– É, aquele que namorava a Xuxa.&lt;br /&gt;– Que eu saiba foi o Pelé que namorou ela.&lt;br /&gt;– Não! O Pelé nem passou no teste do timão, você sabia, né?&lt;br /&gt;– Acho que o senhor se enganou.&lt;br /&gt;– Você que não entende nada de futebol.&lt;br /&gt;– Eu?&lt;br /&gt;– Só pode ser são-paulino mesmo, vai estudar, meu filho.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu fui. Afinal, não quero virar bêbado e nem corint, ops...você entendeu.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-1744038169045040321?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/1744038169045040321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=1744038169045040321&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1744038169045040321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1744038169045040321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/04/papo-de-bbado-e-corintiano.html' title='Papo de bêbado (e corintiano)'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-3210813712849258854</id><published>2008-02-24T07:35:00.000-08:00</published><updated>2008-02-24T14:41:16.075-08:00</updated><title type='text'>A briga no metrô e outras lembranças</title><content type='html'>Estava este pobre escriba esperando para subir em uma escada rolante na estação Brás do metrô, &lt;st1:personname productid="em S￣o Paulo" st="on"&gt;em São Paulo&lt;/st1:personname&gt;, quando dois homens começam (sem razão aparente) a trocar socos e pontapés. Capoeira, Judô, Karatê, Boxe, e todas as lutas conhecidas foram usadas pelos dois; eles buscavam ferir o outro da forma mais dolorosa, mais sangrenta.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A escada tava lá subindo, e a briga – cada vez mais violenta – descendo. Como eles conseguiam esta façanha da física eu não consigo imaginar, mas o fato é que estavam chegando perto de mim.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Como alguns de vocês sabem, sou magro. Não tenho biotipo (?) nenhum para artes marciais, muito menos para brigas. Enfim, se um soco perdido daquela batalha me atingisse eu estaria quase morto, ou pior, perderia algum dente. Ou, quem sabe, ficar com um olho roxo.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eis que nesse momento crucial da minha vida, como se um filme passasse sobre meus olhos, recordei as três brigas que tive o desprazer de participar. Vamos a elas.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Briga número 1&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Idade&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;: 6 anos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Adversário&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;: Washington (lindo nome!);&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Motivo&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;: como a maioria das desavenças entre homens tem a ver com futebol ou mulher, a nossa não poderia ser diferente. Ambos gostavam de uma garota chamada Laís. Aí, você, leitor esperto, já pode imaginar. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Mas, se eu me recordo bem, tinha a ver com lugar que os dois sentariam a fim de estar mais perto da amada. Coisas de homens, saca?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Vencedor: &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;Washington.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Briga número 2&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Idade: &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;8 anos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Adversário:&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; Júnior (meu companheiro de jornal na primeira série; hoje ele faz engenharia da computação)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Motivo:&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; Eu perdi um gol na aula de educação física. Ele ficou zangado. Discutimos. Brigamos. Duas horas depois, aos goles de uma coca-cola xingamos juntos a inspetora do colégio, aquela velha chata, e voltamos a normalidade da amizade (com o perdão da rima). &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Vencedor:&lt;/i&gt; &lt;/b&gt;Júnior&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Briga número 3&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Idade&lt;/i&gt;: &lt;/b&gt;10 anos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Adversário:&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; Felipe (apelidado carinhosamente de “Esquisito”)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Motivo: &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;Existia uma brincadeira (não lembro o nome) que proibia que os membros de um determinado grupo de falarem palavrões, sob pena de murros e pontapés para quem soltasse um. Ou seja, se algum falasse “porra”, por exemplo, levava vários socos dos outros membros do grupo. Eu, com a minha boca suja, falei um; o problema é que levei um murro no rosto do Esquisito. Revidei. Brigamos.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Vencedor: &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;Esquisito.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Como você viu, amigo leitor, não sou muito afortunado em combates, rixas, disputas, quebra-pau etc. Sempre &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;levo a pior. Por isso, fujo de um confronto como o diabo foge da cruz, ou como todos os brasileiros fogem de filmes da Xuxa.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Voltando ao início do texto, a batalha do metrô continuou violenta; eu desviei de um pontapé perdido, subi a escada e perdi de vista os combatentes enfurecidos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-3210813712849258854?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/3210813712849258854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=3210813712849258854&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3210813712849258854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/3210813712849258854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/02/briga-no-metr-e-outras-lembranas.html' title='A briga no metrô e outras lembranças'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-4304602369975459578</id><published>2008-02-17T13:59:00.000-08:00</published><updated>2008-02-18T14:16:48.115-08:00</updated><title type='text'>Hoje o dia tá difícil</title><content type='html'>Como a criatividade me abandonou nos últimos dias, postarei um texto feito na aula de “Técnicas de Som e Imagem”, na faculdade. Pedida pelo professor Armando Prazeres, a atividade consistia em escrever uma pequena crônica, escolher uma música que serviria de trilha e finalmente lê-la na frente da sala. Ficou tosco, já vou avisando, mas até que arrancou alguns sorrisinhos constrangidos. Vamos a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em casa. Às seis da manhã grita minha mãe:&lt;br /&gt;– Acorda. Já tá na hora, vagabundo.&lt;br /&gt;– Calma, mãe.&lt;br /&gt;– Primeira semana de aula e você já quer dormir até mais tarde. É um vagabundo mesmo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;No metrô lotado. Conversando com um idoso; ele fala:&lt;br /&gt;– Porra, eu ganho 350 reais por mês, e ainda pego esse metrô desse jeito. Velho sofre.&lt;br /&gt;– Jovem também.&lt;br /&gt;– Jovem não. Você pode ir pro bar, beber, paquerar.&lt;br /&gt;– E você, não?&lt;br /&gt;– Só paquero na fila do INSS.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;No elevador. Conversando com o Danillo.&lt;br /&gt;– Que professor é hoje?&lt;br /&gt;– Espero que não venha falar da economia do Paquistão, ou aquele papo chato de que é preciso estudar e blá blá blá.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Na aula. O professor:&lt;br /&gt;– Vocês terão que fazer uma crônica a partir de uma música que servirá de trilha.&lt;br /&gt;– Ah, tá – respondem os alunos, em coro.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Agora estou aqui na frente. O Danillo de camisa vermelha, o Allan com cara de inteligente e o professor lá atrás tá com a mão no queixo, provavelmente pensando:&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Que idiota esse Leandro.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-4304602369975459578?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/4304602369975459578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=4304602369975459578&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4304602369975459578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/4304602369975459578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/02/como-criatividade-me-abandonou-nos.html' title='Hoje o dia tá difícil'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-2720540633842299439</id><published>2008-02-05T18:50:00.000-08:00</published><updated>2008-02-06T17:03:05.770-08:00</updated><title type='text'>Coisas boas da vida...</title><content type='html'>Que nos fazem pensar que existe felicidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Tomar sorvete sabor “diamante negro”, sobretudo se, no final, a gente descobre que há alguns pedacinhos de chocolate.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Andar às sete da manhã, ventando, sobretudo se balançar seu cabelo; e ouvindo, no mp3, alguma música dos Los Hermanos, ou do Bob Dylan, ou do Johnny Cash.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Assistir filme no inverno, debaixo das cobertas, e comendo pipoca temperada com Sazon.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Chegar na faculdade, no dia da prova semestral, e encontrar a turma inteira reunida em mesas, que foram juntadas a fim de se estudar; mas no final descobrir que todos falam de algo que não tem nada a ver com a maldita prova.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Assistir sua série preferida e descobrir que o personagem que você mais gosta morreu afogado; mas, na verdade, você queria que ele morresse;  e você admite que, falando francamente, queria ter o sentimento de perda.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- &lt;span style=""&gt;Zoar com um amigo corintiano, sobretudo se o time dele foi rebaixado à segunda divisão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Acordar no sofá depois do que, segundo pensamos, passaram-se duas horas; depois descobrir que foram apenas 15 minutos.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Dormir com o rádio ligado, sobretudo se você acordar no meio da noite e descobrir que tá passando aquela música que tanto gosta.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Um amigo seu dizer: “Se for a única saída, dois corvos lutarão pela mesma presa.”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Comer brigadeiro preparado pela avó.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Mousse de maracujá.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Bolo de chocolate.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Pisar em folhas secas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Cafuné de mãe.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Dinheiro dado pela madrinha, ou por aquela tia distante que você vê uma vez no ano. Daí, ela diz: “Toma aí, meu filho, só pra você comprar uns doces.”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Beber cerveja num bar da Rua Augusta, com dois amigos, um deles fala: “Somos amigos há tanto tempo, né?” E você realmente não lembra a quanto tempo, mas sabe que são muito amigos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Beijo de namorada, sobretudo se for em alguma praça, com pombas voando. Daí você diz “Nossa, daqui a pouco uma vai bater em nós." Mas elas não batem, pois  não pretendem atrapalhar os pombinhos se beijando.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Andar de mãos dadas com a garota que você gosta, sobretudo se entram em alguma uma locadora de vídeos, e descobrem que virou uma loja de conveniência. Aí, ela diz: “Aqui era uma locadora, não sei o que aconteceu”. E você fala: “Ah, que pena, vamos comprar chocolate, então?”&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-2720540633842299439?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/2720540633842299439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=2720540633842299439&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2720540633842299439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/2720540633842299439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/02/coisas-boas-da-vida.html' title='Coisas boas da vida...'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-1808040737560726362</id><published>2008-01-29T18:07:00.000-08:00</published><updated>2008-01-29T18:52:05.290-08:00</updated><title type='text'>1996, o ano em que virei jornalista</title><content type='html'>Hoje, dia 29 de janeiro, é o Dia do Jornalista. Parabéns para nós.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(Palmas, por favor)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Desde pequeno, sempre quis ser jornalista. Na primeira série, com sete anos, eu e alguns amigos fizemos um jornalzinho chamado “Gazeta 1,2,3”. Mesmo com pouco tempo de alfabetização, já tínhamos aspirações para repórter.   &lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;As matérias eram coisas simples. A minha primeira contava, veja só, a história de um boi que morreu atropelado na estrada. Meu amigo Luciano, quando deu a idéia do jornal, falou:&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Podemos contar qualquer coisa.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Levei a sério. O boi morreu devido a um motorista embriagado, coitado. O ano era 1996, e até hoje morrem pessoas, não bois, fruto da bebedeira alheia.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;1996, além da morte do boi, foi conturbado; aconteceram muitas coisas; nós, como jornalistas, noticiamos tudo, é claro, com imagens, quer dizer, desenhos feitos por Cristiano, nosso Editor de Arte.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Só para citar alguns fatos.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;                &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- No dia 2 de março, um acidente aéreo matou os integrantes da banda Mamonas Assassinas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Queda do Fokker 100 da Tam, matando 99 pessoas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Explosão do shopping de Osasco, matando 42 pessoas.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Morte de PC Farias.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Morte de Renato Russo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Massacre de Eldorado dos Carajás, onde foram mortos, pela policia militar do estado do Pará, dezenove manifestantes sem-terra.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Celso Pitta foi eleito prefeito de São Paulo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Só para você não dizer que só aconteceram desgraças, algumas coisas boas:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;                &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Ano das Olimpíadas de Atlanta.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- A cidade de Varginha é invadida por extraterrestres.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Novelas “Rei do Gado” e “Explode Coração”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- O guitarrista Slash anuncia sua saída da banda Guns N’ Roses.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Palmeiras perde final da Copa de Brasil para o Cruzeiro.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu aprendo a ler.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Nascimento da Ovelha Dolly (depois ela virou refrigerante)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Só para terminar, um diálogo entre eu e minha mãe no dia da morte dos Mamonas Assassinas.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;– Mãe, por que os Mamonas morreram? Por que o Roberto Carlos não morreu no lugar deles?&lt;br /&gt;– Porque ele não estava no avião, meu filho.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-1808040737560726362?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/1808040737560726362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=1808040737560726362&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1808040737560726362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/1808040737560726362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/01/1996-o-ano-em-que-virei-jornalista.html' title='1996, o ano em que virei jornalista'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7677349586656790295.post-6672682712183411616</id><published>2008-01-21T20:28:00.000-08:00</published><updated>2008-01-24T14:40:24.305-08:00</updated><title type='text'>Paraná, o Agente Secreto</title><content type='html'>Meu nome é Paraná Siqueira. Não Paraíba nem Panamá. É Paraná. Não confunda. Estou escrevendo neste Blog a pedido do Leandro, meu vizinho. Ele não é idiota, se implorou para eu escrever aqui é porque tenho o que dizer, ou o que contar.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sou agente do serviço secreto brasileiro, quer dizer, fui. Saí. Cansei. A vida tava chata; nenhuma guerra, nem missões secretas, nenhum assassinato para eu fazer. Nada. Nos últimos anos, a única coisa que fiz foi treinar novos agentes. Até ensinei algumas técnicas àquele bosta do Capitão Nascimento. Quanta perda de tempo. Que marasmo.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu cheguei a sugerir para o Presidente Lula, sim, eu o conheço, aliás, somos grandes amigos, que entrássemos na guerra do Iraque. Não do lado dos Estados Unidos, mas dos iraquianos mesmo. Porra, temos chances contra o poderio americano, sim! Aquelas armas dos ianques não passam de um forno de microondas gigante. Com Paraná na Guerra, estávamos feitos.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Vou contar para vocês, seus calhordas, uma de minhas aventuras como Agente Paraná.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Estava eu numa missão em Berlim, Alemanha (conhece?), lá pelo ano de 1989. O trabalho consistia em matar um traficante brasileiro que havia fugido para lá. O nome dele eu não recordo, só sei que tinha a ver com o canto da praia. Não sei, não guardo nomes.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Dormi num hotel de beira de estrada, Hilton era o nome, sei lá. Não guardo nomes, já disse, porra. Recebi, logo no começo do dia, informações de onde estaria meu alvo, o tal Canto da Praia. Vesti meu terno branco e fui atrás. Coitado, faria picadinho dele. Sou Paraná. Sou foda.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Cheguei ao lugar indicado. Uma rua movimentada. A fonte secreta dizia que o cabra estaria numa barraquinha de pipoca ao lado de um muro. Vendendo drogas, é claro. Ou você pensa que nessas pipocas de rua colocam sal? É tudo droga, rapá, intropecente, digo, entorpecente. Tanto faz.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mirei o Canto da Praia com a minha bazuca. Bela Bazuca é o apelido. O primeiro tiro falhou. Merda. O segundo também. Que porra é essa, pensei. A Bela Bazuca havia falhado; logo ela que nunca me deixou na mão. Porra.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Vou ter que matar o homem a machadada mesmo, minha segunda arma. Belo Machado é o apelido. Fui lá. Paraná foi. É o seu fim, Canto da Praia. Peguei o Belo Machado, caminhei em direção ao cabra, dei o primeiro golpe; ele desviou, atingi o muro, até fez um buraco. Dei o segundo golpe; ele desviou novamente, atingi o muro a segunda vez: outro buraco.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;De repente, um velho barbudo, empolgado com a cena, me roubou o Belo Machado. Velho filho da puta. Ao contrário de me ajudar a matar o Canto da Praia, começou a golpear o muro. Pra que bater naquele monte de pedra?&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nesse meio tempo, o Canto da Praia fugiu sabe-se lá para onde.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um carinha loiro, sabe como são esses alemães, pegou um pedaço de pau e começou a bater no muro. Pois é. Uma multidão resolveu imitar o velho e o carinha loiro e começou a golpear também. Porra, gente idiota, com o Canto da Praia solto, eles batem nessa merda.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Era 09 de Novembro de 1989, uma missão fracassada, um desastre. Fazer o quê?&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Depois derrubaram o tal muro. Quanta perda de tempo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Outro dia eu volto a essa merda de blog. Se o Leandro, meu vizinho, implorar, é claro. Afinal, Sou Paraná Siqueira, o Agente Secreto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Porra.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7677349586656790295-6672682712183411616?l=verbamidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://verbamidas.blogspot.com/feeds/6672682712183411616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7677349586656790295&amp;postID=6672682712183411616&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6672682712183411616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7677349586656790295/posts/default/6672682712183411616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://verbamidas.blogspot.com/2008/01/meu-nome-paran-siqueira.html' title='Paraná, o Agente Secreto'/><author><name>Leandro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15478452710918419536</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ZFDTfOZp5Ac/SwAgEXGFrPI/AAAAAAAAABM/3awuJrqWyhI/S220/24-10-07_1022.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry></feed>
